Evangelho da Natividade de Maria 4
Reescrita latina sóbria (séc. IX) da primeira parte do Pseudo-Mateus, falsamente atribuída a Jerônimo. Narra o nascimento de Maria de Joaquim e Ana, sua infância no templo e o noivado com José até a natividade de Jesus. Despojada dos prodígios mais extravagantes, foi a forma que entrou na Legenda Áurea e na devoção mariana do Ocidente
O anjo anuncia a Ana o nascimento de Maria
Depois disso, ele apareceu a Ana, sua esposa, dizendo: Não temas, Ana, nem penses que é um fantasma o que vês. Pois eu sou aquele anjo que apresentou as tuas orações e as tuas esmolas diante de Deus; e agora fui enviado a ti para te anunciar que darás à luz uma filha, que será chamada Maria, e que será bendita acima de todas as mulheres.
Ela, cheia da graça do Senhor desde o seu nascimento, permanecerá três anos na casa de seu pai, até que seja desmamada. Depois disso, sendo entregue ao serviço do Senhor, não se afastará do templo até alcançar os anos da discrição.
Ali, enfim, servindo a Deus dia e noite em jejuns e orações, ela se absterá de toda coisa impura; nunca conhecerá homem algum, mas sozinha, sem exemplo, imaculada, incorrupta, sem relação com homem, ela, uma virgem, dará à luz um filho; ela, sua serva, dará à luz o Senhor, que é, na graça, no nome e na obra, o Salvador do mundo.
Portanto, levanta-te e sobe a Jerusalém; e quando chegares ao portão que, por ser revestido de ouro, é chamado Dourado, ali, como sinal, encontrarás teu marido, com cuja segurança tens estado ansiosa. E quando essas coisas assim acontecerem, fica sabendo que o que te anuncio se cumprirá sem dúvida alguma.