Evangelho da Natividade de Maria 6
Reescrita latina sóbria (séc. IX) da primeira parte do Pseudo-Mateus, falsamente atribuída a Jerônimo. Narra o nascimento de Maria de Joaquim e Ana, sua infância no templo e o noivado com José até a natividade de Jesus. Despojada dos prodígios mais extravagantes, foi a forma que entrou na Legenda Áurea e na devoção mariana do Ocidente
Maria, aos três anos, é apresentada no templo e sobe sozinha os quinze degraus
E quando o ciclo de três anos se completou e o tempo do seu desmame se cumpriu, levaram a virgem ao templo do Senhor com ofertas.
Ora, ao redor do templo, conforme os quinze Salmos dos Degraus, havia quinze degraus que subiam; pois, por causa de o templo ter sido construído sobre um monte, o altar do holocausto, que ficava do lado de fora, só podia ser alcançado por degraus.
Em um deles, então, os pais colocaram a menina, a Bem-aventurada Virgem Maria.
E enquanto tiravam as roupas que tinham usado na viagem e vestiam, como era costume, outras mais arrumadas e mais limpas, a virgem do Senhor subiu todos os degraus, um após o outro, sem a ajuda de ninguém que a conduzisse ou a levantasse, de tal modo que, ao menos nesse aspecto, você pensaria que ela já tinha atingido a idade adulta.
Pois já na infância da sua virgem o Senhor realizou uma grande coisa e, pela indicação desse milagre, prenunciou quão grande ela havia de ser.
Portanto, tendo sido oferecido um sacrifício segundo o costume da lei e estando cumprido o seu voto, deixaram a virgem dentro dos recintos do templo, para ali ser educada com as outras virgens, e eles mesmos retornaram para casa.