Livros Deuterocanônicos

Os 7 livros que estão na Bíblia católica e não na protestante: o que são, quem decidiu, e o que diz a evidência textual.

7 leituras

Os sete livros que dividem as Bíblias

Os livros deuterocanônicos são as sete obras que aparecem na Bíblia católica e não na protestante: Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico (ou Sirácida), Baruc, 1 Macabeus e 2 Macabeus, somados aos acréscimos a Ester e a Daniel. O nome significa "do segundo cânon" e indica que entraram num momento posterior ao núcleo aceito por todas as tradições, não que valham menos para quem os recebe. Foram escritos em grande parte entre os séculos 3 e 1 a.C., na fase final do judaísmo do Segundo Templo, e cobrem desde narrativa heroica e novela piedosa até história sóbria e tratado filosófico.

A divisão entre católicos e protestantes não nasceu de um capricho moderno. Ela remonta a duas coleções antigas concorrentes: o cânon hebraico, que nunca incluiu esses livros, e a Septuaginta grega, a Bíblia dos apóstolos, que os trazia misturados aos demais. Jerônimo, tradutor da Vulgata, seguia o cânon hebraico e chamava esses livros de apócrifos; Agostinho e os concílios de Hipona e Cartago os afirmaram como Escritura. O Concílio de Trento, em 1546, definiu a posição católica de forma dogmática, em reação à Reforma; os protestantes, seguindo Lutero, os moveram para um apêndice ou os retiraram.

Este tema separa o que costuma vir embaralhado. "Deuterocanônico" não é o mesmo que "apócrifo": o primeiro está dentro da Bíblia católica, o segundo (no sentido do Evangelho de Tomé ou do Livro de Enoque) fica fora de toda Bíblia. Aqui o foco são os sete livros específicos, o que dizem, quem decidiu sobre eles e o que a evidência textual mostra, do uso na Septuaginta aos ecos no Novo Testamento, como o paralelo entre Hebreus 11:35 e o martírio de 2 Macabeus 7. Os textos estão hospedados no site, nas versões católicas, e podem ser lidos na íntegra.