Capítulos

Ética a Nicômaco - Livro X

O prazer reexaminado e a felicidade como contemplação: por que a vida contemplativa é a mais elevada

Sobre a obra

A Ética a Nicômaco é a principal obra de ética de Aristóteles (384 a 322 a.C.), filósofo grego discípulo de Platão. A obra completa tem dez livros e investiga o que é a vida boa e como alcançá-la. Este é o Livro X, o último, que fecha a investigação.

O que este livro discute

O livro reexamina o prazer: o que ele é, qual seu lugar na vida boa, e enfrenta tanto os que o exaltam como o bem supremo quanto os que o condenam como mau. Aristóteles distingue prazeres conforme as atividades a que se ligam.

A obra então chega ao seu ápice: a felicidade perfeita é a contemplação, a theoria, a atividade da parte mais alta de nós, a razão, voltada para as verdades mais elevadas. A vida contemplativa é a mais autossuficiente, a mais contínua e a mais divina, superior à vida política.

No fim, Aristóteles aponta para a necessidade das leis e da educação para formar o caráter. É assim que ele liga a ética à política e prepara o terreno para sua obra seguinte.

Relevância para a fé cristã

A primazia da contemplação marcou profundamente o cristianismo. A tradição monástica e mística leu a vida contemplativa como o mais alto modo de vida. Tomás de Aquino fez da bem-aventurança final a contemplação de Deus, a visão beatífica (Suma Teológica): o homem é feliz por fim ao ver Deus face a face.

Agora vemos como por espelho, em enigma, mas então veremos face a face.

1 Coríntios 13:12

É preciso ressalva honesta. A contemplação de Aristóteles é o exercício autossuficiente da razão humana sobre o divino impessoal, alcançável nesta vida pelo sábio. A visão beatífica cristã é dom da graça, vinda do Deus pessoal, plena só na vida futura e com o corpo ressuscitado. Ela não é conquista da razão sozinha.

Para o reexame do prazer que abre o livro, ver:

(Ética a Nicômaco - Livro X 1:1)