Capítulos

2 Reis
Autoria e Data de Composição
Assim como 1 Reis, 2 Reis pertencia originalmente a uma única obra com 1 Reis. A tradição judaica atribui autoria ao profeta Jeremias, mas essa hipótese não é confirmada pelo texto nem pelo consenso acadêmico. Estudiosos identificam a obra como parte da História Deuteronomista (Josué, Juízes, Samuel, Reis), compilada por redatores anônimos ligados à tradição do Deuteronômio.
A redação final é datada no século VI a.C., provavelmente durante o exílio babilônico (após 586 a.C.), período que o próprio livro descreve. O trecho final (2Rs 25:27-30) menciona a libertação do rei Joaquim (Jeconias) na Babilônia por volta de 561 a.C., o que serve de limite inferior para a composição do texto atual.
Manuscritos
O texto hebraico é transmitido principalmente pelo Texto Massorético. A Septuaginta apresenta variantes e organização ligeiramente diferente em alguns trechos. Fragmentos de Reis foram encontrados entre os Manuscritos do Mar Morto (Qumran), datados entre os séculos II a.C. e I d.C., confirmando a estabilidade geral do texto hebraico.
Eventos do Livro
Ministério de Eliseu

- Elias é arrebatado ao céu num carro de fogo; Eliseu recebe seu manto — (2Rs 2:11)
- Eliseu multiplica o azeite da viúva e ressuscita o filho da sunamita — (2Rs 4:1)
- Cura de Naamã, o general sírio, da lepra — (2Rs 5:1)
- Eliseu e o exército angelical (cavalos e carros de fogo) — (2Rs 6:15)
- Morte de Eliseu; milagre no sepulcro do profeta — (2Rs 13:14)
Queda do Reino do Norte

- Jeú é ungido rei e extermina a casa de Acabe e Jezabel — (2Rs 9:1)
- Assíria conquista Samaria e deporta Israel (c. 721 a.C.) — (2Rs 17:5)
- Repovoamento da Samaria com povos estrangeiros — (2Rs 17:24)
Reino de Judá: Reforma e Declínio

- Ezequias purifica o culto e resiste à invasão assíria de Senaqueribe — (2Rs 18:1)
- Ângel do Senhor destrói o exército assírio; Senaqueribe recua — (2Rs 19:35)
- Descoberta do Livro da Lei durante a reforma de Josias — (2Rs 22:8)
- Grande reforma religiosa de Josias: destruição dos lugares altos e ídolos — (2Rs 23:1)
- Nabucodonosor saqueia Jerusalém; primeira deportação para a Babilônia — (2Rs 24:10)
- Destruição do Templo e queda de Jerusalém (586 a.C.); exílio babilônico — (2Rs 25:8)
- Joaquim (Jeconias) é libertado da prisão babilônica — (2Rs 25:27)
Evidências Históricas e Arqueológicas
A conquista assíria de Samaria em 722-721 a.C. é atestada por fontes assírias, incluindo anais de Sargão II, que reivindicou a conquista da cidade e registrou a deportação de israelitas; a Crônica Babilônica e o próprio texto bíblico atribuem o cerco a Salmaneser V, seu predecessor, sendo o papel exato de cada rei objeto de debate entre historiadores. A campanha de Senaqueribe contra Ezequias é atestada em anais assírios e no Prisma de Taylor, conservado no Museu Britânico. A destruição de Jerusalém pela Babilônia em 586 a.C. tem ampla confirmação arqueológica, incluindo a Carta de Laquis e camadas de destruição identificadas em escavações. Esses eventos constituem alguns dos eventos bíblicos mais bem documentados por fontes externas.