Contra Celso - Livro V 5

Anjos, ressurreição e o culto a um só Deus

Como há, então, em geral duas leis apresentadas a nós, sendo uma a lei da natureza, da qual Deus seria o legislador, e a outra a lei escrita das cidades, é coisa apropriada, quando a lei escrita não se opõe à de Deus, que os cidadãos não a abandonem sob pretexto de costumes estrangeiros; mas, quando a lei da natureza, isto é, a lei de Deus, ordena o que se opõe à lei escrita, observe se a razão não nos dirá para dar um longo adeus ao código escrito, e ao desejo de seus legisladores, e nos entregarmos ao legislador Deus, e escolhermos uma vida de acordo com a sua palavra, ainda que, ao fazê-lo, possa ser necessário enfrentar perigos, e incontáveis fadigas, e até a morte e a desonra. Pois, quando algumas leis em harmonia com a vontade de Deus, que se opõem a outras que vigoram nas cidades, e quando é impraticável agradar a Deus (e aos que administram leis do tipo referido), seria absurdo desprezar aqueles atos pelos quais podemos agradar ao Criador de todas as coisas, e escolher aqueles pelos quais nos tornaremos desagradáveis a Deus, ainda que satisfaçamos leis profanas e os que as amam. Mas, que é razoável em outras matérias preferir a lei da natureza, que é a lei de Deus, à lei escrita, que foi promulgada por homens em espírito de oposição à lei de Deus, por que não faríamos isso ainda mais no caso daquelas leis que se relacionam com Deus? Nem nós, como os etíopes que habitam as partes em torno de Méroe, adoraremos, conforme seu prazer, Júpiter e Baco; nem reverenciaremos de modo algum deuses etíopes à maneira etíope; nem, como os árabes, consideraremos Urânia e Baco como divindades; nem em grau algum deuses em que a diferença de sexo tenha sido base de distinção (como entre os árabes, que adoram Urânia como divindade feminina e Baco como masculina); nem, como todos os egípcios, consideraremos Osíris e Ísis como deuses; nem incluiremos Atena entre estes, como agrada aos saítas fazer. E, se aos antigos habitantes de Náucratis pareceu bem adorar outras divindades, ao passo que seus descendentes modernos começaram bem recentemente a prestar reverência a Serápis, que nunca foi deus algum, não afirmaremos por isso que um novo ser, que antes não era deus nem de modo algum conhecido dos homens, seja uma divindade. Pois o Filho de Deus, o Primogênito de toda a criação, embora pareça ter se encarnado recentemente, de modo nenhum é por isso recente. Pois as santas Escrituras o conhecem como o mais antigo de todas as obras da criação; pois foi a ele que Deus disse a respeito da criação do homem: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança.
Desejo, no entanto, mostrar como Celso afirma sem boa razão alguma que cada um venera suas instituições domésticas e nativas. Pois declara que aqueles etíopes que habitam Méroe conhecem dois deuses, Júpiter e Baco, e adoram estes; e que os árabes também conhecem dois, isto é, Baco, que é também divindade etíope, e Urânia, cujo culto se limita a eles. Segundo seu relato, nem os etíopes adoram Urânia, nem os árabes Júpiter. Se, então, um etíope, por algum acaso, caísse nas mãos dos árabes, e fosse julgado culpado de impiedade por não adorar Urânia, e por essa razão incorresse no perigo de morte, seria apropriado que o etíope morresse, ou que agisse contra as leis de seu país e se prostrasse diante de Urânia? Ora, se fosse apropriado que ele agisse contra as leis de seu país, ele fará o que não é correto, na medida em que a linguagem de Celso é algum padrão; ao passo que, se fosse levado à morte, que ele mostre a razoabilidade de escolher tal destino. Não sei se, caso a doutrina etíope ensinasse os homens a filosofar sobre a imortalidade da alma e a honra que se presta à religião, eles reverenciariam como divindades aqueles que são tidos por tais segundo as leis do país. Uma ilustração semelhante pode ser empregada no caso dos árabes, se por algum acaso lhes acontecesse visitar os etíopes em torno de Méroe. Pois, tendo sido ensinados a adorar Urânia e Baco, não adorarão Júpiter junto com os etíopes; e se, julgados culpados de impiedade, fossem levados à morte, que Celso nos diga o que seria razoável de sua parte fazer. E, quanto às fábulas que se relacionam com Osíris e Ísis, é supérfluo e fora de lugar enumerá-las agora. Pois, embora se possa dar um sentido alegórico às fábulas, elas, contudo, nos ensinarão a oferecer culto divino à água fria e à terra, que está sujeita aos homens e a toda a criação animal. Pois desse modo, presumo, eles atribuem Osíris à água e Ísis à terra; ao passo que, quanto a Serápis, os relatos são numerosos e conflitantes, no sentido de que muito recentemente ele apareceu em público, de acordo com certos truques de prestidigitação realizados a desejo de Ptolomeu, que queria mostrar ao povo de Alexandria como que um deus visível. E lemos nos escritos de Numênio, o pitagórico, sobre sua formação, que ele participa da essência de todos os animais e plantas que estão sob o controle da natureza, para que pareça ter sido moldado num deus, não pelos fabricantes de imagens, com a ajuda de mistérios profanos e truques de prestidigitação empregados para invocar demônios, mas também por magos e feiticeiros, e por aqueles demônios que são enfeitiçados por seus encantamentos.
