Capítulos

Antiguidades Judaicas - Livro VII

Livro VII: o reinado de Davi

Autor e Data de Composição

Flávio Josefo nasceu em Jerusalém por volta de 37 d.C. com o nome de José, filho de Matias. Era sacerdote e comandou as tropas da Galileia na revolta judaica contra Roma iniciada em 66. Capturou-o o general Vespasiano, a quem teria predito a ascensão ao trono imperial. Liberto e levado a Roma, tornou-se cliente da dinastia Flaviana e por isso adotou o nome Flávio. Morreu provavelmente no início do século II.

As Antiguidades Judaicas (em grego Ioudaikē archaiologia) são uma história do povo judeu em vinte livros, escrita em grego e concluída por volta de 93 ou 94 d.C., no décimo terceiro ano do imperador Domiciano. Os dez primeiros livros recontam a narrativa da Bíblia hebraica, da criação ao período persa. Os dez seguintes vão até a véspera da guerra com Roma. Josefo escreveu para um público greco-romano, com a intenção declarada de demonstrar a antiguidade e a dignidade das leis e da história judaicas.

O Livro VII na Obra

O Livro VII cobre os cerca de quarenta anos do reinado de Davi, da morte de Saul à morte do próprio Davi e à sucessão de Salomão. Acompanha de perto os relatos de 2 Samuel e de 1 Crônicas: a guerra civil contra a casa de Saul, a conquista de Jerusalém, a transferência da arca, as campanhas militares, o caso de Bate-Seba e Urias, a revolta de Absalão, o recenseamento punido com a peste e os preparativos para o Templo. É um dos retratos mais completos de Davi fora da própria Bíblia.

Conteúdo do Livro

Davi assume o reino

A arca e a promessa do Templo

  • A derrota dos filisteus que atacam Jerusalém, a transferência da arca para a cidade e o desejo de Davi de construir um templo, adiado pela palavra do profeta Natã (2Sm 5 a 7, 1Cr 13 a 17)(Antiguidades Judaicas - Livro VII 4)
  • As campanhas contra filisteus, moabitas, os reis de Sofene e de Damasco, os sírios e os idumeus, a aliança com o rei de Hamate e a bondade de Davi para com Mefibosete, filho de Jônatas (2Sm 8 e 9, 1Cr 18)(Antiguidades Judaicas - Livro VII 5)
  • A guerra contra os amonitas e seus aliados sírios, conduzida ao fim com vitória (2Sm 10 e 11, 1Cr 19)(Antiguidades Judaicas - Livro VII 6)

O pecado de Davi e suas consequências

A revolta de Absalão

  • A conspiração de Absalão, a fuga de Davi, os conselhos rivais de Aitofel e de Husai, os episódios de Sibá e de Simei e o suicídio de Aitofel (2Sm 15 a 17)(Antiguidades Judaicas - Livro VII 9)
  • A derrota do exército de Absalão, que fica preso pelos cabelos a uma árvore e é morto, e o luto de Davi pelo filho (2Sm 18)(Antiguidades Judaicas - Livro VII 10)
  • O retorno de Davi ao trono, a reconciliação com Simei e Sibá, o afeto por Berzelai, e a revolta de Sebá, na qual Amasa é morto por Joabe (2Sm 19 e 20)(Antiguidades Judaicas - Livro VII 11)

Os últimos anos de Davi

Fontes e Método

Para esta parte Josefo segue principalmente o texto bíblico, parafraseado e reorganizado. Ele harmoniza Samuel e Crônicas, racionaliza episódios e acrescenta cor helenística, num procedimento que os estudiosos chamam de "Bíblia reescrita". Tende a suavizar o que pode constranger o leitor greco-romano e a realçar as virtudes de Davi como rei e general, embora não omita o episódio de Bate-Seba nem a repreensão de Natã. Onde o texto bíblico traz números divergentes entre si, Josefo às vezes segue uma das versões e às vezes apresenta um terceiro valor, de modo que seus dados nem sempre coincidem com o Texto Massorético.

Manuscritos e Transmissão

O texto grego das Antiguidades sobrevive em manuscritos medievais. A edição crítica de referência é a de Benedikt Niese (1885 a 1895), apoiada sobretudo nos códices designados A, M e W. No Ocidente latino circulou uma tradução feita em vinte e dois livros sob a direção de Cassiodoro, em meados do século VI, que moldou a recepção medieval. A tradução inglesa clássica, base da versão usada aqui, é a de William Whiston, de 1737.

Valor Histórico e Cautelas

Para o período de Davi, Josefo não é fonte independente da Bíblia: ele a reconta. Seu valor está menos nos fatos e mais no testemunho que dá de como o judaísmo do fim do Segundo Templo lia e interpretava a figura de Davi, e na forma como Josefo apresenta essa história a um público romano. A leitura exige cautela com o programa apologético do autor e com suas divergências numéricas em relação ao texto bíblico. Para o reinado de Davi não há, até hoje, confirmação arqueológica direta da maioria dos episódios, ainda que a estela de Tel Dan, do século IX a.C., mencione a "casa de Davi" e ateste a existência de uma dinastia davídica.