Capítulos

História de José, o Carpinteiro
Autoria e Data de Composição
A História de José, o Carpinteiro é uma obra cristã anônima, ligada ao Egito copta. A datação é debatida: a maioria dos estudiosos situa a redação entre os séculos IV e VII. Há divergência sobre a língua original. Parte dos especialistas defende que foi escrita em copta saídico, com base em citações bíblicas e traços linguísticos; outros propõem um original grego perdido, redigido no Egito bizantino e conhecido só por traduções. A obra se apresenta como uma narração feita pelo próprio Jesus aos apóstolos, sentado no Monte das Oliveiras.
Conteúdo Principal
Diferente dos outros evangelhos da infância, o foco aqui não é o menino Jesus, mas a figura de José. A primeira parte resume sua vida, seguindo de perto o Protoevangelho de Tiago, e a segunda, mais longa, descreve em detalhe sua velhice e sua morte aos cento e onze anos. O relato da morte ocupa cerca de metade da obra. Esta tradução segue a edição inglesa baseada no texto copta e árabe.
- Jesus, sentado no Monte das Oliveiras, começa a narrar aos apóstolos a história de seu pai adotivo — (História de José, o Carpinteiro 1)
- A genealogia de José, descendente de Belém, viúvo com filhos do primeiro casamento — (História de José, o Carpinteiro 2)
- José é escolhido por sorteio entre os anciãos para receber Maria sob sua guarda — (História de José, o Carpinteiro 4)
- José alcança idade muito avançada com pleno vigor, sem que a velhice o debilite — (História de José, o Carpinteiro 10)
- Os filhos de José, suas famílias e a vida de Jesus na casa — (História de José, o Carpinteiro 11)
- A morte se aproxima de José e ele ora no templo — (História de José, o Carpinteiro 12)
- Diante da morte e do juízo de Deus, José se lamenta e teme o destino da sua alma — (História de José, o Carpinteiro 16)
- Jesus vela junto ao leito de José em seus últimos momentos — (História de José, o Carpinteiro 19)
- Jesus repele a Morte e a Geena que vinham buscar a alma de José — (História de José, o Carpinteiro 21)
- Miguel e Gabriel conduzem a alma de José ao lugar dos piedosos — (História de José, o Carpinteiro 23)
- Jesus promete bênçãos a quem honrar a memória de José — (História de José, o Carpinteiro 26)
- Jesus discorre sobre a origem da morte e a transgressão de Adão — (História de José, o Carpinteiro 28)
- Os apóstolos perguntam por que José não foi poupado da morte como Enoque e Elias — (História de José, o Carpinteiro 30)
- Enoque e Elias retornarão nos últimos tempos para enfrentar o Anticristo — (História de José, o Carpinteiro 32)
A vida de José
A morte de José
O sepultamento e o ensino sobre a morte
José viúvo e os irmãos de Jesus
A obra apresenta José como um homem já idoso e viúvo ao receber Maria, pai de filhos de um casamento anterior. Segundo o texto, ele teria por volta de noventa anos nesse momento. Essa solução, herdada do Protoevangelho de Tiago, explica os irmãos de Jesus mencionados nos evangelhos como filhos de José, e não de Maria, preservando a virgindade dela. A longevidade atribuída a José, cento e onze anos, reforça a imagem de um patriarca ao estilo do Antigo Testamento.
A morte de José e o culto a São José
O coração da obra é o relato da morte de José, narrado com rara minúcia: a agonia, o medo do juízo, a oração, a chegada de Miguel e Gabriel e a viagem da alma. Jesus o assiste e ora por ele. Esse material fez da obra o principal texto antigo sobre o fim de José e alimentou seu culto litúrgico no Egito copta, onde se associou sua memória a uma festa no calendário. Da imagem de quem morre amparado por Jesus e Maria nasceu, na devoção posterior, a figura de José como modelo da boa morte e padroeiro dos moribundos.
A morte, Enoque e Elias
O fim da obra abre uma reflexão sobre a morte. Os apóstolos perguntam por que José, tão justo, não foi poupado de morrer, e Jesus responde ligando a morte à transgressão de Adão e afirmando que todos os homens passarão por ela. A exceção apontada são Enoque e Elias, tomados sem morrer, que retornarão nos últimos tempos para enfrentar o Anticristo e então também morrerão. Esse trecho aproxima a obra da literatura apocalíptica e do tema da volta dos dois profetas.
Recepção e manuscritos
A obra teve grande circulação no cristianismo oriental, sobretudo no Egito copta, e influência menor no Ocidente. Sobrevive em copta, nas duas variantes da língua, saídico e boaírico, e em árabe, sendo a forma árabe a que mais circulou. Os testemunhos coptas vêm em parte de coleções monásticas do Egito, e as edições críticas modernas reconstroem o texto a partir desses manuscritos, que apresentam variações entre si. A Igreja nunca a reconheceu como canônica, mas o seu material sobre a morte de José passou para a devoção e ajudou a moldar a figura litúrgica do santo.