Capítulos

Malaquias
Autoria e Data de Composição
O livro abre com "oráculo da palavra do Senhor a Israel, por Malaquias" (Ml 1:1). O nome Malaquiasem hebraico significa "meu mensageiro", o que levou alguns estudiosos a propor que não se trata de um nome próprio, mas de um título. Nesse caso, o autor seria anônimo. Outros pesquisadores mantêm que Malaquias é um nome próprio e que o profeta existiu historicamente. Não há consenso definitivo.
A data de composição é estimada entre 450 e 420 a.C., período pós-exílico tardio. Os argumentos para essa janela incluem: o templo já está reconstruído e em funcionamento (cf. Ml 1:10; 3:1), um governador persa administra Judá (Ml 1:8), e os problemas denunciados (divórcio, dízimos, casamentos mistos, sacerdócio corrupto) são similares aos enfrentados por Esdras e Neemias na mesma época. Alguns argumentam que Malaquias antecedeu as reformas de Neemias, outros que foi contemporâneo ou levemente posterior.
Manuscritos
O livro está preservado no Texto Massorético e na Septuaginta (LXX). Fragmentos de Malaquias foram identificados entre os Manuscritos do Mar Morto, em Qumran. Na tradição cristã, Malaquias é o último livro do Antigo Testamento, enquanto na ordem hebraica o cânon fecha com Crônicas. Não há grandes disputas textuais sobre o conteúdo do livro.
Conteúdo do Livro
Amor de Deus por Israel

- Título: oráculo da palavra do Senhor a Israel por meio de Malaquias — (Ml 1:1)
- Declaração do amor de Deus e o questionamento do povo: "Como nos amaste?" — (Ml 1:2)
- Acusação contra os sacerdotes por oferecer sacrifícios defeituosos e desprezar o altar — (Ml 1:6)
- Visão do nome do Senhor sendo honrado entre as nações, do nascente ao poente — (Ml 1:11)
Infidelidade dos Sacerdotes e do Povo

- Advertência aos sacerdotes: a aliança com Levi e sua violação — (Ml 2:1)
- Acusação por casamentos com mulheres de outros deuses e divórcios arbitrários — (Ml 2:10)
- Declaração: "porque eu odeio o divórcio, diz o Senhor, Deus de Israel" — (Ml 2:16)
- O povo cansa a Deus com palavras: "todo aquele que faz o mal é bom aos olhos do Senhor" — (Ml 2:17)
O Mensageiro que Prepara o Caminho

- Promessa do mensageiro que preparará o caminho e o Senhor que virá ao templo — (Ml 3:1)
- Juízo contra feiticeiros, adúlteros, opressores e os que retêm o salário do trabalhador — (Ml 3:5)
- Acusação de roubar a Deus nos dízimos e ofertas, com promessa de bênção para os fiéis — (Ml 3:8)
- O livro de memórias dos que temem o Senhor — (Ml 3:16)
O Dia do Senhor e o Profeta Elias

Recepção e Influência
A promessa do mensageiro de Ml 3:1 é aplicada a João Batista no Novo Testamento (Mt 11:10; Mc 1:2; Lc 7:27). A profecia sobre o retorno de Elias em Ml 4:5 também é associada a João Batista (Mt 11:14; 17:12; Lc 1:17). Malaquias é considerado o último dos profetas do cânon hebraico, encerrando o período profético clássico. A tradição judaica fala de um "silêncio profético" de cerca de 400 anos entre Malaquias e o surgimento de João Batista, no início do Novo Testamento.
A passagem sobre dízimos em Ml 3:10 é uma das mais citadas em contextos litúrgicos e teológicos ao longo da história do cristianismo e do judaísmo.