Contra Celso - Livro VI 3

Filosofia grega, Platão e o conhecimento de Deus

Celso, em seguida, alega que certos cristãos, tendo entendido mal as palavras de Platão, alardeiam ruidosamente um Deus 'supraceleste', ascendendo assim para além do céu dos judeus. Com essas palavras, de fato, ele não deixa claro se eles também ascendem para além do Deus dos judeus, ou apenas para além do céu pelo qual juram. Não é nosso propósito no momento, no entanto, falar daqueles que reconhecem outro deus além do que é adorado pelos judeus, mas defender-nos, e mostrar que era impossível aos profetas dos judeus, cujos escritos se contam entre os nossos, terem tomado de empréstimo qualquer coisa de Platão, porque eram mais antigos que ele. Eles não tomaram dele, então, a declaração de que todas as coisas estão em torno do Rei de tudo, e que todas existem por causa dele; pois aprendemos que pensamentos mais nobres do que esses foram proferidos pelos profetas, pelo próprio Jesus e seus discípulos, que indicaram claramente o sentido do espírito que estava neles, que não era outro senão o espírito de Cristo. Tampouco foi o filósofo o primeiro a apresentar à vista o lugar supraceleste; pois Davi, muito tempo antes, trouxe à vista a profundidade e a multidão dos pensamentos sobre Deus tidos por aqueles que ascenderam acima das coisas visíveis, quando disse no livro dos Salmos: "Louvai a Deus, vós, céus dos céus, e vós, águas que estais acima dos céus; louvem o nome do Senhor." Não nego, de fato, que Platão aprendeu de certos hebreus as palavras citadas do Fedro, ou mesmo, como alguns registraram, que ele as citou de uma leitura de nossos escritos proféticos, quando disse: "Nenhum poeta aqui embaixo jamais cantou o lugar supraceleste, nem jamais o cantará de maneira digna", e assim por diante. E na mesma passagem está o seguinte: "Pois a essência, que é tanto incolor quanto sem forma, e que não pode ser tocada, que realmente existe, é o piloto da alma, e é contemplada pelo entendimento; e em torno dela o gênero do verdadeiro conhecimento ocupa este lugar." O nosso Paulo, além disso, educado por essas palavras, e ansiando por coisas supramundanas e supracelestes, e fazendo o máximo por amor a elas para alcançá-las, diz na segunda Epístola aos Coríntios: "Pois a nossa leve aflição, que dura por um momento, produz para nós um peso eterno de glória muito mais excelente; enquanto não olhamos para as coisas que se veem, mas para as que não se veem; pois as coisas que se veem são temporais, mas as que não se veem são eternas."
Ora, àqueles que são capazes de entendê-lo, o apóstolo manifestamente apresenta à vista coisas que são objetos da percepção, chamando-as de coisas vistas; enquanto chama de não vistas as coisas que são objeto do entendimento, e cognoscíveis por ele. Ele sabe, também, que as coisas vistas e visíveis são temporais, mas que as coisas cognoscíveis pela mente, e não vistas, são eternas; e, desejando permanecer na contemplação destas, e sendo auxiliado por seu fervoroso anseio por elas, considerou toda aflição leve e como nada, e durante o tempo das aflições e dos tormentos não foi de modo algum abatido por elas, mas, por sua contemplação das coisas (divinas), considerou cada calamidade coisa leve, visto que também temos um grande Sumo Sacerdote, que, pela grandeza do seu poder e entendimento, atravessou os céus, a saber, Jesus, o Filho de Deus, que prometeu a todos os que verdadeiramente aprenderam as coisas divinas, e viveram vidas em harmonia com elas, ir adiante deles para as coisas que são supramundanas; pois suas palavras são: "Para que, onde eu estou, estejais vós também." E por isso esperamos, depois dos tormentos e das lutas que aqui sofremos, alcançar os mais altos céus, e, recebendo, conforme o ensino de Jesus, as fontes de água que jorram para a vida eterna, e sendo cheios dos rios do conhecimento, ser unidos àquelas águas que se diz estarem acima dos céus, e que louvam o seu nome. E quantos de nós o louvarmos não seremos levados de um lado para outro pela revolução do céu, mas estaremos sempre ocupados na contemplação das coisas invisíveis de Deus, que não mais são entendidas por nós através das coisas que ele fez desde a criação do mundo, mas vendo, como foi expresso pelo verdadeiro discípulo de Jesus nestas palavras: "então, face a face"; e nestas: "Quando vier o que é perfeito, então o que é em parte será aniquilado."
