Ética a Nicômaco - Livro VI 3
As virtudes intelectuais: ciência, arte, prudência (phronesis), intelecto e sabedoria
Os cinco estados pelos quais a alma alcança a verdade, e a definição de ciência
Comecemos, então, do início, e analisemos de novo esses estados da alma. Vamos partir do seguinte: os estados pelos quais a alma alcança a verdade, afirmando ou negando, são cinco: a arte (technē), a ciência (epistēmē), a prudência (phronesis), a sabedoria (sophia) e o intelecto (nous). Não incluímos o juízo nem a opinião, porque neles podemos errar.
Agora, o que é exatamente a ciência, se quisermos falar com precisão e não nos contentar com semelhanças aproximadas, fica claro pelo que segue. Todos nós supomos que aquilo que conhecemos não pode ser de outro modo. Quanto às coisas que podem ser de outro modo, quando elas saem do nosso campo de observação, já não sabemos se existem ou não.
Portanto, o objeto da ciência é algo necessário. Logo, é eterno, pois tudo o que é necessário em sentido absoluto é eterno, e o que é eterno não foi gerado e não perece.
Além disso, considera-se que toda ciência pode ser ensinada, e que seu objeto pode ser aprendido. E todo ensino parte daquilo que já é conhecido, como afirmamos também nos Analíticos, pois ele avança ora pela indução, ora pelo silogismo.
Ora, a indução é o ponto de partida que o conhecimento até do universal pressupõe, enquanto o silogismo parte dos universais. Existem, então, pontos de partida dos quais o silogismo parte e que não são alcançados pelo próprio silogismo. Por isso, é pela indução que os adquirimos.
A ciência é, portanto, uma capacidade estável de demonstrar, e tem ainda as outras características que definimos nos Analíticos. Pois um homem só tem ciência quando acredita de certo modo e quando os pontos de partida lhe são conhecidos. Se eles não forem mais bem conhecidos para ele do que a conclusão, ele terá esse conhecimento apenas por acaso.
Que isto fique, então, como nossa definição de ciência.