Lutero Mudou a Bíblia?
O que Lutero rebaixou, traduziu e moveu no cânon, e se isso conta como adulterar a Bíblia.
7 leiturasMartinho Lutero mudou a Bíblia? A acusação é antiga e voltou à internet com força, repetida sobretudo por apologistas católicos: o reformador teria rebaixado livros, removido outros e até alterado o texto para encaixá-lo na sua teologia. Algumas dessas afirmações descrevem fatos reais; outras exageram ou distorcem o que de fato aconteceu. Este tema separa um do outro.
Os fatos centrais são verificáveis. Em 1522, no prefácio do seu Novo Testamento, Lutero chamou a Epístola de Tiago de "epístola de palha" e moveu Hebreus, Tiago, Judas e Apocalipse para o fim do volume, sem numeração. Em Romanos 3:28 acrescentou a palavra "somente", que não está no grego. Em 1534 reuniu os deuterocanônicos num apêndice chamado "Apócrifos". Mas há também os recuos esquecidos: ele retirou o "de palha" das edições seguintes, nunca removeu Tiago, e em 1530 escreveu um prefácio favorável ao Apocalipse que antes desprezara.
Cada página deste tema expõe um desses episódios com as fontes e as passagens bíblicas envolvidas, distinguindo o que Lutero fez do que apenas opinou, e mostrando onde ele herdou dúvidas mais antigas que a Reforma, como a lista de livros "disputados" que Eusébio já registrara no século 4. O corpo é factual e apresenta os dois lados; onde há juízo a fazer sobre se isso "conta como adulterar a Bíblia", quem toma partido é o debate ao fim de cada página, não a narração.