As Escrituras que circulam nas Igrejas de Deus não falam de sete céus, nem de qualquer número definido, mas parecem de fato ensinar a existência de céus, quer isso signifique as esferas daqueles corpos que os gregos chamam de planetas, quer algo mais misterioso. Celso, também, de acordo com a opinião de Platão, afirma que as almas podem fazer seu caminho de ida e volta entre a terra e os planetas. Moisés, nosso mais antigo profeta, diz que uma visão divina foi apresentada aos olhos de nosso profeta Jacó: uma escada que se estendia até o céu, com os anjos de Deus subindo e descendo por ela, e o Senhor apoiado em seu topo. Por essa imagem da escada ele aponta de modo velado, ou para as mesmas verdades que Platão tinha em vista, ou para algo maior que essas. Sobre este tema Fílon compôs um tratado que merece a investigação atenta e inteligente de todos os que amam a verdade.
Depois disto, Celso, querendo exibir sua erudição no tratado que escreveu contra nós, cita também certos mistérios persas, dizendo: Estas coisas são insinuadas de modo velado nos relatos dos persas, e especialmente nos mistérios de Mitra, que são celebrados entre eles. Pois neles uma representação das duas revoluções celestes, isto é, do movimento das estrelas fixas e daquele que ocorre entre os planetas, e da passagem da alma através deles. A representação é da seguinte natureza: uma escada com portões elevados, e em seu topo um oitavo portão. O primeiro portão é de chumbo, o segundo de estanho, o terceiro de cobre, o quarto de ferro, o quinto de uma mistura de metais, o sexto de prata e o sétimo de ouro. O primeiro portão eles atribuem a Saturno, indicando pelo chumbo a lentidão dessa estrela; o segundo a Vênus, comparando-a ao brilho e à maciez do estanho; o terceiro a Júpiter, por ser firme e sólido; o quarto a Mercúrio, pois tanto Mercúrio quanto o ferro são capazes de suportar todas as coisas, e são lucrativos e laboriosos; o quinto a Marte, porque, sendo composto de uma mistura de metais, é variado e desigual; o sexto, de prata, à Lua; o sétimo, de ouro, ao Sol, imitando assim as diferentes cores destes dois últimos. Em seguida ele passa a examinar a razão de as estrelas estarem dispostas nessa ordem, que é simbolizada pelos nomes do restante da matéria. Razões musicais, além disso, são acrescentadas ou citadas pela teologia persa; e a estas, de novo, ele se esforça por acrescentar uma segunda explicação, também ligada a considerações musicais. Mas me parece que citar a linguagem de Celso sobre esses assuntos seria absurdo, e semelhante ao que ele mesmo fez quando, em suas acusações contra cristãos e judeus, citou de modo totalmente inadequado não as palavras de Platão, mas, insatisfeito até com estas, acrescentou ainda os mistérios do Mitra persa e a explicação deles. Ora, seja como for em relação a esses mistérios, quer os persas e os que conduzem os mistérios de Mitra deem relatos falsos ou verdadeiros sobre eles, por que ele selecionou justamente estes para citar, em vez de alguns dos outros mistérios, com a explicação deles? Pois os mistérios de Mitra não parecem ser mais famosos entre os gregos do que os de Elêusis, ou os de Egina, onde os indivíduos são iniciados nos ritos de Hécate. Mas se ele tinha mesmo de introduzir mistérios bárbaros com sua explicação, por que não antes os dos egípcios, que muitos têm em alta conta, ou os dos capadócios a respeito da Diana de Comana, ou os dos trácios, ou mesmo os dos próprios romanos, que iniciam os mais nobres membros de seu senado? Mas se ele julgou inadequado instituir uma comparação com qualquer um destes, porque não ofereciam ajuda alguma para acusar judeus ou cristãos, por que não lhe pareceu igualmente inadequado apresentar o exemplo dos mistérios de Mitra?
