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História de José, o Carpinteiro

Autoria e Data de Composição

A História de José, o Carpinteiro é uma obra cristã anônima, ligada ao Egito copta. A datação é debatida: a maioria dos estudiosos situa a redação entre os séculos IV e VII. Há divergência sobre a língua original. Parte dos especialistas defende que foi escrita em copta saídico, com base em citações bíblicas e traços linguísticos; outros propõem um original grego perdido, redigido no Egito bizantino e conhecido só por traduções. A obra se apresenta como uma narração feita pelo próprio Jesus aos apóstolos, sentado no Monte das Oliveiras.

Conteúdo Principal

Diferente dos outros evangelhos da infância, o foco aqui não é o menino Jesus, mas a figura de José. A primeira parte resume sua vida, seguindo de perto o Protoevangelho de Tiago, e a segunda, mais longa, descreve em detalhe sua velhice e sua morte aos cento e onze anos. O relato da morte ocupa cerca de metade da obra. Esta tradução segue a edição inglesa baseada no texto copta e árabe.

José viúvo e os irmãos de Jesus

A obra apresenta José como um homem já idoso e viúvo ao receber Maria, pai de filhos de um casamento anterior. Segundo o texto, ele teria por volta de noventa anos nesse momento. Essa solução, herdada do Protoevangelho de Tiago, explica os irmãos de Jesus mencionados nos evangelhos como filhos de José, e não de Maria, preservando a virgindade dela. A longevidade atribuída a José, cento e onze anos, reforça a imagem de um patriarca ao estilo do Antigo Testamento.

A morte de José e o culto a São José

O coração da obra é o relato da morte de José, narrado com rara minúcia: a agonia, o medo do juízo, a oração, a chegada de Miguel e Gabriel e a viagem da alma. Jesus o assiste e ora por ele. Esse material fez da obra o principal texto antigo sobre o fim de José e alimentou seu culto litúrgico no Egito copta, onde se associou sua memória a uma festa no calendário. Da imagem de quem morre amparado por Jesus e Maria nasceu, na devoção posterior, a figura de José como modelo da boa morte e padroeiro dos moribundos.

A morte, Enoque e Elias

O fim da obra abre uma reflexão sobre a morte. Os apóstolos perguntam por que José, tão justo, não foi poupado de morrer, e Jesus responde ligando a morte à transgressão de Adão e afirmando que todos os homens passarão por ela. A exceção apontada são Enoque e Elias, tomados sem morrer, que retornarão nos últimos tempos para enfrentar o Anticristo e então também morrerão. Esse trecho aproxima a obra da literatura apocalíptica e do tema da volta dos dois profetas.

Recepção e manuscritos

A obra teve grande circulação no cristianismo oriental, sobretudo no Egito copta, e influência menor no Ocidente. Sobrevive em copta, nas duas variantes da língua, saídico e boaírico, e em árabe, sendo a forma árabe a que mais circulou. Os testemunhos coptas vêm em parte de coleções monásticas do Egito, e as edições críticas modernas reconstroem o texto a partir desses manuscritos, que apresentam variações entre si. A Igreja nunca a reconheceu como canônica, mas o seu material sobre a morte de José passou para a devoção e ajudou a moldar a figura litúrgica do santo.