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Imitação de Cristo - Livro IV

Livro IV: a devota exortação à sagrada comunhão

Autoria e Data de Composição

A Imitação de Cristo (De Imitatione Christi) é um manual de devoção cristã em quatro livros, redigido em latim nos Países Baixos no ambiente da Devotio Moderna, o movimento de espiritualidade interior surgido em torno de Geert Grote e dos Irmãos da Vida Comum. A composição costuma situar-se entre cerca de 1418 e 1427, e o texto circulou de início anônimo, o que abriu espaço para a longa disputa sobre quem o escreveu.

A tradição majoritária atribui a obra a Tomás de Kempis (c.1380-1471), cônego agostiniano do mosteiro de Monte Santa Inês. Outras hipóteses históricas defenderam Jean Gerson (1363-1429), chanceler da Universidade de Paris, e o abade beneditino italiano Giovanni Gersen, de Vercelli. A controvérsia foi alimentada por dezenas de manuscritos atribuídos a diferentes autores, e chegaram a ser arrolados mais de quarenta candidatos, entre eles o próprio Grote. Não há prova documental que encerre o caso, embora a crítica recente tenda a confirmar Kempis como o candidato mais forte. O leitor deve tomar a atribuição a Kempis como tradicional e provável, não como certeza demonstrada.

O Livro IV na obra

Os quatro livros têm autonomia temática e nem sempre aparecem juntos nos manuscritos. Os livros I e II tratam da vida interior, da humildade e da renúncia; o III, o mais longo, é construído como diálogo entre Cristo e o discípulo sobre a consolação interior. O Livro IV é a exortação à sagrada comunhão, dedicado por inteiro à devoção ao Santíssimo Sacramento. Ele percorre, em dezoito capítulos, a disposição para receber a Eucaristia, a dignidade do Sacramento e do sacerdócio, a oferta de si mesmo, a preparação e o desejo de comungar, e a postura de fé humilde diante do mistério. Boa parte do livro alterna a voz do fiel que ora e a voz de Cristo que responde e instrui, retomando a forma de diálogo do Livro III.

Conteúdo e Ênfases

O texto pressupõe a doutrina católica da presença real e da transubstanciação: Cristo está "inteiro contido sob a pequena espécie do pão e do vinho, e é comido por quem o recebe sem que se consuma" (ver abaixo), e o sacerdócio ordenado é apresentado como condição para consagrar o Corpo de Cristo (ver abaixo). Essas afirmações tornaram-se ponto de atrito na Reforma, que rejeitou a transubstanciação e o caráter sacrificial da missa; este Livro IV é, em conteúdo, o mais explicitamente católico-romano dos quatro, ainda que a obra inteira tenha sido lida e editada também por protestantes ao longo dos séculos. O tom é ascético e interior, voltado à vida monástica mas adotado por leigos.

(Imitação de Cristo - Livro IV 2:4)

(Imitação de Cristo - Livro IV 5:1)

O fecho da obra desloca a ênfase da especulação para a fé. O último capítulo adverte contra a investigação curiosa do mistério e pede submissão do entendimento:

Caminha, portanto, com fé simples e indubitável, e com simples reverência aproxima-te do Sacramento. Tudo o que não conseguires entender, confia-o com segurança ao Deus onipotente.

Tomás de Kempis, Imitação de Cristo - Livro IV 18:4

Conteúdo do Livro

Da disposição para receber o Sacramento

Da dignidade do Sacramento e do sacerdócio

Da oferta e entrega de si mesmo

Da preparação e do desejo da comunhão

Do amor, da súplica e da fé diante do Sacramento

Texto e Tradução

Tradução em português ao lado do texto latino original (De Imitatione Christi, domínio público). A citação segue livro, capítulo e versículo.