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Evangelho da Natividade de Maria

Autoria e Data de Composição

O Evangelho da Natividade de Maria (em latim, Liber de Nativitate Mariae) é uma obra latina sobre a origem e a infância de Maria. Em vários manuscritos vinha acompanhada de cartas que a atribuíam a Jerônimo, mas essa atribuição é tida como falsa pela crítica, e o autor real é desconhecido. A datação é debatida, mas a posição mais comum situa a obra por volta do século IX, quando passou a circular como texto independente. Na prática, ela é uma reescrita da primeira parte do Evangelho do Pseudo-Mateus, mais curta, ordenada e sóbria.

Conteúdo Principal

A obra cobre apenas o ciclo de Maria: a piedade de Joaquim e Ana e a falta de filhos, o anúncio angélico, o nascimento de Maria, a infância no templo, a escolha de José como esposo e a anunciação, encerrando no nascimento de Jesus em Belém. Esta tradução segue a edição latina de Constantin von Tischendorf.

Uma versão depurada das lendas marianas

A marca da obra é a contenção. Os prodígios mais extravagantes do Pseudo-Mateus, como os dragões e as feras que adoram o menino na fuga para o Egito, ficam de fora, e o que resta é um relato comportado da origem de Maria. Essa sobriedade, somada ao nome de Jerônimo, ajudou a obra a circular com aceitação no Ocidente latino, onde o Protoevangelho de Tiago era mais resistido. Ela se tornou um veículo respeitável das mesmas tradições, agora apresentadas de forma que a sensibilidade ocidental aceitava com mais facilidade.

Os quinze degraus do templo e os salmos graduais

Um detalhe célebre da obra é a menina Maria subindo sozinha, aos três anos, os quinze degraus do templo. O próprio texto associa esses degraus aos quinze salmos graduais, os cânticos das subidas (Salmos 120 a 134) que a tradição ligava aos degraus entre o pátio das mulheres e o pátio de Israel no templo. A cena alimentou a iconografia da Apresentação de Maria no templo, comemorada em 21 de novembro no calendário litúrgico.

Recepção e influência

Por sua sobriedade e pela autoridade emprestada de Jerônimo, a obra teve ampla difusão na Idade Média ocidental. Tradições da natividade de Maria, que ela ajudou a transmitir, foram incorporadas à Legenda Áurea de Tiago de Voragine, no século XIII, e por esse tipo de canal moldaram a pregação, a arte e a devoção marianas. Boa parte do que o catolicismo medieval e moderno conhece sobre a infância de Maria remonta a essas reescritas, ainda que a Igreja classificasse o texto como apócrifo.