Contra Celso - Livro VI 4

Filosofia grega, Platão e o conhecimento de Deus

Ele volta em seguida ao tema dos Sete Demônios governantes, cujos nomes não se encontram entre os cristãos, mas que, penso eu, são aceitos pelos Ofitas. De fato, descobrimos que, no diagrama que por causa deles conseguimos ver, estava disposta a mesma ordem que Celso indicou. Celso diz que o bode tinha forma de leão, sem mencionar o nome que lhe dão aqueles que são, em verdade, os mais ímpios dos indivíduos; ao passo que descobrimos que aquele que é honrado na sagrada Escritura como o anjo do Criador é chamado, por esse diagrama maldito, de Miguel o semelhante a leão. De novo, Celso diz que o segundo na ordem é um touro; ao passo que o diagrama que possuíamos fazia dele Suriel, o semelhante a touro. Além disso, Celso chamou o terceiro de uma espécie de animal anfíbio, que sibilava de modo aterrador; enquanto o diagrama descrevia o terceiro como Rafael, o semelhante a serpente. Ainda, Celso afirmou que o quarto tinha a forma de uma águia; o diagrama o representando como Gabriel, o semelhante a águia. De novo, o quinto, segundo Celso, tinha o semblante de um urso; e este, segundo o diagrama, era Thauthabaoth, o semelhante a urso. Celso prossegue seu relato, dizendo que o sexto era descrito como tendo a face de um cão; e a este o diagrama chamava de Erataoth. O sétimo, acrescenta ele, tinha o semblante de um asno, e era chamado Thaphabaoth ou Onoel; ao passo que descobrimos que no diagrama ele é chamado Onoel, ou Thartharaoth, sendo um tanto asinino na aparência. Achamos próprio sermos exatos ao expor esses assuntos, para que não parecêssemos ignorar aquilo que Celso afirmava conhecer, mas para que nós, cristãos, conhecendo-os melhor que ele, demonstremos que estas não são palavras de cristãos, e sim de pessoas totalmente alheias à salvação, e que não reconhecem Jesus nem como Salvador, nem como Deus, nem como Mestre, nem como Filho de Deus.