História de José, o Carpinteiro 16

Obra copta do Egito (séc. IV-VII) em que o próprio Jesus narra aos apóstolos a vida e sobretudo a morte de José aos cento e onze anos: sua velhice, a agonia, o medo do juízo, a viagem da alma conduzida por Miguel e Gabriel e o consolo dado por Jesus. É o texto-base do culto a São José e de sua festa litúrgica

O lamento de José diante da morte e do juízo de Deus

Ai do dia em que nasci para o mundo! Ai do ventre que me gerou! Ai das entranhas que me receberam! Ai dos seios que me amamentaram! Ai dos pés sobre os quais me sentei e descansei! Ai das mãos que me carregaram e me criaram até eu crescer!
Pois fui concebido na iniquidade, e em pecados minha mãe me desejou.
Ai da minha língua e dos meus lábios, que produziram e proferiram vaidade, calúnia, mentira, ignorância, escárnio, histórias vãs, astúcia e hipocrisia! Ai dos meus olhos, que contemplaram coisas escandalosas! Ai dos meus ouvidos, que se deleitaram nas palavras dos difamadores!
Ai das minhas mãos, que se apoderaram do que por direito não lhes pertencia! Ai do meu estômago e das minhas entranhas, que cobiçaram alimentos que não era lícito comer! Ai da minha garganta, que, como um fogo, consumiu tudo o que encontrava! Ai dos meus pés, que tantas vezes caminharam por caminhos desagradáveis a Deus!
Ai do meu corpo; e ai da minha alma miserável, que se desviou de Deus, seu Criador!
Que farei quando chegar àquele lugar onde devo me apresentar diante do mais justo Juiz, e quando ele me chamar a prestar contas das obras que acumulei na minha juventude? Ai de todo homem que morre em seus pecados!
Sem dúvida, aquela mesma hora terrível que sobreveio ao meu pai Jacó, quando a sua alma se separava do seu corpo, está agora, eis que, próxima de mim.
Oh! Como sou infeliz neste dia, e digno de lamentação! Mas Deus dispõe da minha alma e do meu corpo; ele também agirá com eles segundo a sua própria boa vontade.