Ética a Nicômaco - Livro VI 4

As virtudes intelectuais: ciência, arte, prudência (phronesis), intelecto e sabedoria

A arte (technē): uma capacidade racional de produzir

No campo das coisas que podem ser de outro modo estão tanto as coisas que se fazem quanto as coisas que se agem. Fazer e agir são diferentes (podemos confiar no que se diz sobre isso até fora da nossa escola). Por isso, a disposição racional de saber agir é diferente da disposição racional de saber fazer.
Por isso também uma não está contida na outra, pois agir não é fazer, nem fazer é agir.
Ora, a arquitetura é uma arte e é, em essência, uma disposição racional capaz de produzir. Não existe nenhuma arte que não seja uma disposição desse tipo, nem nenhuma disposição desse tipo que não seja uma arte. Então a arte é o mesmo que uma disposição capaz de produzir guiada por um raciocínio verdadeiro.
Toda arte tem a ver com fazer algo vir a existir, ou seja, com idealizar e examinar como pode surgir algo que tanto pode existir quanto não existir, e cuja origem está em quem produz e não na coisa produzida. A arte não trata das coisas que existem ou surgem por necessidade, nem das que surgem segundo a natureza (porque essas têm em si mesmas a sua própria origem).
Como fazer e agir são diferentes, a arte é necessariamente uma questão de fazer, não de agir.
E, em certo sentido, o acaso e a arte tratam dos mesmos objetos. Como diz Agatão: a arte ama o acaso e o acaso ama a arte.
A arte, então, como foi dito, é uma disposição voltada para produzir, guiada por um raciocínio verdadeiro. A falta de arte, ao contrário, é uma disposição voltada para produzir, mas guiada por um raciocínio falso. As duas tratam das coisas que podem ser de outro modo.