Capítulos

Ética a Nicômaco - Livro VII

Continência e incontinência (akrasia): por que se conhece o certo e mesmo assim se age errado, e a natureza do prazer

Sobre a obra

Ética a Nicômaco é o principal tratado de filosofia moral de Aristóteles (384 a 322 a.C.), filósofo grego discípulo de Platão. A obra investiga em que consiste a vida boa e como o ser humano alcança a felicidade pela prática da virtude. O título remete a Nicômaco, nome do pai e também do filho de Aristóteles.

A obra tem dez livros. Este é o Livro VII, dedicado ao autocontrole e às suas falhas.

O que este livro discute

O tema central são duas disposições: a continência, o domínio de si que resiste ao desejo, e a incontinência, em grego akrasia, a fraqueza de vontade que cede ao impulso. Aristóteles formula um problema antigo: como alguém pode saber o que é certo e mesmo assim agir errado, arrastado pelo desejo?

Para responder, ele analisa o incontinente, que conhece o bem mas cede ao impulso, e o distingue do intemperante, que age mal por princípio, sem luta interior. O incontinente erra contra o próprio juízo; o intemperante escolheu o erro. O livro discute ainda os tipos de prazer e defende a tese de que nem todo prazer é mau, contra os que condenavam o prazer por inteiro.

Relevância para a fé cristã

O problema da akrasia ecoa de perto a experiência que o apóstolo Paulo descreve em Romanos 7: não faço o bem que quero, mas o mal que não quero. Agostinho, nas Confissões, dramatiza essa vontade dividida entre querer e não conseguir. Tomás de Aquino retoma a análise aristotélica para tratar do pecado e da fraqueza humana.

Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse faço.

Romanos 7:19

É preciso ressalva honesta. Para Aristóteles a incontinência é uma falha de raciocínio e de hábito, corrigível pela boa formação do caráter. Para o cristianismo a raiz mais profunda é o pecado, uma desordem da vontade que a educação sozinha não cura, e o remédio decisivo é a graça, não apenas o treino do caráter.

Para a abertura do livro sobre a continência e a incontinência, ver:

(Ética a Nicômaco - Livro VII 1:1)