Capítulos

Livro dos Gigantes

Natureza fragmentária

O Livro dos Gigantes não sobreviveu como texto contínuo. Ele é reconstruído a partir de fragmentos aramaicos encontrados entre os Manuscritos do Mar Morto, em Qumran (manuscritos como 4Q203, 1Q23, 2Q26, 4Q530, 4Q531, 4Q532, 4Q533 e 6Q8), e de uma versão maniqueia recuperada por W.B. Henning em 1943, a partir de fragmentos achados em Turfan, na Ásia Central, em médio-persa, sogdiano e uigur. O texto apresentado aqui é uma coletânea curada desses cacos, com as lacunas marcadas. A ordem das cenas e várias das interpretações são reconstrução moderna, não dados preservados num único manuscrito.

Autoria e Data de Composição

A obra é anônima e geralmente datada do período do Segundo Templo, em torno do século II a.C. Pertence à tradição enoquita: expande Gênesis 6:1-4 e o Livro dos Vigilantes (1 Enoque 1 a 36), contando a história dos gigantes nascidos da união dos anjos caídos com mulheres. Entre os gigantes nomeados estão Ohiá e Aiá, filhos do Vigilante Semihazá.

Conteúdo

Contato com a literatura mesopotâmica

A obra traz Gilgamesh e Hobabis (identificado com o Humbaba do épico mesopotâmico) entre os gigantes. É um dos raros pontos de contato direto entre a literatura judaica antiga e a mesopotâmica: o herói do épico acádio aparece rebaixado à condição de uma das criaturas julgadas. Como o entorno desses nomes se perdeu, o papel exato dessas figuras na trama é incerto.

Recepção

O Livro dos Gigantes circulou no judaísmo do Segundo Templo e foi copiado em Qumran, mas não entrou em nenhum cânon judaico ou cristão. No século III, Mani, fundador do maniqueísmo, incorporou a obra a seu próprio cânon de escrituras, o que explica a sobrevivência de fragmentos maniqueus em línguas da Ásia Central. Foi a comparação entre esses fragmentos e os de Qumran que permitiu reconhecer que se tratava do mesmo livro.