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Ética a Nicômaco - Livro VI

As virtudes intelectuais: ciência, arte, prudência (phronesis), intelecto e sabedoria

Sobre a obra

A Ética a Nicômaco é o principal tratado de moral de Aristóteles (384 a 322 a.C.), filósofo grego discípulo de Platão. A obra investiga o que é a vida boa e como a virtude conduz à felicidade. São dez livros ao todo. Este é o Livro VI. Vale notar que ele é um dos "livros comuns": o texto dos Livros V, VI e VII coincide com os da Ética a Eudemo, e há debate entre os estudiosos sobre a qual das duas obras pertencem originalmente.

O que este livro discute

Depois de tratar das virtudes do caráter, Aristóteles passa às virtudes intelectuais, as excelências da parte racional da alma. Ele distingue cinco. A ciência (epistēmē) é o conhecimento do que é necessário e pode ser demonstrado. A arte ou técnica (technē) é o saber fazer, ligado à produção. A prudência (phronesis) é a sabedoria prática, o saber deliberar bem sobre o que se deve fazer em cada situação concreta.

As duas formas mais altas fecham a lista. O intelecto (nous) é a apreensão direta dos primeiros princípios, aquilo que não se demonstra mas se capta. A sabedoria (sophia) é o saber mais elevado, que une ciência e intelecto sobre as coisas mais altas. Entre todas, a prudência ocupa um lugar central: é ela que liga o conhecimento à ação e governa as virtudes morais, dirigindo a conduta para o fim certo.

Relevância para a fé cristã

A prudência é uma das quatro virtudes cardeais. Com base aristotélica, Tomás de Aquino a define como a "reta razão do agir" (recta ratio agibilium), a virtude que dirige todas as outras. A distinção entre sabedoria teórica e prudência prática moldou a teologia moral cristã por séculos.

É preciso ressalva honesta. A sophia de Aristóteles contempla o divino impessoal pela razão natural. A tradição cristã acrescenta o que Aristóteles não conhece: a como virtude intelectual infusa, e a sabedoria como dom do Espírito Santo, que não se adquire pelo estudo, mas se recebe pela graça.

Para a abertura do livro sobre as virtudes da razão, ver:

(Ética a Nicômaco - Livro VI 1:1)