Capítulos

Amós
Autoria e Data de Composição
O livro identifica seu autor como Amós de Tecoa, pastor e cultivador de sicômoros de Judá que recebeu visões durante os reinados de Uzias (Judá) e Jeroboão II (Israel). A datação interna aponta para 760 a 750 a.C., dois anos antes de um terremoto mencionado em am 1:1, confirmado por registro arqueológico em Hazor e em Gezer, datado aproximadamente de 760 a.C.
A autoria do profeta Amós para o núcleo do livro é amplamente aceita. Há debate sobre o capítulo 9, especialmente os versículos 11-15, cuja promessa de restauração contrasta com o tom de juízo do restante do livro. Alguns estudiosos propõem que esse trecho é uma adição editorial posterior, possivelmente pós-exílica. A questão não tem resolução consensual.
Manuscritos
Data: Séc. 1 a.C. a séc. 2 d.C.
Amós está representado nos Manuscritos do Mar Morto dentro dos rolos dos Doze Profetas Menores de Qumran, particularmente no 4Q82 (4QXIIg), datado do final do século 1 a.C. O texto de Atos 7:42-43 cita am 5:25-27 segundo a Septuaginta (LXX), com variações em relação ao Texto Massorético, indicando que diferentes tradições textuais circulavam no período do Segundo Templo.
Conteúdo do Livro
Oráculos contra as Nações

Denúncia Social e Religiosa

- Israel é a nação escolhida, portanto mais responsável pelo juízo — (Am 3:1)
- Condenação das "vacas de Basã": mulheres ricas que oprimem os pobres em Samaria — (Am 4:1)
- Ironia: "Ide a Betel e pecai, ide a Gilgal e multiplicai as transgressões" — (Am 4:4)
- Advertência sobre o Dia do Senhor: será trevas, não luz, para Israel infiel — (Am 5:18)
- Deus abomina as festas religiosas sem justiça: "Que corra o direito como água" — (Am 5:21)
- Condenação dos que "jazem em leitos de marfim" indiferentes à ruína de José — (Am 6:4)
Visões do Profeta

- Visão dos gafanhotos: Amós intercede e Deus recua do juízo — (Am 7:1)
- Conflito em Betel: o sacerdote Amazias expulsa Amós do santuário real — (Am 7:10)
- Amós nega ser profeta por ofício: "Sou pastor e cultivador de sicômoros" — (Am 7:14)
- Visão do cesto de frutas maduras: o fim de Israel está maduro — (Am 8:1)
- Profecia da fome de ouvir a palavra do Senhor — (Am 8:11)
Promessa de Restauração

Temas Centrais
Amós é o profeta da justiça social. Suas denúncias se dirigem especialmente às elites do Reino do Norte durante um período de prosperidade econômica sob Jeroboão II. O livro inaugura na tradição profética a ideia de que o culto religioso sem ética social é inaceitável para Deus.
A passagem de am 9:11 ("restaurarei a cabana caída de Davi") é citada em Atos 15:16 no Concílio de Jerusalém, aplicada à missão entre os gentios. A cena de confronto com o sacerdote Amazias (am 7:10-17) é um dos raros relatos biográficos preservados sobre um profeta do século 8 a.C.
Contexto Histórico
O terremoto mencionado em am 1:1 é citado também em Zacarias 14:5, sugerindo um evento histórico de grande magnitude. Escavações arqueológicas em Hazor identificaram uma camada de destruição por terremoto datada do século 8 a.C., consistente com a cronologia de Amós. A prosperidade e a desigualdade social que Amós denuncia são corroboradas por achados arqueológicos em Samaria, incluindo marfins de luxo e óstraca administrativos do período de Jeroboão II.