Se alguém quisesse obter meios para uma contemplação mais profunda da entrada das almas nas coisas divinas, não a partir das afirmações daquela seita insignificantíssima de onde ele tirou suas citações, mas a partir de livros, em parte os dos judeus, que são lidos em suas sinagogas e adotados pelos cristãos, e em parte os dos cristãos apenas, que leia, no fim das profecias de Ezequiel, as visões contempladas pelo profeta, nas quais se enumeram portões de diferentes tipos, que se referem de modo velado aos diferentes modos pelos quais as almas divinas entram em um mundo melhor; e que leia também, no Apocalipse de João, o que se relata sobre a cidade de Deus, a Jerusalém celestial, e sobre seus fundamentos e portões. E se ele for capaz de descobrir também o caminho, indicado por símbolos, daqueles que marcharão rumo às coisas divinas, que leia o livro de Moisés intitulado Números, e que busque a ajuda de alguém capaz de iniciá-lo no sentido das narrativas sobre os acampamentos dos filhos de Israel: a saber, como eram aqueles dispostos para o oriente, como o primeiro; e quais os do sudoeste e sul; e quais os voltados para o mar; e quais os últimos, que ficavam para o norte. Pois ele verá que há, nos respectivos lugares, um sentido que não deve ser tratado de leve, nem, como Celso imagina, que apela apenas para ouvintes tolos e servis; mas ele distinguirá nos acampamentos certas coisas relativas aos números que são enumerados, e que são especialmente adaptadas a cada tribo, sobre o que não nos parece ser o momento apropriado de falar agora. Que Celso saiba, além disso, e também os que leem seu livro, que em nenhuma parte das Escrituras genuínas e divinamente autorizadas se mencionam sete céus; nem nossos profetas, nem os apóstolos de Jesus, nem o próprio Filho de Deus repetem qualquer coisa que tenham tomado emprestada dos persas ou dos Cabiros.
Depois do exemplo tomado dos mistérios mitraicos, Celso declara que aquele que quisesse investigar os mistérios cristãos, junto com o mistério persa mencionado, ao comparar os dois e ao desvelar os ritos dos cristãos, verá desse modo a diferença entre eles. Ora, sempre que ele podia dar os nomes das várias seitas, não se mostrava nada relutante em citar aquelas com as quais julgava estar familiarizado; mas, quando mais do que nunca deveria ter feito isso, se de fato as conhecia, e nos informar qual era a seita que faz uso do diagrama que ele desenhou, não o fez. Parece-me, contudo, que é a partir de algumas afirmações de uma seita muito insignificante chamada Ofitas, que ele entendeu mal, que, na minha opinião, ele tomou em parte emprestado o que diz sobre o diagrama. Ora, como sempre fomos movidos pelo amor ao saber, deparamos com esse diagrama, e nele encontramos as representações de homens que, como diz Paulo, se introduzem nas casas e levam cativas mulherezinhas sobrecarregadas de pecados, arrastadas por toda sorte de desejos, sempre aprendendo e nunca capazes de chegar ao conhecimento da verdade. O diagrama, no entanto, era tão destituído de qualquer credibilidade que nem essas mulheres facilmente enganadas, nem a classe mais rústica de homens, nem aqueles prontos a se deixar levar por qualquer impostor plausível, jamais deram seu assentimento ao diagrama. Tampouco encontramos jamais qualquer indivíduo, embora tenhamos visitado muitas partes da terra e procurado todos os que em qualquer lugar faziam profissão de conhecimento, que depositasse alguma nesse diagrama.
