Imitação de Cristo - Livro IV 8
Livro IV: a devota exortação à sagrada comunhão
A oferta de Cristo na Cruz, e a própria entrega
Assim como eu, de braços estendidos na cruz e de corpo nu, me ofereci espontaneamente a Deus Pai pelos teus pecados, de modo que nada em mim restou que não se convertesse totalmente em sacrifício de aplacamento divino: assim também tu deves oferecer-te a mim voluntariamente, cada dia na Missa, como oblação pura e santa, com todas as tuas forças e afeições, com quanto de íntimo fores capaz. Que mais exijo de ti, senão que te apliques a entregar-te a mim do mais profundo de ti? Tudo o que dás além de ti mesmo, em nada me importa; pois não busco o teu dom, mas a ti.
Assim como não te bastaria possuir todas as coisas, faltando-me eu, assim também não me poderá agradar coisa alguma que deres, se tu mesmo não te ofereceres. Oferece-te a mim, e dá-te todo por Deus, e será aceita a oblação. Eis que eu me ofereci todo ao Pai por ti, dei também todo o meu corpo e o meu sangue em alimento, para que eu fosse todo teu e tu permanecesses meu. Mas se permaneceres em ti mesmo, e não te ofereceres espontaneamente à minha vontade, não é plena a oblação, nem será íntegra a união entre nós. Por isso, a oblação de ti mesmo nas mãos de Deus deve preceder todas as tuas obras espontâneas, se queres alcançar a liberdade e a graça. Por isso são tão poucos os que se tornam iluminados e livres por dentro, porque não sabem renunciar inteiramente a si mesmos. Firme é a minha sentença: Quem não renunciar a tudo o que possui, não pode ser meu discípulo. Tu, pois, se desejas ser meu discípulo, oferece-te a mim com todas as tuas afeições.