Capítulos
Confissões - Livro IX
Autoria e Data de Composição
Agostinho de Hipona (354-430), bispo no norte da África romana, escreveu as Confissões em treze livros. A datação aceita pela crítica situa a obra entre 397 e 401, no início do episcopado do autor, cerca de uma década depois dos fatos narrados neste Livro IX. A obra inteira é endereçada a Deus em forma de oração e revisita a vida de Agostinho desde a infância até a conversão e a reflexão sobre as Escrituras.
O Livro IX nas Confissões
O Livro IX fecha a parte autobiográfica da obra. Depois da conversão narrada no Livro VIII, Agostinho deixa a cátedra de retórica e retira-se na casa de campo de Cassicíaco. Recebe o batismo de Ambrósio em Milão, na Páscoa de 387, junto com o filho Adeodato e o amigo Alípio, e em seguida empreende o regresso à África. No caminho, no porto de Óstia do Tibre, ocorre a conversa contemplativa com a mãe, e logo depois a morte de Mônica, aos cinquenta e seis anos, que ocupa a metade final do livro. É também aqui que Agostinho traça o retrato mais detalhado de Mônica em toda a obra.
Conteúdo do Livro
- Agradecimento a Deus pela libertação: a vontade antes presa ao prazer volta-se agora inteira para Deus, que rompeu as cadeias do autor. — (Confissões - Livro IX 1)
- A decisão de abandonar discretamente a cátedra de retórica em Milão, esperando as férias da vindima para não fazer escândalo, e a crítica à profissão de vender palavras. — (Confissões - Livro IX 2)
- A morte do amigo Verecundo, dono da casa de campo em Cassicíaco, e a de Nebrídio, ambos recordados com afeto e situados na vida eterna. — (Confissões - Livro IX 3)
- O retiro em Cassicíaco: o estudo, os diálogos filosóficos e a leitura dos Salmos, com a meditação extensa sobre o Salmo 4 e a indignação contra os maniqueus. — (Confissões - Livro IX 4)
- A dor de dente que o impede de falar e a oração que o cura, e a consulta a Ambrósio sobre que ler nas Escrituras, com a indicação do profeta Isaías. — (Confissões - Livro IX 5)
- O batismo em Milão pelas mãos de Ambrósio, junto com o filho Adeodato e o amigo Alípio, e a paz sentida diante dos cânticos da Igreja. — (Confissões - Livro IX 6)
- O conflito entre Ambrósio e a imperatriz Justina, ariana, a vigília do povo na basílica, a introdução do canto de hinos e salmos à moda oriental, e a descoberta dos corpos dos mártires Gervásio e Protásio. — (Confissões - Livro IX 7)
- A história de Mônica: a educação na infância, o hábito de provar o vinho que quase a tornou bêbada, e a serva que a corrigiu chamando-a de beberrona. — (Confissões - Livro IX 8)
- Mônica esposa: a paciência com o marido Patrício, infiel e irascível, a discrição que evitava as pancadas que outras mulheres sofriam, e a reconciliação que promovia entre desavindos. — (Confissões - Livro IX 9)
- A conversa em Óstia, à janela voltada para o jardim, em que mãe e filho, a sós, elevam-se em diálogo até tocar por um instante a Sabedoria eterna, e Mônica diz que nada mais a prende a esta vida. — (Confissões - Livro IX 10)
- A doença e a morte de Mônica poucos dias depois, aos cinquenta e seis anos, e seu pedido de que a sepultassem onde quer que fosse, lembrando-a apenas ao altar do Senhor. — (Confissões - Livro IX 11)
- O luto contido de Agostinho: a contenção das lágrimas diante dos outros, o conflito interior entre a dor natural e a fé, e o choro que enfim derrama em segredo diante de Deus. — (Confissões - Livro IX 12)
- A oração final pela alma da mãe: a súplica a Deus para que perdoe os pecados dela, o pedido de que os leitores das Confissões a recordem no altar, e o ato de confiá-la à misericórdia divina. — (Confissões - Livro IX 13)
Renúncia à retórica e retiro em Cassicíaco
Batismo e renúncia ao mundo
Retrato de Mônica
Óstia e a morte de Mônica
Texto e Tradução
O texto latino das Confessiones segue a tradição crítica padrão, com a divisão clássica em livros, capítulos e parágrafos. Aqui o latim é apresentado ao lado do português. A citação se faz por livro, capítulo e parágrafo, por exemplo Confissões IX seguido do número do parágrafo.