Devemos, portanto, investigar o que pode convenientemente ser comido ou não pelo animal racional e dócil, que age sempre em conformidade com a razão; e não adorar ao acaso ovelhas, cabras ou gado; abster-se dos quais é um ato de moderação, pois muita vantagem os homens obtêm desses animais. Ao passo que, não é a mais tola de todas as coisas poupar crocodilos e tratá-los como sagrados a uma divindade fabulosa qualquer? Pois é sinal de extrema estupidez poupar aqueles animais que não nos poupam, e dispensar cuidado àqueles que fazem dos seres humanos sua presa. Mas Celso aprova aqueles que, de acordo com as leis de seu país, adoram e cuidam de crocodilos, e nem uma palavra diz contra eles, ao passo que os cristãos parecem dignos de censura, eles que foram ensinados a detestar o mal, a se afastar das obras perversas, e a reverenciar e honrar a virtude como gerada por Deus e como sendo seu Filho. Pois não devemos, por causa de seu nome e natureza femininos, considerar a sabedoria e a justiça como femininas; pois essas coisas são, em nossa visão, o Filho de Deus, como mostrou seu genuíno discípulo, quando dele disse: O qual, da parte de Deus, se fez para nós sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção. E, embora possamos chamá-lo de um segundo Deus, saibam os homens que, pelo termo segundo Deus, não queremos dizer nada além de uma virtude capaz de incluir todas as outras virtudes, e uma razão capaz de conter toda razão, qualquer que seja, que exista em todas as coisas que surgiram natural, direta e para a vantagem geral; e essa razão, dizemos, habitou na alma de Jesus e a ela se uniu em grau muito acima de todas as outras almas, visto que ele foi capacitado a receber por completo a maior parte na razão absoluta, na sabedoria absoluta e na justiça absoluta.
Mas, que, depois de Celso ter falado no sentido acima sobre os diferentes tipos de lei, ele acrescenta a seguinte observação, Píndaro me parece estar correto ao dizer que a lei é rei de todas as coisas, passemos a discutir esta afirmação. Que lei você quer dizer, bom senhor, que é rei de todas as coisas? Se você se refere àquelas que existem nas várias cidades, então tal afirmação não é verdadeira. Pois nem todos os homens são governados pela mesma lei. Você deveria ter dito que as leis são reis de todos os homens, pois em cada nação alguma lei é rei de todos. Mas, se você se refere àquilo que é lei no sentido próprio, então é isto que por natureza é rei de todas as coisas; embora haja alguns indivíduos que, tendo abandonado a lei como ladrões, negam sua validade e vivem vidas de violência e injustiça. Nós, cristãos, então, que chegamos ao conhecimento da lei que por natureza é rei de todas as coisas, e que é a mesma que a lei de Deus, procuramos regular nossas vidas por seus preceitos, tendo dado um longo adeus às de tipo profano.
