Confissões - Livro IV 9

Livro IV: os anos de professor de retórica, a morte do amigo e a astrologia

Eis o que se ama nos amigos, e de tal modo se ama que a consciência humana se julga se não amar quem a ama de volta, ou se não retribuir o amor a quem ama, nada buscando do seu corpo além das mostras de benevolência. Daí aquele luto, se alguém morre, e as trevas das dores, e, mudada a doçura em amargura, o coração ensopado, e, da vida perdida dos que morrem, a morte dos que vivem. Bem-aventurado quem vos ama, e ao amigo em Vós, e ao inimigo por causa de Vós. Pois não perde nenhum ente querido aquele para quem todos são queridos naquele que não se perde. E quem é este senão o nosso Deus, o Deus que fez o céu e a terra e os enche, porque, enchendo-os, os fez? A Vós ninguém perde, a não ser quem Vos deixa. E quem Vos deixa, para onde vai ou para onde foge senão de Vós aplacado para Vós irado? Pois onde não encontrará ele a vossa lei no seu próprio castigo? E a vossa lei é a verdade, e a verdade sois Vós.