Capítulos

Levítico
Autoria e Data de Composição
O Levítico é parte do Pentateuco e, pela tradição judaica e cristã, sua autoria é atribuída a Moisés. O livro seria resultado de revelação direta de Deus a Moisés no Monte Sinai e na Tenda do Encontro, com composição datada no século 15 ou 13 a.C.
A crítica histórica classifica Levítico quase inteiramente como produto da fonte sacerdotal (P), segundo a hipótese documental de Wellhausen. Estudiosos dessa corrente datam a redação final do material sacerdotal entre os séculos 6 e 5 a.C., durante ou após o exílio babilônico, quando os sacerdotes hebreus teriam sistematizado as leis cultuais de Israel. Alguns pesquisadores argumentam que parte do material pode ser mais antigo, mas a forma escrita final teria sido fixada nesse período.
Manuscritos
Data: Séculos 3 a 1 a.C. (Qumran) e século 5 d.C. (Ein Gedi)
Dezessete manuscritos fragmentários de Levítico foram identificados entre os Manuscritos do Mar Morto em Qumran, datando dos séculos 3 ao 1 a.C. Em 1970, um pergaminho carbonizado foi escavado em uma antiga sinagoga em Ein Gedi. Datação por radiocarbono o situa nos séculos 3 a 4 d.C. (intervalo 210–390 d.C. com 88,9% de confiança), embora alguns paleógrafos proponham data anterior. Estudos com tomografia computadorizada publicados em 2016 identificaram passagens dos capítulos 1 e 2 de Levítico (Lv 1:1–2:11), tornando-o o mais antigo trecho da Torá descoberto fora dos manuscritos do Mar Morto.
Eventos do Livro
Sacrifícios e Ofertas

- Lei do holocausto: oferta inteiramente queimada em honra a Deus — (Lv 1:1)
- Lei da oferta de manjares (cereal) — (Lv 2:1)
- Lei das ofertas pacíficas (de comunhão) — (Lv 3:1)
- Ofertas pelo pecado: para o sacerdote, a congregação, o líder e o povo comum — (Lv 4:1)
- Ofertas pela culpa: reparação por danos materiais e violações do sagrado — (Lv 5:14)
Consagração do Sacerdócio

Leis de Pureza

Dia da Expiação

- Ritual do Yom Kippur: o sumo sacerdote entra no Santo dos Santos e o bode expiatório é enviado ao deserto — (Lv 16:1)
Código de Santidade

- Proibição de consumir sangue: "a vida da carne está no sangue" — (Lv 17:11)
- Lei do amor ao próximo e código ético geral: "Amarás o teu próximo como a ti mesmo" — (Lv 19:1)
- Calendário das festas sagradas: Páscoa, Pentecostes, Yom Kippur, Tabernáculos — (Lv 23:1)
- Ano Sabático e Ano do Jubileu: descanso da terra e libertação de escravos e dívidas — (Lv 25:1)
- Bênçãos pela obediência e maldições pela desobediência — (Lv 26:3)
Contexto Histórico e Comparativo
Paralelos com o Antigo Oriente Médio
As leis de pureza e os rituais de sacrifício do Levítico têm paralelos em culturas vizinhas do antigo Oriente Médio: o Código de Hamurabi babilônico (c. 1754 a.C.) e textos ugaríticos apresentam listas de sacrifícios e regulamentos sacerdotais com estrutura similar. Isso mostra que Israel compartilhava um repertório ritual comum à região, embora com teologia própria.
Relevância do Código de Santidade
Os capítulos 17 a 26, frequentemente chamados de Código de Santidade, são considerados por muitos estudiosos uma coleção com origem literária independente, possivelmente mais antiga, integrada ao conjunto sacerdotal em algum momento da redação. O mandamento de amar o próximo (Lv 19:18) é citado por Jesus no Novo Testamento como síntese da Lei, evidenciando a centralidade desse texto na tradição bíblica.