Vejamos as acusações que Celso apresenta em seguida, nas quais muito pouco que diga respeito aos cristãos, pois a maioria delas se refere aos judeus. Estas são as suas palavras: Se, então, nesses aspectos os judeus se esforçam por preservar a própria lei, não devem ser censurados por isso, mas sim aqueles que abandonaram os próprios costumes e adotaram os dos judeus. E se eles se orgulham disso, como se possuíssem uma sabedoria superior, e se mantêm afastados do convívio com os outros, por não os considerarem tão puros quanto eles mesmos, ouviram que a sua doutrina a respeito do céu não lhes é peculiar, mas, deixando de lado todos os demais, é uma doutrina recebida muito tempo pelos persas, como Heródoto menciona em algum lugar. Ele diz: Pois eles têm o costume de subir ao alto das montanhas e de oferecer sacrifícios a Júpiter, dando o nome de Júpiter a todo o círculo dos céus. E eu penso, continua Celso, que não faz diferença alguma chamar o ser supremo de Zeus, ou Zen, ou Adonai, ou Sabaoth, ou Ammoun como os egípcios, ou Pappeu como os cítios. Nem por isso seriam considerados em nada mais santos que os outros, por observarem o rito da circuncisão, pois isso era feito pelos egípcios e pelos colcos antes deles; nem por se absterem da carne de porco, pois os egípcios praticavam a abstinência não dela, mas também da carne de cabras, ovelhas, bois e peixes; enquanto Pitágoras e seus discípulos não comem feijão nem coisa alguma que tenha vida. Não é provável, no entanto, que eles desfrutem do favor de Deus, ou que sejam amados por Ele de modo diferente dos outros, ou que anjos tenham sido enviados do céu somente a eles, como se lhes tivesse sido destinada alguma região dos bem-aventurados, pois vemos tanto eles mesmos quanto o país que julgaram merecer. Que este bando, então, se retire, depois de pagar a pena da sua jactância, sem ter conhecimento do grande Deus, mas tendo sido desviado e enganado pelos artifícios de Moisés, e feito seu discípulo para nada de bom.
É evidente que, com as observações anteriores, Celso acusa os judeus de falsamente se apresentarem como a porção escolhida do Deus Supremo acima de todas as outras nações. E os acusa de se vangloriarem, porque diziam conhecer o grande Deus, embora não O conhecessem de fato, mas foram desviados pelos artifícios de Moisés, enganados por ele e feitos seus discípulos para nada de bom. Ora, nas páginas anteriores falamos em parte da venerável e ilustre organização dos judeus, quando ela existia entre eles como símbolo da cidade de Deus, do seu templo e do culto sacrificial nele oferecido junto ao altar do sacrifício. Mas se alguém prestasse atenção ao sentido do legislador, à constituição que ele estabeleceu, examinasse os vários pontos que lhe dizem respeito e os comparasse com o presente modo de culto entre as outras nações, não haveria nenhum que ele admiraria em maior grau; porque, na medida do que é possível entre os mortais, tudo o que não era proveitoso para a raça humana lhes foi retido, e somente as coisas úteis lhes foram concedidas. E por essa razão não tinham competições de ginástica, nem representações teatrais, nem corridas de cavalos; nem havia entre eles mulheres que vendessem a própria beleza a qualquer um que desejasse ter relações sexuais sem gerar filhos e lançar desprezo sobre a natureza da geração humana. E que vantagem era ser ensinado desde a tenra idade a elevar-se acima de toda a natureza visível, e a sustentar a crença de que Deus não estava fixado em lugar algum dentro dos seus limites, mas a buscá-Lo no alto, além da esfera de toda substância corporal! E quão grande era a vantagem de que desfrutavam ao serem instruídos quase desde o nascimento, assim que aprendiam a falar, na imortalidade da alma, na existência de tribunais de justiça sob a terra e nas recompensas reservadas àqueles que viveram vidas justas! Essas verdades, de fato, eram proclamadas sob o véu da fábula às crianças e àqueles cujas concepções das coisas eram infantis; ao passo que, para aqueles que se ocupavam de investigar a verdade e desejavam nela progredir, essas fábulas, por assim dizer, transfiguravam-se nas verdades que nelas se ocultavam. E considero que foi de modo digno do nome deles, como porção de Deus, que desprezaram todo tipo de adivinhação, como aquilo que enfeitiça os homens em vão e que procede mais de demônios perversos do que de algo de natureza melhor; e buscaram o conhecimento dos acontecimentos futuros nas almas daqueles que, por causa do seu elevado grau de pureza, recebiam o espírito do Deus Supremo.
