Contra Celso - Livro V 2

Anjos, ressurreição e o culto a um só Deus

Mas, que ele ridicularizou longamente a doutrina da ressurreição da carne, que tem sido pregada nas Igrejas, e que é compreendida com mais clareza pelo crente mais inteligente, e como é desnecessário citar de novo as suas palavras, que foram apresentadas, exponhamos e estabeleçamos, com respeito ao problema (como numa obra apologética dirigida a um estranho à fé, e em favor daqueles que ainda são crianças, levados de um lado para outro e arrastados por todo vento de doutrina, pelo engano dos homens e pela astúcia com que enganam ardilosamente), o melhor que pudermos, alguns pontos destinados expressamente aos nossos leitores. Nem nós, então, nem as Escrituras sagradas afirmamos que com os mesmos corpos, sem uma mudança para uma condição superior, aqueles que muito morreram surgirão da terra e viverão de novo. Pois, ao falar assim, Celso faz uma acusação falsa contra nós. Pois podemos atentar a muitas passagens da Escritura que tratam da ressurreição de modo digno de Deus, embora possa bastar, para o presente, citar a linguagem de Paulo da primeira Epístola aos Coríntios, onde ele diz: Mas alguém dirá: Como ressuscitam os mortos? E com que corpo vêm? Insensato, o que tu semeias não é vivificado, a menos que morra. E o que tu semeias, não semeias o corpo que de ser, mas o simples grão, pode ser de trigo, ou de algum outro; mas Deus lhe um corpo como lhe aprouve, e a cada semente o seu próprio corpo. Ora, observe como nestas palavras ele diz que se semeia não o corpo que de ser, mas que, do corpo que é semeado e lançado nu na terra (dando Deus a cada semente o seu próprio corpo), ocorre como que uma ressurreição: da semente que foi lançada ao solo surgindo um talo, por exemplo, entre plantas como as seguintes, isto é, a planta da mostarda, ou de uma árvore maior, como a oliveira, ou uma das árvores frutíferas.