Contra Celso - Livro VIII 3
Os demônios, o culto a Deus e a lealdade ao Estado
E não devemos crer nos demônios, embora Celso nos exorte a isso; mas, se devemos obedecer a Deus, temos que morrer, ou suportar qualquer coisa, antes de obedecer aos demônios. Da mesma forma, não devemos aplacar os demônios; pois é impossível aplacar seres que são maus e que buscam o dano dos homens. Além disso, quais são as leis segundo as quais Celso quer que aplaquemos os demônios? Pois, se ele se refere a leis decretadas nos estados, tem que mostrar que elas concordam com as leis divinas. Mas se isso não pode ser feito, já que as leis de muitos estados são bastante inconsistentes entre si, essas leis, portanto, ou hão de não ser leis de modo algum no sentido próprio da palavra, ou então decretos de homens maus; e a esses não devemos obedecer, pois devemos obedecer a Deus antes que aos homens. Fora, então, com este conselho que Celso nos dá, de oferecer oração aos demônios: não merece ser ouvido nem por um instante; pois nosso dever é orar somente ao Deus Altíssimo, e ao Unigênito, o Primogênito de toda a criação, e pedir a ele, como nosso Sumo Sacerdote, que apresente as orações que sobem a ele de nós, ao seu Deus e nosso Deus, ao seu Pai e ao Pai daqueles que dirigem suas vidas segundo a sua palavra. E assim como não teríamos desejo algum de gozar do favor daqueles homens que querem que sigamos suas vidas perversas, e que só nos dão seu favor com a condição de que nada escolhamos contrário aos seus desejos, porque seu favor nos faria inimigos de Deus, que não pode agradar-se daqueles que têm tais homens por amigos, da mesma forma aqueles que conhecem a natureza, os propósitos e a maldade dos demônios jamais podem desejar obter o favor deles.