Capítulos

Josué
Autoria e Data de Composição
A tradição rabínica atribui o livro ao próprio Josué, com a parte final (registrando sua morte) escrita pelo sacerdote Eleazar ou por seu filho Finéias. O próprio texto sugere que Josué escreveu pelo menos parte do conteúdo (js24:26), mas claramente não pôde ter sido o autor único.
O consenso acadêmico atual insere Josué na chamada Obra Histórica Deuteronomista (OHDtr), conjunto que abrange Deuteronômio, Josué, Juízes, Samuel e Reis. Nessa leitura, o livro teria sido compilado e editado entre o período do rei Josias (640 a 609 a.C.) e o exílio babilônico (século 6 a.C.), a partir de fontes e tradições anteriores. Não há consenso sobre quantas camadas de redação existem nem sobre a identidade dos redatores deuteronomistas responsáveis pela forma final do texto.
Manuscritos
Data: Fragmentos de Qumran datados de cerca de 150 a.C. a 70 d.C.
Fragmentos do livro de Josué foram encontrados entre os Manuscritos do Mar Morto, nas cavernas de Qumran. O texto hebraico de Qumran apresenta variações em relação ao Texto Massorético, e a Septuaginta (LXX) grega também difere em pontos estruturais, indicando que mais de uma tradição textual circulou na Antiguidade. Esses dados são relevantes para a crítica textual, mas não alteram os eventos centrais narrados.
Eventos do Livro
Preparação e Travessia do Jordão

- Deus comissiona Josué como sucessor de Moisés — (Js 1:1)
- Os dois espias enviados a Jericó e a aliança com Raabe — (Js 2:1)
- Travessia milagrosa do rio Jordão (as águas se detêm) — (Js 3:14)
- Doze pedras memorial erguidas em Gilgal — (Js 4:1)
- Encontro de Josué com o comandante do exército do Senhor — (Js 5:13)
Conquista de Canaã

- Queda das muralhas de Jericó (sete dias de procissão) — (Js 6:1)
- Pecado de Acã e derrota em Ai — (Js 7:1)
- Conquista de Ai por emboscada — (Js 8:1)
- Aliança enganosa com os gibeonitas — (Js 9:1)
- Batalha de Gibeão: o sol e a lua param (vitória sobre os reis do sul) — (Js 10:12)
- Campanha contra os reis do norte e destruição de Hazor — (Js 11:1)
Divisão da Terra entre as Tribos

Renovação da Aliança e Morte de Josué

- Último discurso de Josué: exortação à fidelidade — (Js 23:1)
- Renovação da aliança em Siquém ("Quanto a mim e à minha casa, serviremos ao Senhor") — (Js 24:1)
- Morte e sepultamento de Josué — (Js 24:29)
Evidências Históricas e Arqueológicas
Jericó
A escavação de Jericó (Tell es-Sultan) é um dos casos mais debatidos da arqueologia bíblica. Kathleen Kenyon, nos anos 1950, concluiu que a cidade estava desabitada ou sem muralhas no período comumente associado ao êxodo (século 13 a.C.). Alguns pesquisadores, como Bryant Wood, questionam a datação de Kenyon e propõem que as evidências se alinham melhor com uma cronologia mais alta (século 15 a.C.). O debate permanece aberto; não há confirmação arqueológica conclusiva da conquista descrita em Josué 6.
Hazor
Hazor (Tell el-Qedah), no norte de Israel, mostra evidências de uma destruição violenta por volta do século 13 a.C., o que alguns arqueólogos relacionam à narrativa de Josué 11. Porém, a identidade dos destruidores e a cronologia exata continuam disputadas.
Paralelos com o Cânon
Josué é citado ou pressuposto em vários livros posteriores. A divisão das tribos serve de base geográfica para Juízes, Samuel e Reis. O discurso de renovação da aliança em Siquém (js24) ecoa a estrutura dos tratados do antigo Oriente Próximo, o que é reconhecido tanto por estudiosos conservadores quanto críticos como um indício de antiguidade do material.