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A Origem das Espécies - Introdução

Introdução

A Introdução na Obra

A Introdução de A Origem das Espécies é o lugar onde Darwin enquadra o problema e anuncia a tese. Ele chama a origem das espécies de "mistério dos mistérios", frase que toma emprestada do astrônomo e filósofo John Herschel. Conta como a viagem do H.M.S. Beagle, entre 1831 e 1836, o impressionou com a distribuição dos seres vivos na América do Sul e com as relações entre as espécies vivas e as extintas. A partir de 1837 ele passou a reunir fatos sobre o assunto, redigiu um esboço em 1844, e seguiu no mesmo objetivo por mais de vinte anos.

A Introdução também explica por que o livro saiu quando saiu. Darwin considerava a obra ainda incompleta, mas em 1858 recebeu de Alfred Russel Wallace um ensaio que chegava quase às mesmas conclusões de modo independente. Charles Lyell e Joseph Hooker arranjaram uma leitura conjunta dos dois trabalhos na Sociedade Lineana naquele ano, e Darwin foi instado a publicar logo um resumo. Por isso o autor apresenta o volume como um resumo provisório, sem todas as fontes, e admite que para quase todo ponto se podem reunir fatos que apontam para conclusões opostas.

Conteúdo

Conteúdo do Livro

A Tese Anunciada

A Introdução já desloca a explicação da origem das espécies da criação especial direta para causas naturais. Esse é o ponto exato onde começa a tensão com a teologia natural da época. Darwin define o problema como a adaptação: a estrutura do pica-pau ou do visco é tão ajustada à sua função que, segundo ele, condições externas como clima e alimento não bastam para explicá-la. A resposta que ele propõe é a descendência com modificação por seleção natural, mecanismo derivado em parte da doutrina de Malthus sobre a pressão da população. Ao fim, ele declara que as espécies não são imutáveis e que a visão de que cada espécie foi criada de modo independente é equivocada.

Estou plenamente convencido de que as espécies não são imutáveis; e que aquelas que pertencem ao que se chama de mesmo gênero são descendentes diretas de alguma outra espécie, em geral extinta.

Charles Darwin, A Origem das Espécies - Introdução 1:9

A Tensão com a Fé

No século XIX, a explicação dominante para a adaptação dos seres vivos era o argumento do design, associado a William Paley: a precisão de um órgão como o olho seria prova de um projetista. A Introdução oferece uma causa natural para a mesma precisão, e é aí que o atrito com a teologia da época se concentra. Vale notar que Darwin não removeu Deus do texto. Na própria obra ele mantém a linguagem de um Criador, e nas edições posteriores fala de leis impressas na matéria pelo Criador. A questão em jogo não era a existência de Deus, mas se a origem das formas vivas se explicava por criação especial direta ou por um processo natural.

As respostas cristãs cobriram um espectro amplo, e seguem assim. Houve rejeição, em nome da criação especial e da leitura literal de Gênesis. Houve também acolhimento: o botânico Asa Gray, cristão ortodoxo de Harvard, defendeu que a seleção natural podia operar segundo leis projetadas por Deus, posição que ficou conhecida como evolução teísta, e que B. B. Warfield, entre outros, considerou compatível com a fé. Hoje a descendência comum e a seleção natural são consenso na biologia, e muitas igrejas convivem com elas; o debate cristão segue aberto sobre como ler Gênesis, onde situar a alma humana e se o processo natural exige ou exclui um propósito. O ponto deste índice não é decidir a disputa, mas mostrar onde ela começa. A Introdução é a porta de entrada.