Capítulos

Confissões - Livro I

Autoria e Data de Composição

Agostinho de Hipona (354-430), bispo no norte da África romana, escreveu as Confissões por volta de 397-401, em latim, distribuídas em treze livros. É a primeira grande autobiografia espiritual do Ocidente e serviu de modelo para autores cristãos por toda a Idade Média. A obra inteira é dirigida a Deus em forma de oração: Agostinho não narra apenas a própria vida, ele a confessa, alternando relato, exame de consciência e louvor. Os nove primeiros livros são autobiográficos; os quatro últimos são mais filosóficos e voltados à exegese do Gênesis.

O Livro I nas Confissões

O Livro I cobre os primeiros anos: a infância, a meninice e a escola. Agostinho parte da invocação a Deus e da inquietude do coração humano, passa ao que pode reconstruir de sua primeira idade (que não recorda, mas observa em outras crianças) e chega aos anos de formação. Nesses anos ele relata o aprendizado da fala, os castigos escolares, a leitura dos poetas latinos e um juízo crítico sobre a literatura pagã, que considera bela na forma e perigosa no conteúdo. É o ponto de partida do arco que, ao longo dos livros seguintes, leva da juventude desregrada à conversão e ao batismo.

Conteúdo do Livro

    Invocação e busca de Deus

  • A grandeza de Deus e a inquietude do homem: o coração só descansa em Deus.(Confissões - Livro I 1)
  • Como invocar a Deus se ele já está presente: Deus não está contido no que criou.(Confissões - Livro I 2)
  • Deus enche todas as coisas sem ser dividido nem contido por elas.(Confissões - Livro I 3)
  • Os atributos paradoxais de Deus: imutável e renovador de tudo, oculto e sempre presente.(Confissões - Livro I 4)
  • Pedido de perdão e de purificação para receber a Deus na alma estreitada pelo pecado.(Confissões - Livro I 5)
  • A infância

  • A primeira idade: não recorda como veio a existir, alimentava-se do leite materno e aprendia os gestos da infância.(Confissões - Livro I 6)
  • O pecado já presente na criança de peito: o ciúme e a cobiça antes do uso da razão.(Confissões - Livro I 7)
  • A passagem da infância à meninice e o aprendizado da fala pela observação e pela imitação.(Confissões - Livro I 8)
  • A escola e os estudos

  • O medo dos castigos na escola e as súplicas a Deus para não ser açoitado, das quais os adultos riam.(Confissões - Livro I 9)
  • O gosto pelos jogos e espetáculos no lugar dos estudos, e a falta nascida desse desvio.(Confissões - Livro I 10)
  • A doença grave na infância, o pedido de batismo e o adiamento da cerimônia.(Confissões - Livro I 11)
  • O estudo forçado que, contra a própria vontade, acabou sendo útil para o seu bem.(Confissões - Livro I 12)
  • A literatura pagã e seu juízo

  • O amor pelas letras latinas e pela Eneida: o pranto por Dido e a indiferença pela própria perdição.(Confissões - Livro I 13)
  • A aversão ao grego e a dificuldade da língua imposta frente ao prazer da leitura livre.(Confissões - Livro I 14)
  • Oração para que o que aprendeu sirva agora ao louvor de Deus e ao bom uso da palavra.(Confissões - Livro I 15)
  • Crítica às fábulas dos deuses (Júpiter adúltero) usadas como modelo de eloquência e de licença moral.(Confissões - Livro I 16)
  • O exercício retórico de declamar o discurso irado de Juno, premiado entre os colegas.(Confissões - Livro I 17)
  • O cuidado com as regras da gramática e da pronúncia enquanto se desprezam as leis de Deus.(Confissões - Livro I 18)
  • Pecados da meninice e ação de graças

  • As faltas de menino: mentiras, furtos de casa, trapaças nos jogos e o desejo de vencer e ser louvado.(Confissões - Livro I 19)
  • Ação de graças pelos dons recebidos na infância: existir, sentir, viver, e a busca da verdade neles.(Confissões - Livro I 20)

Texto e Tradução

O texto-base é o latim das Confessiones, fixado pelas edições críticas clássicas e aqui apresentado em português. A citação tradicional segue livro, capítulo e parágrafo (por exemplo, Confissões I, seguido do número do parágrafo), divisão que este índice acompanha ao agrupar os capítulos por seus parágrafos.