Nesse diagrama estavam descritos dez círculos, distintos uns dos outros, mas unidos por um círculo que se dizia ser a alma de todas as coisas, e era chamado Leviatã. Esse Leviatã, dizem as Escrituras judaicas, seja o que entendam pela expressão, foi criado por Deus como brinquedo; pois encontramos nos Salmos: Em sabedoria fizeste todas as coisas; a terra está cheia das tuas criaturas; assim é este mar grande e largo. Ali passam os navios; animais pequenos com grandes; ali está este dragão que formaste para nele brincar. Em lugar da palavra dragão, o termo em hebraico é leviatã. Esse diagrama ímpio, então, dizia desse leviatã, tão claramente rebaixado pelo salmista, que ele era a alma que tinha viajado através de todas as coisas! Observamos, também, no diagrama, o ser chamado Beemote, colocado como que sob o círculo mais baixo. O inventor desse diagrama maldito tinha inscrito esse leviatã em sua circunferência e em seu centro, pondo assim seu nome em dois lugares separados. Além disso, Celso diz que o diagrama era dividido por uma linha preta grossa, e essa linha, afirmou ele, era chamada Geena, que é o Tártaro. Ora, como encontramos a Geena mencionada no Evangelho como lugar de castigo, fomos pesquisar se ela é mencionada em algum lugar nas antigas Escrituras, e especialmente porque os judeus também usam a palavra. E verificamos que, onde o vale do filho de Enom era nomeado na Escritura em hebraico, em lugar de vale, com fundamentalmente o mesmo sentido, era chamado tanto de vale de Enom quanto de Geena. E, continuando nossas pesquisas, descobrimos que o que era chamado Geena, ou vale de Enom, estava incluído no quinhão da tribo de Benjamim, na qual também Jerusalém se situava. E, buscando determinar o que se poderia inferir do fato de a Jerusalém celestial pertencer ao quinhão de Benjamim, junto com o vale de Enom, encontramos certa confirmação do que se diz sobre o lugar de castigo, destinado à purificação das almas que devem ser purificadas por tormentos, de acordo com o dito: O Senhor vem como fogo de fundidor e como sabão de lavandeiros; e ele se assentará como fundidor e purificador de prata e de ouro.
É, portanto, nas cercanias de Jerusalém que serão infligidos castigos sobre os que passam pelo processo de purificação, os que receberam na substância de sua alma os elementos da maldade, que em certo lugar é figurativamente chamada chumbo, e por essa razão a iniquidade é representada em Zacarias como sentada sobre um talento de chumbo. Mas as observações que se poderiam fazer sobre este tema não devem ser feitas a todos, nem ser proferidas na presente ocasião; pois não é sem perigo confiar à escrita a explicação de tais assuntos, visto que a multidão não precisa de mais instrução do que aquela que se refere ao castigo dos pecadores; subir além disso não é conveniente, por causa daqueles que com dificuldade são contidos, mesmo pelo medo do castigo eterno, de mergulhar em qualquer grau de maldade e no dilúvio de males que resultam do pecado. A doutrina da Geena, então, é desconhecida tanto do diagrama quanto de Celso; pois, se fosse de outro modo, os autores do primeiro não se teriam gabado de suas figuras de animais e diagramas, como se a verdade fosse representada por estes; nem Celso, em seu tratado contra os cristãos, teria introduzido entre as acusações dirigidas contra eles afirmações que eles nunca proferiram, em lugar do que foi dito por alguns que talvez nem existam mais, mas tenham desaparecido por completo, ou se reduzido a pouquíssimos indivíduos, facilmente contados. E assim como não convém aos que professam as doutrinas de Platão oferecer uma defesa de Epicuro e de suas opiniões ímpias, tampouco cabe a nós defender o diagrama, ou refutar as acusações que Celso lhe faz. Podemos, portanto, deixar passar suas acusações nesses pontos como supérfluas e inúteis, pois censuraríamos mais severamente que Celso qualquer um que se deixasse arrastar por tais opiniões.
