Capítulos
Atos de João
Autoria e Data de Composição
Os Atos de João são um escrito apócrifo do século II, em geral datado entre cerca de 150 e 200 d.C. A tradição antiga atribui a obra a um certo Leúcio (Leucius Charinus), figura sobre a qual quase nada se sabe. Essa atribuição vem de fontes tardias, como o patriarca Fócio no século IX, e os especialistas a tratam mais como uma classificação posterior do que como prova de autoria direta. O texto chegou até nós de forma fragmentária. O início se perdeu, e a narrativa preservada começa por volta da seção 18. As divisões em onze capítulos usadas aqui organizam o material para leitura, não correspondem a uma estrutura original fixa.
Conteúdo Principal
- João chega a Éfeso e ressuscita Cleópatra e Licomedes — (Atos de João 1)
- O retrato de João pintado por Licomedes — (Atos de João 2)
- A cura das mulheres idosas e a pregação no teatro — (Atos de João 3)
- A destruição do templo de Ártemis — (Atos de João 4)
- O jovem parricida e o episódio da perdiz — (Atos de João 5)
- Os percevejos que obedecem à ordem de João — (Atos de João 6)
- Drusiana e Calímaco — (Atos de João 7)
- A grande pregação: a dança em roda e o hino — (Atos de João 8)
- A cruz de luz e a paixão na caverna — (Atos de João 9)
- Craton, as joias e o cálice de veneno — (Atos de João 10)
- A morte de João — (Atos de João 11)
João em Éfeso
Milagres e Sinais
O Núcleo Doutrinário
Últimos Dias e Morte
Cristologia Docética
A marca teológica mais forte dos Atos de João é o docetismo, a ideia de que Cristo apenas parecia ter um corpo material e não sofreu de fato na carne. A cena central está na chamada "cruz de luz" e na paixão na caverna (seções 97 a 101). Enquanto a multidão pensa estar crucificando Jesus, o próprio Cristo aparece a João num monte e declara não estar sofrendo na cruz. A obra também descreve a polimorfiade Cristo, que se mostra sob várias formas a diferentes pessoas. Antes disso, na seção 94 a 96, vem a "dança em roda", um hino em que os discípulos respondem em coro ao redor de Jesus. Vale lembrar que esse docetismo é teologia tardia, do século II, e não uma memória histórica concorrente sobre os fatos da vida de Jesus.
Recepção e Condenação
Os Atos de João nunca foram aceitos no cânon cristão. A obra apresenta também tendências encratitas, com forte valorização da renúncia sexual e da abstinência. Por causa de sua cristologia, o texto foi condenado no Segundo Concílio de Niceia, em 787. Nesse contexto, a obra havia sido citada antes por defensores da destruição de imagens, e o concílio que restaurou o uso dos ícones rejeitou tanto o escrito quanto seu uso iconoclasta. Apesar de marginal para a fé das igrejas, o texto é uma fonte importante para entender a diversidade dos primeiros séculos cristãos e a circulação de ideias docéticas no século II.