Contra Celso - Livro VI 3

Filosofia grega, Platão e o conhecimento de Deus

Se alguém quisesse obter meios para uma contemplação mais profunda da entrada das almas nas coisas divinas, não a partir das afirmações daquela seita insignificantíssima de onde ele tirou suas citações, mas a partir de livros, em parte os dos judeus, que são lidos em suas sinagogas e adotados pelos cristãos, e em parte os dos cristãos apenas, que leia, no fim das profecias de Ezequiel, as visões contempladas pelo profeta, nas quais se enumeram portões de diferentes tipos, que se referem de modo velado aos diferentes modos pelos quais as almas divinas entram em um mundo melhor; e que leia também, no Apocalipse de João, o que se relata sobre a cidade de Deus, a Jerusalém celestial, e sobre seus fundamentos e portões. E se ele for capaz de descobrir também o caminho, indicado por símbolos, daqueles que marcharão rumo às coisas divinas, que leia o livro de Moisés intitulado Números, e que busque a ajuda de alguém capaz de iniciá-lo no sentido das narrativas sobre os acampamentos dos filhos de Israel: a saber, como eram aqueles dispostos para o oriente, como o primeiro; e quais os do sudoeste e sul; e quais os voltados para o mar; e quais os últimos, que ficavam para o norte. Pois ele verá que há, nos respectivos lugares, um sentido que não deve ser tratado de leve, nem, como Celso imagina, que apela apenas para ouvintes tolos e servis; mas ele distinguirá nos acampamentos certas coisas relativas aos números que são enumerados, e que são especialmente adaptadas a cada tribo, sobre o que não nos parece ser o momento apropriado de falar agora. Que Celso saiba, além disso, e também os que leem seu livro, que em nenhuma parte das Escrituras genuínas e divinamente autorizadas se mencionam sete céus; nem nossos profetas, nem os apóstolos de Jesus, nem o próprio Filho de Deus repetem qualquer coisa que tenham tomado emprestada dos persas ou dos Cabiros.