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Evangelho da Natividade de Maria
Autoria e Data de Composição
O Evangelho da Natividade de Maria (em latim, Liber de Nativitate Mariae) é uma obra latina sobre a origem e a infância de Maria. Em vários manuscritos vinha acompanhada de cartas que a atribuíam a Jerônimo, mas essa atribuição é tida como falsa pela crítica, e o autor real é desconhecido. A datação é debatida, mas a posição mais comum situa a obra por volta do século IX, quando passou a circular como texto independente. Na prática, ela é uma reescrita da primeira parte do Evangelho do Pseudo-Mateus, mais curta, ordenada e sóbria.
Conteúdo Principal
A obra cobre apenas o ciclo de Maria: a piedade de Joaquim e Ana e a falta de filhos, o anúncio angélico, o nascimento de Maria, a infância no templo, a escolha de José como esposo e a anunciação, encerrando no nascimento de Jesus em Belém. Esta tradução segue a edição latina de Constantin von Tischendorf.
- A origem e a piedade de Joaquim e Ana, e a divisão de seus bens entre o templo, os pobres e a casa — (Evangelho da Natividade de Maria 1)
- Joaquim é rejeitado pelo sumo sacerdote por não ter filhos e se retira envergonhado — (Evangelho da Natividade de Maria 2)
- Um anjo do Senhor anuncia a Joaquim que Ana dará à luz uma filha consagrada a Deus — (Evangelho da Natividade de Maria 3)
- O mesmo anjo aparece a Ana e lhe anuncia o nascimento de Maria — (Evangelho da Natividade de Maria 4)
- O reencontro de Joaquim e Ana e o nascimento de Maria — (Evangelho da Natividade de Maria 5)
- Aos três anos, Maria é apresentada no templo e sobe sozinha os quinze degraus — (Evangelho da Natividade de Maria 6)
- Maria deseja permanecer virgem, e o sinal da vara deve indicar quem será seu esposo — (Evangelho da Natividade de Maria 7)
- A pomba que pousa sobre a vara designa José como guardião de Maria — (Evangelho da Natividade de Maria 8)
- A anunciação do anjo Gabriel a Maria — (Evangelho da Natividade de Maria 9)
- José toma Maria por esposa e o nascimento de Jesus em Belém — (Evangelho da Natividade de Maria 10)
Joaquim e Ana, os pais de Maria
Maria no templo e a escolha do esposo
A anunciação e o nascimento de Jesus
Uma versão depurada das lendas marianas
A marca da obra é a contenção. Os prodígios mais extravagantes do Pseudo-Mateus, como os dragões e as feras que adoram o menino na fuga para o Egito, ficam de fora, e o que resta é um relato comportado da origem de Maria. Essa sobriedade, somada ao nome de Jerônimo, ajudou a obra a circular com aceitação no Ocidente latino, onde o Protoevangelho de Tiago era mais resistido. Ela se tornou um veículo respeitável das mesmas tradições, agora apresentadas de forma que a sensibilidade ocidental aceitava com mais facilidade.
Os quinze degraus do templo e os salmos graduais
Um detalhe célebre da obra é a menina Maria subindo sozinha, aos três anos, os quinze degraus do templo. O próprio texto associa esses degraus aos quinze salmos graduais, os cânticos das subidas (Salmos 120 a 134) que a tradição ligava aos degraus entre o pátio das mulheres e o pátio de Israel no templo. A cena alimentou a iconografia da Apresentação de Maria no templo, comemorada em 21 de novembro no calendário litúrgico.
Recepção e influência
Por sua sobriedade e pela autoridade emprestada de Jerônimo, a obra teve ampla difusão na Idade Média ocidental. Tradições da natividade de Maria, que ela ajudou a transmitir, foram incorporadas à Legenda Áurea de Tiago de Voragine, no século XIII, e por esse tipo de canal moldaram a pregação, a arte e a devoção marianas. Boa parte do que o catolicismo medieval e moderno conhece sobre a infância de Maria remonta a essas reescritas, ainda que a Igreja classificasse o texto como apócrifo.