Imitação de Cristo - Livro IV 16
Livro IV: a devota exortação à sagrada comunhão
Que devemos abrir a Cristo as nossas necessidades e pedir a sua graca
Dulcíssimo e amantíssimo Senhor, a quem agora desejo devotamente receber, Vós conheceis a minha fraqueza e a necessidade que padeço, em quantos males e vícios jazo; quão frequentemente sou oprimido, tentado, perturbado e manchado. A Vós venho em busca de remédio, a Vós suplico por consolação e alívio: falo àquele que tudo sabe, a quem são manifestas todas as minhas coisas interiores, e que só Vós podeis consolar-me e ajudar-me perfeitamente. Vós sabeis de quais bens necessito acima de todos e quão pobre sou em virtudes.
Eis que estou diante de Vós pobre e nu, pedindo a graça e implorando misericórdia: alimentai o vosso mendigo faminto, acendei a minha frieza com o fogo do vosso amor, iluminai a minha cegueira com a claridade da vossa presença. Tornai-me amargas todas as coisas terrenas, em paciência todas as coisas pesadas e contrárias, em desprezo e esquecimento todas as coisas ínfimas e criadas. Elevai o meu coração a Vós no céu, e não permitais que eu ande vagando sobre a terra. Só Vós me sejais doce desde agora até o século, porque só Vós sois o meu alimento e a minha bebida, o meu amor e a minha alegria, a minha doçura e todo o meu bem.
Oxalá me inflameis totalmente com a vossa presença, me consumais e me transformeis em Vós: para que eu me torne um só espírito convosco pela graça da união interior e pela liquefação do amor ardente. Não permitais que eu me retire de Vós faminto e árido, mas operai comigo misericordiosamente, como muitas vezes fizestes de modo admirável com os vossos Santos. Que admirável seria se eu inteiramente me inflamasse a partir de Vós e desfalecesse em mim mesmo, já que Vós sois fogo sempre ardente e que nunca se extingue, amor que purifica os corações e ilumina o entendimento.