Ética a Nicômaco - Livro VI 6
As virtudes intelectuais: ciência, arte, prudência (phronesis), intelecto e sabedoria
O intelecto apreende os primeiros princípios
A ciência (epistēmē) é um julgamento sobre coisas que são universais e necessárias. As conclusões de uma demonstração, e toda ciência, partem de primeiros princípios, pois a ciência envolve apreender a razão que fundamenta cada coisa.
Sendo assim, o primeiro princípio do qual deriva aquilo que se conhece cientificamente não pode ser objeto da ciência, nem da arte (technē), nem da prudência (phronesis). Aquilo que pode ser conhecido pela ciência pode ser demonstrado, e a arte e a prudência lidam com coisas que podem variar.
Esses primeiros princípios também não são objeto da sabedoria filosófica (sophia), pois é próprio do filósofo ter demonstração a respeito de certas coisas.
Se, então, os estados da mente pelos quais alcançamos a verdade e nunca nos enganamos, tanto sobre coisas que não variam quanto sobre coisas que variam, são a ciência, a prudência, a sabedoria filosófica e o intelecto (nous), e se não pode ser nenhum dos três (ou seja, a prudência, a ciência ou a sabedoria filosófica), a única alternativa que resta é que é o intelecto que apreende os primeiros princípios.