Capítulos
Atos de André
Autoria e Data de Composição
Os Atos de André são uma obra apócrifa, atribuída de forma pseudônima ao círculo do apóstolo. A composição é geralmente datada do fim do século II ou do século III. O autor é desconhecido. A obra não faz parte do cânon de nenhuma igreja.
O texto original está em grande parte perdido. O que chegou até hoje vem de testemunhos parciais. O principal é o epítome latino de Gregório de Tours, do século VI, que resumiu a narrativa e suavizou pontos teológicos considerados problemáticos. Soma-se a isso o Martírio, que sobrevive em versões grega e latina, e um fragmento grego conservado em códice vaticano. Por essa razão, parte do que se lê é resumo de Gregório, e não o relato antigo na íntegra.
A obra traz um forte traço encratita, isto é, a defesa da continência e da renúncia ao casamento e à sexualidade. Esse tema move o enredo. André prega a continência a Maximila, esposa do procônsul Egeates, e é essa pregação que desencadeia o conflito e o martírio. A tradição diz que o apóstolo foi crucificado em Patras.
Convém um cuidado com detalhes muito difundidos. A famosa cruz de Santo André, em forma de X (a cruz decussata), é um acréscimo medieval tardio. Ela aparece na arte por volta dos séculos X a XIV e só se firma bem depois. O texto antigo não descreve esse formato. Assim, tanto o modo da morte quanto o desenho da cruz pertencem à tradição posterior, não ao relato original. O valor histórico do conjunto, como fonte sobre o André do primeiro século, é considerado baixo.
Conteúdo Principal
- Resumo das viagens do apóstolo. Boa parte deste trecho vem do epítome latino de Gregório de Tours, que condensou o original. Por isso o tom é de sumário, não de relato contínuo. — (Atos de André 1)
- André na Macedônia, em Filipos e Tessalônica. Episódios de pregação, curas e conflitos locais, ainda no formato resumido. — (Atos de André 2)
- A viagem a Patras. Aparecem Lésbio e Trófima, e o episódio dos afogados que são ressuscitados. São cenas de milagre típicas do gênero dos atos apócrifos. — (Atos de André 3)
- O conflito central. André convence Maximila, esposa do procônsul Egeates, a adotar a continência. A recusa dela à vida conjugal provoca a ira de Egeates e leva à prisão do apóstolo. — (Atos de André 4)
- Discurso na prisão. Este trecho preserva um fragmento grego (códice vaticano), com a pregação ascética de André aos que o visitam. — (Atos de André 5)
- O martírio de André. A crucificação em Patras e os discursos finais dirigidos à cruz e aos presentes. É a parte que sobrevive em mais versões, grega e latina. — (Atos de André 6)