Capítulos
Ética a Nicômaco - Livro IV
As demais virtudes do caráter: generosidade, magnificência, magnanimidade, mansidão e as virtudes do convívio
Sobre a obra
Ética a Nicômaco é o principal tratado de moral de Aristóteles (384 a 322 a.C.), filósofo grego discípulo de Platão. A obra investiga o que é a vida boa e como o caráter se forma pelo hábito. Tem dez livros ao todo. Este é o Livro IV.
O que este livro discute
O livro continua o catálogo das virtudes do caráter, cada uma como um meio-termo entre dois excessos. A generosidade é o uso certo do dinheiro, entre a avareza e o esbanjamento. A magnificência é o gasto grandioso e adequado, próprio de obras públicas e ocasiões de peso.
Vem então a magnanimidade, ou grandeza de alma: o homem que se julga digno de grandes coisas e de fato o é, ocupado sobretudo com a honra. A ela Aristóteles associa uma justa ambição, o meio-termo no desejo de honra. Fecham o livro a mansidão, o equilíbrio quanto à ira, e as virtudes do convívio social: a amabilidade no trato, a sinceridade sobre si mesmo e o bom humor.
Relevância para a fé cristã
Aqui está a tensão mais célebre entre Aristóteles e o cristianismo. A magnanimidade aristotélica descreve o homem que se acha digno de grandes honras, despreza ninharias e se julga superior aos demais. Isso parece chocar de frente com a humildade cristã, virtude central que Aristóteles sequer lista. Perto da grandeza de alma, ele só enxerga a pequenez como defeito, não a humildade como bem.
Tomás de Aquino enfrentou o problema e propôs uma harmonização. A magnanimidade olharia para a própria excelência usada com retidão; a humildade olharia para a dependência da pessoa diante de Deus. As duas conviveriam em planos distintos, sem se anular. A leitura é influente, mas não fecha o debate: muitos veem aí valores de fundo difíceis de conciliar.
É preciso uma ressalva. A escala de valores de Aristóteles é a da honra cívica grega, onde a estima dos pares é um bem alto. O Evangelho inverte parte dessa escala, com a promessa de que "os últimos serão os primeiros" e o elogio aos mansos e aos pobres de espírito. Vale ouvir os dois lados antes de decidir o quanto um sistema cabe no outro.
Para o tratamento da generosidade, que abre o livro, ver: