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Martírio de Bartolomeu

Autoria e Data de Composição

O Martírio de Bartolomeu é uma narrativa apócrifa tardia e de caráter lendário. Pertence ao gênero dos atos e martírios hagiográficos dos apóstolos, que circularam séculos depois dos eventos que dizem narrar. O autor é desconhecido. Parte da tradição associa o material a um conjunto de textos atribuídos ao pseudo-Abdias, uma compilação latina de atos apostólicos. As fontes mais antigas sobre Bartolomeu se perderam, e os relatos preservados surgiram em data avançada, provavelmente entre os séculos V e VI no Oriente bizantino. Por isso, o texto tem baixo valor histórico. Ele documenta a devoção e a imaginação cristã posterior, não a vida real do apóstolo.

Conteúdo Principal

A narrativa situa a missão de Bartolomeu na Índia. O apóstolo se hospeda no templo do ídolo Astaruth e faz o demônio que ali falava se calar. Diante da multidão, ele cura a filha possessa do rei Polímio, instrui o rei sobre Cristo e expõe o engano dos ídolos. O rei se converte, o ídolo é destruído e a fé cristã se espalha. A reação vem de Astreges, irmão do rei, que se enfurece e ordena a execução do apóstolo. O texto encerra com o castigo dos perseguidores.

A Forma da Morte

Há divergência sobre como Bartolomeu teria morrido, e as fontes não concordam. Esta versão, traduzida por Alexander Walker na coleção Ante-Nicene Fathers, diz que o apóstolo foi açoitado e decapitado por ordem de Astreges. A tradição mais difundida na hagiografia e na arte, porém, afirma que ele foi esfolado vivo, ou seja, teve a pele arrancada. Essa imagem se consagrou na iconografia. Michelangelo, no Juízo Final da Capela Sistina, retratou Bartolomeu segurando a própria pele. Algumas versões combinam os dois elementos, com esfolamento seguido de decapitação, e outras falam em crucificação. Não há base histórica firme para nenhuma dessas descrições. Elas refletem tradições posteriores, não um registro confiável da morte do apóstolo.

Importância Histórica

O valor do Martírio de Bartolomeu é literário e devocional, não documental. Detalhes como o nome do rei Polímio não encontram confirmação em registros independentes, e estudiosos apontam contradições entre os vários relatos sobre o apóstolo. O texto interessa por mostrar como as comunidades cristãs posteriores imaginaram a expansão missionária e o destino dos Doze. Lido como fonte para a história do primeiro século, ele não sustenta conclusões. Lido como peça da tradição cristã tardia, ajuda a entender a formação das lendas apostólicas e da iconografia dos santos.