Capítulos

Ética a Nicômaco - Livro VIII

A amizade: seus três tipos (por utilidade, por prazer e por virtude) e seu lugar na vida boa

Sobre a obra

A Ética a Nicômaco é a principal obra de Aristóteles (384 a 322 a.C.) sobre a vida moral. Investiga o que é a felicidade e como o ser humano atinge o bem viver pela prática das virtudes. A obra tem dez livros. Este é o Livro VIII.

O que este livro discute

Os Livros VIII e IX tratam da amizade (philia), que Aristóteles considera essencial à vida boa. Ele distingue três tipos. A amizade por utilidade baseia-se no proveito mútuo. A amizade por prazer baseia-se no que é agradável. A amizade por virtude, ou perfeita, ocorre entre pessoas boas que se querem bem uma à outra por elas mesmas. Só a terceira é plena e duradoura. O livro trata ainda da amizade entre desiguais, como pais e filhos ou governantes e governados, e da relação entre amizade e justiça.

Relevância para a fé cristã

Este é um dos pontos de maior influência sobre a teologia cristã. Tomás de Aquino define a caridade, a maior das virtudes, como uma amizade com Deus (caritas amicitia Dei, na Suma Teológica), usando diretamente a análise aristotélica da philia: benevolência mútua, comunhão, querer o bem do outro por ele mesmo. Aelredo de Rievaulx escreveu A Amizade Espiritual, que cristianiza a tradição clássica da amizade (sua base direta é Cícero, Da Amizade). Cabe ressalva honesta. A amizade perfeita de Aristóteles é entre iguais, virtuosos e poucos. A amizade com Deus que o cristianismo propõe pressupõe a iniciativa graciosa de Deus, que se rebaixa ao desigual, e o mandamento de amar até o inimigo, algo que a amizade aristotélica, fundada na semelhança e no mérito, não alcança.

Para a abertura do livro sobre a amizade, ver:

(Ética a Nicômaco - Livro VIII 1:1)