Mas que necessidade de apontar quão conforme à reta razão, e sem prejuízo para o senhor nem para o escravo, era a lei segundo a qual um homem da mesma não podia permanecer escravo por mais de seis anos? Não se pode dizer, então, que os judeus preservem a própria lei nos mesmos pontos que as outras nações. Pois seria censurável neles, e implicaria a acusação de insensibilidade à superioridade da sua lei, se cressem que lhes haviam sido dadas leis do mesmo modo que às outras nações entre os pagãos. E embora Celso não o admita, os judeus possuem ainda assim uma sabedoria superior não à da multidão, mas também à daqueles que têm a aparência de filósofos; porque aqueles que se dedicam à filosofia, depois de proferirem as sentenças filosóficas mais veneráveis, decaem no culto de ídolos e demônios, ao passo que o judeu mais humilde dirige o seu olhar somente para o Deus Supremo; e fazem bem, de fato, nesse ponto, em se orgulharem disso e em se manterem afastados da companhia dos outros como amaldiçoados e ímpios. E quem dera não tivessem pecado, nem transgredido a lei, nem matado os profetas em tempos passados, nem, nestes últimos dias, conspirado contra Jesus, para que estivéssemos de posse de um modelo de cidade celestial que até mesmo Platão teria procurado descrever; ainda que eu duvide que ele pudesse ter realizado tanto quanto fizeram Moisés e os que o seguiram, os quais nutriram uma geração escolhida e uma nação santa, consagrada a Deus, com palavras livres de toda superstição.
Mas que Celso compararia os veneráveis costumes dos judeus com as leis de certas nações, examinemo-las. Ele é da opinião, portanto, de que não diferença entre a doutrina a respeito do céu e a doutrina a respeito de Deus; e diz que os persas, como os judeus, oferecem sacrifícios a Júpiter no alto das montanhas, sem notar que, assim como os judeus conheciam um Deus, também tinham uma casa santa de oração, um altar de holocaustos, um incensário para o incenso e um sumo sacerdote de Deus. Os judeus, então, não tinham nada em comum com os persas, que sobem aos cumes das suas montanhas, que são muitas em número, e oferecem sacrifícios que nada têm em comum com os que são regulados pelo código mosaico, em conformidade com o qual os sacerdotes judeus serviam segundo o exemplo e a sombra das coisas celestiais, explicando de modo enigmático o objetivo da lei a respeito dos sacrifícios e as coisas das quais esses sacrifícios eram símbolos. Os persas, portanto, podem chamar todo o círculo do céu de Júpiter; mas nós sustentamos que o céu não é Júpiter nem Deus, pois sabemos que certos seres de uma classe inferior a Deus ascenderam acima dos céus e de toda a natureza visível. E nesse sentido entendemos as palavras: Louvai a Deus, vós céus dos céus, e vós águas que estais acima dos céus; louvem o nome do Senhor.
