Capítulos
Evangelho de Pedro
Autoria e Data de Composição
O Evangelho de Pedroé um evangelho apócrifo da Paixão e da ressurreição, atribuído ao apóstolo Pedro (o texto narra na primeira pessoa, "mas eu, Simão Pedro"). A quase totalidade dos estudiosos considera essa atribuição pseudepígrafa e data a obra do século II. O texto que temos vem do chamado fragmento de Akhmim, um códice em grego encontrado em 1886-87 numa sepultura no Alto Egito, e está incompleto nas duas extremidades.
Conteúdo
- Herodes, e não Pilatos, ordena a execução — (Evangelho de Pedro 1:1)
- O Senhor crucificado entre dois malfeitores, em silêncio — (Evangelho de Pedro 1:10)
- O grito "meu poder, meu poder, tu me abandonaste" — (Evangelho de Pedro 1:19)
- José sepulta o corpo no Jardim de José — (Evangelho de Pedro 1:24)
- O centurião Petrônio e a guarda do túmulo — (Evangelho de Pedro 1:31)
- Os sete selos sobre a pedra — (Evangelho de Pedro 1:33)
- Dois homens saem do túmulo sustentando um terceiro — (Evangelho de Pedro 1:39)
- As cabeças que alcançam o céu — (Evangelho de Pedro 1:40)
- A cruz que fala e responde "Sim" — (Evangelho de Pedro 1:42)
- O fragmento termina com a pesca dos discípulos — (Evangelho de Pedro 1:60)
A Paixão
O Túmulo
A Ressurreição
Características distintivas
A narrativa segue de perto os relatos canônicos da Paixão, mas acrescenta elementos próprios. A culpa pela morte de Jesus é deslocada de Pilatos para Herodes e para "os judeus", uma tendência antijudaica mais acentuada que a dos quatro Evangelhos. Há também trechos lidos por muitos como docéticos, isto é, que sugerem que Cristo só aparentava sofrer: ele permanece "em silêncio, como quem não sente dor", e seu grito final fala do "poder" que o deixa. Outros estudiosos contestam a leitura docética e veem nessas frases ecos do servo silencioso de Isaías 53. Por fim, a obra traz cenas ausentes do cânon, como a guarda do túmulo com sete selos, a saída de duas figuras de estatura celeste e uma cruz que fala.
Recepção e cânon
O testemunho antigo mais importante vem de Serapião, bispo de Antioquia por volta de 190 a 200. Segundo Eusébio de Cesareia (História Eclesiástica 6.12), Serapião primeiro permitiu a leitura do Evangelho de Pedro na comunidade de Rhossus e depois a proibiu, ao examinar o texto e concluir que ele favorecia o docetismo. A obra nunca entrou em nenhuma lista canônica e circulou à margem da Igreja, o que ajuda a explicar por que só sobreviveu em um único fragmento.