Depois do assunto do diagrama, ele apresenta certas afirmações monstruosas, em forma de pergunta e resposta, sobre o que os escritores eclesiásticos chamam de selo, afirmações que não surgiram de informação imperfeita; tais como que aquele que imprime o selo é chamado pai, e aquele que é selado é chamado jovem e filho; e que responde: Fui ungido com unguento branco da árvore da vida, coisas que nunca ouvimos terem ocorrido nem mesmo entre os hereges. Em seguida, ele determina até o número mencionado pelos que transmitem o selo, ou seja, o de sete anjos, que se ligam a ambos os lados da alma do corpo que está morrendo; um grupo sendo chamado anjos da luz, os outros arcônticos; e ele afirma que o governante dos chamados arcônticos é apelidado de deus maldito. Então, agarrando-se à expressão, ele ataca, não sem razão, aqueles que se atrevem a usar tal linguagem; e por isso nutrimos um sentimento de indignação semelhante ao dos que censuram tais indivíduos, se é que existem alguns que chamam o Deus dos judeus, que envia chuva e trovão, que é o Criador deste mundo, o Deus de Moisés e da cosmogonia que ele registra, de divindade maldita. Celso, no entanto, parece ter tido em vista, ao empregar essas expressões, não um propósito racional, mas um dos mais irracionais, nascido de seu ódio contra nós, tão impróprio de um filósofo. Pois seu objetivo era que aqueles que não conhecem nossos costumes, ao ler seu tratado, de imediato nos atacassem como se chamássemos o nobre Criador deste mundo de divindade maldita. Ele me parece, de fato, ter agido como aqueles judeus que, quando o cristianismo começou a ser pregado, espalharam falsos relatos sobre o Evangelho, tais como que os cristãos ofereciam uma criança em sacrifício e comiam de sua carne; e ainda, que os adeptos do cristianismo, querendo fazer as obras das trevas, costumavam apagar as luzes em suas reuniões, e cada um ter relação sexual com qualquer mulher que por acaso encontrasse. Essas calúnias por muito tempo exerceram, ainda que sem razão, influência sobre a mente de muitíssimos, levando os que são estranhos ao Evangelho a crer que os cristãos são homens desse tipo; e ainda hoje desviam alguns, e os impedem de entrar até no simples convívio da conversa com os que são cristãos.
Com algum objetivo como este em vista é que Celso parece ter sido movido, ao alegar que os cristãos chamam o Criador de divindade maldita, a fim de que aquele que acredita nessas acusações dele contra nós se levante, se possível, e extermine os cristãos como os mais ímpios dos homens. Confundindo, além disso, coisas que são distintas, ele também declara a razão pela qual o Deus da cosmogonia mosaica é chamado maldito, afirmando que tal é o seu caráter, e digno de execração na opinião dos que assim o veem, visto que ele pronunciou uma maldição sobre a serpente, que introduziu os primeiros seres humanos ao conhecimento do bem e do mal. Ora, ele deveria ter sabido que aqueles que abraçaram a causa da serpente, porque ela deu bom conselho aos primeiros seres humanos, e que vão muito além dos Titãs e Gigantes da fábula, e por isso são chamados Ofitas, estão tão longe de ser cristãos que fazem acusações contra Jesus em grau tão grande quanto o próprio Celso; e não admitem ninguém em sua assembleia até que tenha proferido maldições contra Jesus. Veja, então, quão irracional é o procedimento de Celso, que, em seu discurso contra os cristãos, representa como tais aqueles que nem sequer querem ouvir o nome de Jesus, ou omitir que ele foi um homem sábio, ou pessoa de caráter virtuoso! O que, então, poderia evidenciar maior tolice ou loucura, não da parte dos que querem derivar seu nome da serpente como autora do bem, mas também da parte de Celso, que pensa que as acusações de que os Ofitas são culpados são imputáveis também aos cristãos! Muito tempo atrás, de fato, aquele filósofo grego que preferiu um estado de pobreza, e que exibiu o modelo de uma vida feliz, mostrando que não estava excluído da felicidade ainda que nada possuísse, chamou-se a si mesmo de Cínico; esses miseráveis ímpios, como se não fossem seres humanos, de quem a serpente é inimiga, mas como se fossem serpentes, orgulham-se de ser chamados Ofitas a partir da serpente, animal sumamente hostil ao homem e por ele muito temido, e se vangloriam de um tal Eufrates como o introdutor dessas opiniões profanas.