A Bíblia em uma linha do tempo
Doze estações atravessam a história bíblica: o tempo provável de cada era, o lugar onde ela aconteceu e os livros que a narram: canônicos, deuterocanônicos, apócrifos e as fontes extra-bíblicas que dialogam com cada fase.
Role para avançar no tempoCriação e Queda
Relato teológico das origens; a Bíblia não data a Criação.
Deus cria os céus, a terra e a humanidade à sua imagem. No Éden, entre rios que o texto associa ao Tigre e ao Eufrates, Adão e Eva desobedecem e o exílio do jardim inaugura o drama que o resto da Bíblia busca resolver.

Dilúvio e Babel
Sem datação possível; paralelos mesopotâmicos são do 2º milênio a.C.
A violência cobre a terra e Deus a lava com o Dilúvio, preservando Noé e sua família na arca. Na planície de Sinar, a torre de Babel dispersa os povos. A Mesopotâmia guardou versões próprias do dilúvio, séculos mais antigas que o texto hebraico.

Os Patriarcas
Datação tradicional; parte da crítica vê os relatos como composição posterior.
Abraão deixa Ur, passa por Harã e desce a Canaã seguindo uma promessa: terra, descendência e bênção para todas as nações. Isaque, Jacó e os doze filhos vivem como nômades entre poços e altares, até a fome empurrar a família para o Egito.

Egito e Êxodo
As duas datas refletem o debate entre cronologia bíblica e arqueologia.
Os descendentes de Jacó se tornam um povo escravizado no Egito. Deus levanta Moisés, fere o Egito com as pragas, abre o mar e firma a aliança no Sinai: a Torá, o tabernáculo e quarenta anos de deserto moldam a identidade de Israel.

Conquista e Juízes
A escala da conquista é debatida; a arqueologia sugere ocupação gradual.
Josué atravessa o Jordão e Jericó cai. As tribos se assentam em Canaã, mas sem rei cada geração repete o ciclo: apostasia, opressão, clamor e um juiz libertador, de Débora a Sansão. Rute, em Belém, costura a linhagem que levará a Davi.

O Reino Unido
Samuel unge Saul e depois Davi, que toma Jerusalém e recebe a promessa de um trono eterno. Salomão ergue o Templo e o reino chega ao auge. É a era de ouro que os Salmos cantam e que a literatura de sabedoria atribui à corte de Salomão.

O Reino Dividido
Após Salomão o reino racha: Israel ao norte, Judá ao sul. É a era dos profetas: Elias no Carmelo, Amós e Oseias contra a injustiça, Isaías diante de reis. A Assíria engole Samaria em 722 a.C.; Judá sobrevive mais um século sob aviso constante.

O Exílio
Nabucodonosor queima o Templo e deporta Judá para a Babilônia. Junto aos rios estranhos, Ezequiel vê a glória partir e voltar, Daniel serve na corte do império e Lamentações chora a cidade vazia. O exílio força a pergunta: a promessa acabou?

Retorno e Segundo Templo
Ciro, rei da Pérsia, autoriza a volta. Zorobabel reergue o altar, Esdras restaura a Lei e Neemias reconstrói as muralhas sob escolta. Ageu, Zacarias e Malaquias pregam a um povo desanimado. O Segundo Templo fica pronto: menor, mas de pé.

Entre os Testamentos
O período "silencioso" que as Bíblias protestantes pulam, e que os deuterocanônicos narram.
Alexandre heleniza o Oriente, a Torá vira grego na Septuaginta e Antíoco profana o Templo, até a revolta dos Macabeus reconquistá-lo. Florescem Sabedoria, Eclesiástico, Tobias e a literatura de Enoque. Roma chega em 63 a.C. e Herodes assume a Judeia.

A Vida de Jesus
Jesus de Nazaré nasce em Belém sob Herodes, prega o Reino pela Galileia, é crucificado em Jerusalém sob Pôncio Pilatos, e seus discípulos anunciam que ele ressuscitou. Quatro evangelhos contam a história; apócrifos e Josefo orbitam ao redor.

A Igreja Apostólica
Do Pentecostes em Jerusalém às portas de Roma: o evangelho cruza o império pelas viagens de Paulo, as cartas circulam entre as igrejas e João vê o Apocalipse em Patmos. Em 70 d.C. Roma destrói o Templo; Josefo, testemunha, registra tudo.

Perguntas sobre a cronologia bíblica
Qual é a ordem dos períodos da Bíblia?
Em 12 eras: Criação e Queda, Dilúvio e Babel, Patriarcas, Egito e Êxodo, Conquista e Juízes, Reino Unido, Reino Dividido, Exílio, Retorno e Segundo Templo, o período entre os testamentos, a vida de Jesus e a Igreja Apostólica. A linha do tempo acima percorre cada uma com datas e livros.
Em que ano aconteceu o Êxodo?
Há duas datações defendidas: c. 1446 a.C., pela cronologia interna do texto (1 Reis 6:1), e c. 1270 a.C., pela leitura arqueológica que o associa a Ramsés II. As duas aparecem na era do Êxodo.
Quanto tempo durou o período entre os testamentos?
Cerca de 400 anos, de Malaquias (c. 400 a.C.) ao Novo Testamento. O período só é “silencioso” nas Bíblias protestantes: 1 e 2 Macabeus, Sabedoria, Eclesiástico e a literatura de Enoque foram escritos nele. Veja a era Entre os Testamentos.
Quantos anos da Criação até Jesus?
A Bíblia não data a Criação. Cronologias tradicionais que somam as genealogias chegam a c. 4000 anos (Ussher calculou 4004 a.C.), mas os números variam entre o texto massorético e a Septuaginta, e a leitura crítica entende Gênesis 1-11 como relato teológico, não datável. Mais na era da Criação.
Quando os livros apócrifos foram escritos?
A maior parte entre o século III a.C. e o século II d.C.: 1 Enoque e Jubileus no período entre os testamentos, e os evangelhos apócrifos depois da era apostólica. Cada um aparece como leitura paralela na era correspondente da linha do tempo.