Como, no entanto, Celso é da opinião de que nada importa chamar o ser supremo de Júpiter, ou Zen, ou Adonai, ou Sabaoth, ou Ammoun (como o chamam os egípcios), ou Pappeu (como o intitulam os cítios), discutamos um pouco o ponto, lembrando ao mesmo tempo o leitor do que foi dito acima sobre essa questão, quando a linguagem de Celso nos levou a considerar o assunto. E agora sustentamos que a natureza dos nomes não é, como supõe Aristóteles, uma convenção dos que os impõem. Pois as línguas que vigoram entre os homens não tiram a sua origem dos homens, como é evidente àqueles que são capazes de averiguar a natureza dos encantamentos que os inventores das línguas se apropriam de modo diverso, segundo as várias línguas e as variadas pronúncias dos nomes, sobre os quais falamos brevemente nas páginas anteriores, observando que, quando aqueles nomes que numa certa língua possuíam um poder natural eram traduzidos para outra, não eram capazes de realizar o que faziam antes, quando proferidos nas suas línguas nativas. E a mesma peculiaridade se encontra aplicada aos homens; pois, se traduzíssemos para a língua egípcia ou romana, ou qualquer outra língua, o nome de alguém que desde o nascimento era chamado por certa denominação na língua grega, não poderíamos fazê-lo fazer ou sofrer as mesmas coisas que ele teria feito ou sofrido sob a denominação que primeiro lhe foi dada. Mais ainda, mesmo que traduzíssemos para a língua grega o nome de um indivíduo que originalmente fora invocado na língua romana, não poderíamos produzir o resultado que o encantamento se gabava de ser capaz de realizar se houvesse preservado o nome que primeiro lhe foi conferido. E se essas afirmações são verdadeiras quando ditas a respeito dos nomes dos homens, o que devemos pensar daqueles que são transferidos, por qualquer causa que seja, à Divindade? Por exemplo, algo se transfere do nome Abraão quando traduzido para o grego, e algo é significado pelo de Isaque, e também pelo de Jacó; e, por conseguinte, se alguém, seja numa invocação seja num juramento, usasse a expressão o Deus de Abraão, e o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó, produziria certos efeitos, seja pela natureza desses nomes seja pelos seus poderes, que até os demônios são vencidos e se tornam submissos àquele que pronuncia esses nomes; ao passo que, se disséssemos o deus do pai escolhido do eco, e o deus do riso, e o deus daquele que golpeia com o calcanhar, a menção do nome não traz resultado algum, como acontece com outros nomes que não possuem poder. E do mesmo modo, se traduzirmos a palavra Israel para o grego ou qualquer outra língua, não produziremos resultado algum; mas, se a mantivermos como está e a unirmos àquelas expressões às quais os que são versados nessas matérias julgam que ela deve ser unida, seguir-se-ia então algum resultado da pronúncia da palavra, que estaria de acordo com as alegações daqueles que empregam tais invocações. E podemos dizer o mesmo também da pronúncia de Sabaoth, palavra frequentemente empregada em encantamentos; pois, se traduzirmos o termo como Senhor das hostes, ou Senhor dos exércitos, ou Todo-Poderoso (diferentes acepções dele tendo sido propostas pelos intérpretes), nada realizaremos; ao passo que, se mantivermos a pronúncia original, produziremos, como sustentam os que são versados em tais matérias, algum efeito. E a mesma observação vale para Adonai. Se, então, nem Sabaoth nem Adonai, quando vertidos para o que parece ser o seu significado na língua grega, podem realizar coisa alguma, quanto menor seria o resultado entre aqueles que consideram indiferente chamar o ser supremo de Júpiter, ou Zen, ou Adonai, ou Sabaoth!
Foi por essas e semelhantes razões misteriosas, que Moisés e os profetas conheciam, que eles proibiram que o nome de outros deuses fosse pronunciado por aquele que se dispusesse a orar somente ao único Deus Supremo, ou que fosse lembrado por um coração que tinha sido ensinado a ser puro de todos os pensamentos e palavras insensatos. E por essas razões preferiríamos suportar todo tipo de sofrimento a reconhecer Júpiter como Deus. Pois não consideramos Júpiter e Sabaoth a mesma coisa, nem Júpiter como sendo de modo algum divino, mas que algum demônio, hostil aos homens e ao verdadeiro Deus, se alegra sob esse título. E ainda que os egípcios nos forçassem, sob ameaça de morte, a colocar Ammon acima de nós, preferiríamos morrer a chamá-lo de Deus, sendo esse um nome provavelmente usado em certos encantamentos egípcios nos quais esse demônio é invocado. E ainda que os cítios chamem Pappeu de Deus supremo, não daremos o nosso assentimento a isso; admitindo, de fato, que uma Divindade Suprema, embora não Lhe demos o nome Pappeu como seu título próprio, mas o consideremos um nome agradável ao demônio a quem foi destinado o deserto da Cítia, com o seu povo e a sua língua. Aquele, no entanto, que a Deus o seu título na língua cítia, ou na egípcia, ou em qualquer língua na qual foi criado, não será culpado de pecado.