Capítulos
Confissões - Livro VIII
Agostinho e as Confissões
Agostinho de Hipona (354-430), bispo no norte da África romana, escreveu as Confissões por volta de 397-401, em treze livros. É a primeira grande autobiografia espiritual do Ocidente. A obra inteira é dirigida a Deus em forma de oração, alternando narrativa, exame de consciência e meditação filosófica e teológica.
O Livro VIII nas Confissões
O Livro VIII é o ponto alto da narrativa: a conversão de Agostinho no jardim de Milão, em 386. Convencido intelectualmente da verdade católica desde os livros anteriores, ele segue preso ao hábito da carne e incapaz de decidir. O tema do livro é a conversão pela superação dessa vontade dividida. Agostinho a prepara com três exemplos: a história do retor Vitorino, contada por Simpliciano; a vida de Antão do Egito e a conversão de dois funcionários em Tréveris, contadas por Ponticiano; e enfim a cena no jardim, quando uma voz infantil repete "toma e lê" e a leitura de Romanos 13:13-14 encerra sua hesitação. Os livros seguintes tratam da retirada do magistério, da morte de Mônica e da reflexão sobre memória, tempo e Gênesis.
Conteúdo do Livro
- Já convencido da fé católica, mas ainda preso ao hábito da carne, Agostinho procura o velho Simpliciano para lhe expor o estado da própria alma. — (Confissões - Livro VIII 1)
- Simpliciano narra a conversão de Vitorino, retor famoso em Roma e tradutor dos livros platônicos, que acabou professando a fé publicamente diante da igreja. — (Confissões - Livro VIII 2)
- Reflexão sobre por que há mais alegria na alma com o que se recupera depois de perdido do que com o que nunca se perdeu. — (Confissões - Livro VIII 3)
- Por que a conversão de homens influentes como Vitorino desperta alegria especial: quanto mais notório o convertido, mais se alegram os que com ele se regozijam. — (Confissões - Livro VIII 4)
- O exemplo de Vitorino inflama Agostinho a imitá-lo, mas a vontade nova e fraca não vence a antiga: o hábito consentido virou necessidade que o prende. — (Confissões - Livro VIII 5)
- Ponticiano visita Agostinho e Alípio, fala da vida de Antão do Egito e relata a conversão súbita de dois funcionários imperiais em Tréveris, ao lerem essa vida. — (Confissões - Livro VIII 6)
- O relato faz Agostinho voltar-se para si mesmo e ver-se deformado; recorda que pedira a castidade, mas ainda não, e adia a decisão. — (Confissões - Livro VIII 7)
- Tomado pela agitação, Agostinho se retira ao jardim com Alípio e descreve o conflito da vontade, que ordena a si mesma e não se obedece. — (Confissões - Livro VIII 8)
- Por que a mente ordena ao corpo e é obedecida de imediato, mas ordena a si mesma e encontra resistência: ela quer e não quer ao mesmo tempo. — (Confissões - Livro VIII 9)
- Refutação dos maniqueus, que viam nesse conflito duas naturezas ou duas almas: é uma só vontade, dividida entre afetos contrários. — (Confissões - Livro VIII 10)
- No auge da crise, as antigas vaidades o retêm enquanto a figura da Continência o chama; Agostinho rompe em pranto sob uma figueira. — (Confissões - Livro VIII 11)
- Ouve uma voz de criança repetindo "toma e lê"; abre Paulo e cai em Romanos 13:13-14. A certeza dissipa toda dúvida. Alípio se aplica o versículo seguinte e os dois levam a nova a Mônica. — (Confissões - Livro VIII 12)
Os exemplos de conversão
O peso do hábito e o relato de Ponticiano
A vontade dividida
O "toma e lê"
Texto e Tradução
A citação tradicional é feita por livro, capítulo e parágrafo (por exemplo, Confissões VIII seguido do número do parágrafo), convenção usada na erudição agostiniana. O latim das Confessiones aparece aqui ao lado do português.