Capítulos
Confissões - Livro IV
Autoria e Data de Composição
Agostinho de Hipona (354-430), bispo no norte da África romana, escreveu as Confissões por volta de 397 a 401. A obra tem treze livros e é tida como a primeira grande autobiografia espiritual do Ocidente. O texto inteiro é endereçado a Deus em forma de oração e alterna a narrativa da própria vida com louvor, análise filosófica e meditação sobre as Escrituras. A autoria agostiniana e a datação são firmes: o próprio Agostinho lista as Confissões nas suas Retratações, e a obra é citada por contemporâneos como Possídio, seu biógrafo.
O Livro IV nas Confissões
O Livro IV cobre os anos em que Agostinho ensinou retórica, dos 19 aos 28, ainda preso ao maniqueísmo. Concentra três fios: o flerte com a astrologia e os adivinhos, com a advertência do médico Vindiciano contra a fé nos horóscopos; a morte do amigo de infância em Tagaste e o luto que se seguiu; e a composição do tratado hoje perdido Sobre o belo e o conveniente, dedicado ao orador Hierio. No arco da obra, é o livro em que Agostinho expõe o amor às criaturas mortais como fonte de dor e o contrasta com o repouso em Deus, que não perece, preparando a virada intelectual dos livros seguintes. Ao final, relata ter lido sozinho as Categorias de Aristóteles e concluído que o saber das artes liberais, sem mestre nem fé reta, de nada servira para conhecer a Deus.
Conteúdo do Livro
- Os nove anos entre os 19 e os 28, em que Agostinho ensina retórica preso ao maniqueísmo, enganando e sendo enganado em meio às ambições públicas e às superstições — (Confissões - Livro IV 1)
- A retórica vendida a quem queria vencer causas e a união estável com uma mulher fora do casamento, que lhe deu um filho — (Confissões - Livro IV 2)
- A recusa de oferecer sacrifícios a adivinhos, mas a confiança nos astrólogos, e a advertência do médico Vindiciano contra a fé nos horóscopos — (Confissões - Livro IV 3)
- O amigo de infância em Tagaste, atraído por Agostinho ao maniqueísmo, adoece, é batizado quando inconsciente e, ao recobrar os sentidos, repreende Agostinho por zombar do batismo antes de morrer — (Confissões - Livro IV 4)
- A dor da perda e a indagação sobre por que o pranto é doce ao aflito e por que as lágrimas alimentavam o seu sofrimento — (Confissões - Livro IV 5)
- A alma tomada pela tristeza, o horror da pátria e da casa paterna, e o sentimento de ter ficado meio depois de perder aquele que era como a metade de si — (Confissões - Livro IV 6)
- A fuga de Tagaste para Cartago, onde o tempo e novas amizades aliviam aos poucos a ferida — (Confissões - Livro IV 7)
- Como conversas, leituras, prazeres comuns e novas amizades reconquistaram o seu ânimo — (Confissões - Livro IV 8)
- A diferença entre amar as criaturas em si mesmas e amá-las em Deus, que não perece, único amor que não traz perda — (Confissões - Livro IV 9)
- As coisas criadas nascem e morrem, sobem e descem, e nelas não há repouso porque não permanecem — (Confissões - Livro IV 10)
- O apelo à alma para se firmar em Deus permanente e não se gastar com o que passa, pois em Cristo o que desceu também ressuscita — (Confissões - Livro IV 11)
- A exortação a amar a Deus e ao próximo nele, voltando-se ao Criador de toda beleza, pois o Verbo se fez carne para nos curar — (Confissões - Livro IV 12)
- Por volta dos 26 ou 27 anos compõe os livros Sobre o belo e o conveniente, obra hoje perdida, movido pelo amor às formas corpóreas e dedicada ao orador romano Hierio — (Confissões - Livro IV 13)
- A admiração por Hierio, a quem nunca vira de rosto, e a pergunta sobre por que se ama um homem pela fama que outros lhe dão — (Confissões - Livro IV 14)
- A distinção entre o belo, que agrada em si, e o conveniente, que agrada por se ajustar a outra coisa, e como a sua mente material o impedia de conceber as realidades espirituais e a natureza do mal — (Confissões - Livro IV 15)
- Por volta dos 20 anos lê e entende sozinho as Categorias de Aristóteles, mas o saber das artes liberais, lido sem mestre, de nada lhe serve para conhecer a Deus, a quem aplicava de modo errado aquelas categorias — (Confissões - Livro IV 16)
O professor de retórica e a astrologia
A morte do amigo e o luto
Amor às criaturas mortais e repouso em Deus
O tratado sobre o belo e o conveniente
As Categorias de Aristóteles e o saber inútil
Texto e Tradução
O texto-base é o latim das Confessiones, fixado nas edições críticas clássicas, aqui apresentado ao lado da tradução portuguesa. A citação segue a divisão tradicional por livro, capítulo e parágrafo, de modo que cada trecho se refere como Confissões IV seguido do número do parágrafo, com a numeração correndo de 1 a 31 ao longo deste livro.