A Origem das Espécies - Introdução 1
Introdução
Por essas considerações, dedicarei o primeiro capítulo deste resumo à variação sob domesticação. Veremos assim que uma grande quantidade de modificação hereditária é ao menos possível; e, o que é igualmente ou mais importante, veremos quão grande é o poder do homem de acumular, por sua seleção, sucessivas variações leves. Passarei então à variabilidade das espécies em estado natural; mas, infelizmente, serei obrigado a tratar desse tema de forma breve demais, já que ele só pode ser tratado de modo adequado com longos catálogos de fatos. Poderemos, no entanto, discutir quais circunstâncias são mais favoráveis à variação. No capítulo seguinte será considerada a luta pela existência entre todos os seres orgânicos do mundo inteiro, que decorre inevitavelmente da alta taxa geométrica do seu aumento. Esta é a doutrina de Malthus, aplicada a todo o reino animal e vegetal. Como nascem muito mais indivíduos de cada espécie do que podem sobreviver, e como, por consequência, há uma luta pela existência que se repete com frequência, segue-se que qualquer ser, se variar por menos que seja de algum modo proveitoso para si, sob as condições de vida complexas e por vezes variáveis, terá uma chance melhor de sobreviver, e assim será selecionado pela natureza. Pelo forte princípio da hereditariedade, qualquer variedade selecionada tenderá a propagar sua forma nova e modificada.