Capítulos
Livro dos Jubileus
Autoria e Data de Composição
O Livro dos Jubileusé também chamado de "Pequeno Gênesis". A tradição atribui o texto a Moisés, apresentado como receptor de uma revelação divina transmitida pelo anjo da presença no Monte Sinai. O consenso acadêmico, porém, situa a composição original em hebraico por volta do século 2 a.C., provavelmente entre 161 e 140 a.C., durante o período macabeu. Alguns estudos apontam datas ligeiramente mais amplas, entre 200 e 100 a.C. O autor era, na visão da maioria dos pesquisadores, um escriba ou sacerdote ligado a uma corrente rigorosa do judaísmo do Segundo Templo, possivelmente próximo ao grupo que originou a comunidade de Qumran, embora a identificação direta com os essênios seja debatida.
Conteúdo Principal
O livro reinterpreta a narrativa de Gênesis 1 a Êxodo 12 organizando todos os eventos num calendário solar de 364 diasdividido em "jubileus" de 49 anos. Essa estrutura cronológica é central: o autor critica implicitamente o calendário lunar usado no Templo de Jerusalém e propõe que as festas bíblicas só podem ser observadas corretamente segundo o calendário de 364 dias. Temas recorrentes incluem a antecipação das leis mosaicas pelos patriarcas, a rejeição do casamento misto com povos estrangeiros e a luta contra os anjos caídos (Vigilantes) como origem do mal.
- Moisés recebe a revelação do anjo da presença no Monte Sinai — (Livro dos Jubileus 1)
- Relato da criação em sete dias e instituição do Shabat — (Livro dos Jubileus 2)
- Adão e Eva no Éden, a queda e a expulsão — (Livro dos Jubileus 3)
- Caim, Abel, Seth e as genealogias pré-diluvianas — (Livro dos Jubileus 4)
- Os Vigilantes, os gigantes e o decreto do dilúvio — (Livro dos Jubileus 5)
- A aliança de Noé e a instituição da Festa das Semanas — (Livro dos Jubileus 6)
- A infância de Abraão e o abandono da idolatria de seu pai — (Livro dos Jubileus 11)
- A aliança da circuncisão com Abraão — (Livro dos Jubileus 15)
- O nascimento de Isaque e a provação de Abraão — (Livro dos Jubileus 17)
- Bênção de Abraão a Jacó antes de sua morte — (Livro dos Jubileus 22)
- Rebeca instrui Jacó a não casar com cananéias — (Livro dos Jubileus 25)
- Jacó em Betel: dízimo, visão e confirmação da aliança — (Livro dos Jubileus 32)
- Conflito entre Jacó e Esaú — (Livro dos Jubileus 37)
- José vendido pelos irmãos e levado ao Egito — (Livro dos Jubileus 39)
- Jacó e sua família descem ao Egito — (Livro dos Jubileus 43)
- Morte de José e início da opressão israelita no Egito — (Livro dos Jubileus 46)
- Nascimento e juventude de Moisés — (Livro dos Jubileus 47)
- Instruções sobre a Páscoa e o Êxodo do Egito — (Livro dos Jubileus 49)
- Leis do Shabat e encerramento da revelação — (Livro dos Jubileus 50)
Prólogo e Revelação no Sinai
Adão, Eva e os Primeiros Patriarcas
Abraão e os Patriarcas
Jacó e as Tribos de Israel
José e o Egito
Moisés e a Lei
Manuscritos
O texto original em hebraico foi considerado perdido por séculos, conhecendo-se apenas versões em grego (parcial) e em etíope (completa). Com a descoberta dos Manuscritos do Mar Morto(1947 em diante), ao menos quinze cópias fragmentárias em hebraico foram identificadas nas cavernas de Qumran, confirmando a língua original. Esses fragmentos datam aproximadamente de 125 a.C. a 68 d.C. A versão etíope (Ge'ez) completa é a única versão integral sobrevivente e está preservada nos manuscritos da tradição da Igreja Etíope Ortodoxa Tewahedo.
Cânon e Recepção
O Livro dos Jubileus é canônico apenas na Igreja Etíope Ortodoxa Tewahedo e na Igreja Ortodoxa Eritreia. Para o judaísmo rabínico e para as igrejas cristãs ocidentais e orientais em geral, é considerado apócrifo. A sua presença em Qumran indica que o texto gozava de autoridade significativa naquela comunidade: algumas passagens do Jubileus são citadas em textos de Qumran de forma que sugere reconhecimento escriturístico. A Patrística cristã primitiva conhecia o livro, mas não o incluiu no cânon ocidental.
Paralelos com o Cânon Bíblico
O Jubileus dialoga diretamente com Gênesis e os primeiros capítulos de Êxodo, expandindo e reinterpretando as narrativas. A figura dos "Vigilantes" que se unem a mulheres humanas (cap. 5) é paralela a Gênesis 6:1-4 e aparece também em 1 Enoque. A ênfase no calendário de 364 dias conecta o Jubileus ao calendário litúrgico do Documento de Damasco e outros textos de Qumran.