História de José, o Carpinteiro 28
Obra copta do Egito (séc. IV-VII) em que o próprio Jesus narra aos apóstolos a vida e sobretudo a morte de José aos cento e onze anos: sua velhice, a agonia, o medo do juízo, a viagem da alma conduzida por Miguel e Gabriel e o consolo dado por Jesus. É o texto-base do culto a São José e de sua festa litúrgica
Jesus discorre sobre a origem da morte e a transgressão de Adão
Ó Morte! Que fazes todo conhecimento desaparecer e provocas tantas lágrimas e lamentações, com certeza foi o próprio Deus, meu Pai, quem te concedeu esse poder. Pois os homens morrem por causa da transgressão de Adão e de sua mulher Eva, e a Morte não poupa sequer um.
Ainda assim, nada acontece a ninguém, nem lhe sobrevém, sem o comando de meu Pai. Houve certamente homens que prolongaram a vida até mesmo por novecentos anos; mas morreram. E ainda que alguns deles tenham vivido mais tempo, sucumbiram, no entanto, ao mesmo destino; nem jamais algum deles disse: Eu não provei a morte.
Pois o Senhor nunca envia o mesmo castigo mais de uma vez, já que aprouve a meu Pai trazer isso sobre os homens. E no exato momento em que ela, saindo, contempla o comando descendo a ela do céu, diz: Sairei contra aquele homem e o abalarei profundamente.
Então, sem demora, ela investe contra a alma e obtém o domínio sobre ela, fazendo com ela o que quiser. Pois, porque Adão não fez a vontade de meu Pai, mas transgrediu o seu mandamento, a ira de meu Pai se acendeu contra ele, e Ele o condenou à morte; e foi assim que a morte veio ao mundo.
Mas se Adão tivesse observado os preceitos de meu Pai, a morte jamais lhe teria cabido em sorte. Pensais que eu posso pedir ao meu bom Pai que me envie um carro de fogo, que tome o corpo de meu pai José e o leve ao lugar de descanso, para que habite com os espíritos?
Mas por causa da transgressão de Adão, essa aflição e violência da morte desceu sobre toda a raça humana. E por essa causa eu devo morrer segundo a carne, por minha obra que criei, para que alcancem a graça.