Contra Celso - Livro III 4
Fé, razão e a origem do cristianismo
Mas eu gostaria, em resposta àquele que, por alguma razão desconhecida, faz afirmações como as acima, de fazer, em tom de conversa, alguns comentários como os seguintes, que me parecem não impróprios a ele. Serão, então, aquelas pessoas que você mencionou meros nadas, e não há poder algum em Lebádia ligado a Trofônio, nem em Tebas com o templo de Anfiarau, nem na Acarnânia com Anfíloco, nem na Cilícia com Mopso? Ou há em tais pessoas algum ser, seja um demônio, seja um herói, ou mesmo um deus, operando obras que estão além do alcance do homem? Pois, se ele responder que não há nada nem demoníaco nem divino a respeito desses indivíduos mais do que de outros, então que ele de uma vez dê a conhecer sua própria opinião, sendo a de um epicurista, e a de alguém que não sustenta as mesmas visões que os gregos, e que nem reconhece demônios nem adora deuses como fazem os gregos. E que se mostre que foi em vão que ele aduziu os exemplos antes enumerados (como se cresse que fossem verdadeiros), junto com os que acrescenta nas páginas seguintes. Mas, se ele afirmar que as pessoas mencionadas são ou demônios, ou heróis, ou mesmo deuses, que ele note que estabelecerá, pelo que admitiu, um resultado que não deseja, a saber: que Jesus também era algum ser desse tipo. E por essa razão, também, Ele foi capaz de demonstrar a não poucos que tinha descido de Deus para visitar a raça humana. E, se ele uma vez admitir isso, veja se não será forçado a confessar que Ele é mais poderoso do que aqueles indivíduos com os quais o classificou, visto que nenhum destes proíbe que se ofereça honra aos outros, enquanto Ele, tendo confiança em Si mesmo, porque é mais poderoso do que todos esses outros, proíbe que sejam recebidos como divinos, porque são demônios perversos, que tomaram posse de lugares na terra, por incapacidade de subir à região mais pura e mais divina, aonde as grosserias da terra e seus incontáveis males não podem chegar.
Mas, como ele introduz em seguida o caso do favorito de Adriano (refiro-me aos relatos a respeito do jovem Antínoo, e às honras que lhe prestam os habitantes da cidade de Antínoo no Egito), e imagina que a honra prestada a ele fica pouco aquém da que rendemos a Jesus, mostremos em que espírito de hostilidade essa afirmação é feita. Pois o que há em comum entre uma vida vivida entre os favoritos de Adriano, por alguém que não se abstinha nem mesmo de paixões contra a natureza, e a do venerável Jesus, contra quem nem mesmo os que levantaram incontáveis outras acusações, e que contaram tantas falsidades, foram capazes de alegar que Ele manifestou, nem mesmo no menor grau, qualquer inclinação ao que era licencioso? Mais ainda: se alguém investigasse, com espírito de verdade e imparcialidade, as histórias relativas a Antínoo, acharia que foi por causa das artes e ritos mágicos dos egípcios que houve sequer a aparência de ele realizar algo (maravilhoso) na cidade que leva o nome dele, e isso, ainda por cima, somente depois de sua morte, um efeito que se diz ter sido produzido em outros templos pelos egípcios e pelos que são hábeis nas artes que praticam. Pois eles instalam em certos lugares demônios que reivindicam poder profético ou de cura, e que com frequência atormentam os que parecem ter cometido algum erro a respeito de tipos comuns de comida, ou a respeito de tocar o corpo morto de um homem, para que tenham a aparência de alarmar a multidão sem instrução. Dessa natureza é o ser que é considerado um deus em Antinópolis, no Egito, cujas (supostas) virtudes são as invenções mentirosas de alguns que vivem do ganho daí derivado, enquanto outros, enganados pelo demônio ali instalado, e outros ainda, condenados por uma consciência fraca, de fato pensam que estão pagando uma penalidade divina infligida por Antínoo. De tal natureza são também os mistérios que eles realizam, e as supostas predições que proferem. Bem diferentes desses são os de Jesus. Pois não foi uma companhia de feiticeiros, cortejando um rei ou governante a mando dele, que parecia tê-Lo feito um deus. Antes, foi o próprio Arquiteto do universo que, em harmonia com o poder maravilhosamente persuasivo de Suas palavras, O recomendou como digno de honra, não só aos homens que eram bem dispostos, mas também aos demônios e a outros poderes invisíveis, que até no tempo presente mostram que ou temem o nome de Jesus como o de um ser de poder superior, ou O aceitam com reverência como seu legítimo governante. Pois, se a recomendação não lhe tivesse sido dada por Deus, os demônios não se teriam retirado daqueles a quem tinham assaltado, em obediência à mera menção de Seu nome.
Os egípcios, então, tendo sido ensinados a adorar Antínoo, se você o comparar com Apolo ou Zeus, suportarão tal comparação, sendo Antínoo engrandecido na estima deles por ser classificado com essas divindades. Pois Celso é claramente convencido de falsidade quando diz que eles não suportarão que ele seja comparado com Apolo ou Zeus. Já os cristãos (que aprenderam que sua vida eterna consiste em conhecer o único Deus verdadeiro, que está acima de tudo, e Jesus Cristo, a quem Ele enviou, e que aprenderam também que todos os deuses dos pagãos são demônios ávidos, que esvoaçam ao redor dos sacrifícios e do sangue, e de outros acompanhamentos sacrificiais, a fim de enganar os que não se refugiaram no Deus que está acima de tudo, mas que os divinos e santos anjos de Deus são de natureza e vontade diferentes de todos os demônios da terra, e que são conhecidos por aquelas pouquíssimas pessoas que investigaram com cuidado e inteligência esses assuntos) não suportarão que se faça uma comparação entre eles e Apolo ou Zeus, ou qualquer ser adorado com odor e sangue e sacrifícios. Alguns deles, agindo assim por sua extrema simplicidade, não sendo capazes de dar uma razão para sua conduta, mas observando sinceramente os preceitos que receberam. Outros, de novo, por razões que não devem ser tidas em pouco, antes até de descrição profunda, e (como diria um grego) extraídas da natureza íntima das coisas. E, entre estes últimos, Deus é assunto frequente de conversa, e também os que são honrados por Deus, por meio de Seu Verbo unigênito, com participação em Sua divindade e, portanto, também em Seu nome. Eles falam muito, ainda, tanto a respeito dos anjos de Deus quanto dos que se opõem à verdade, mas foram enganados, e que, em consequência de terem sido enganados, os chamam de deuses ou anjos de Deus, ou bons demônios, ou heróis que se tornaram tais pela transferência para dentro deles de uma boa alma humana. E tais cristãos também mostrarão que, assim como na filosofia há muitos que parecem estar de posse da verdade, mas que se enganaram a si mesmos por argumentos plausíveis, ou por assentir precipitadamente ao que foi apresentado e descoberto por outros, assim também, entre aquelas almas que existem apartadas dos corpos, tanto anjos quanto demônios, há algumas que foram induzidas por razões plausíveis a declarar-se deuses. E, porque era impossível que as razões de tais coisas fossem descobertas pelos homens com exatidão perfeita, julgou-se seguro que nenhum mortal se confiasse a ser algum como se fosse Deus, com exceção de Jesus Cristo, que é, por assim dizer, o Governante sobre todas as coisas, e que tanto contemplou esses graves segredos quanto os deu a conhecer a poucos.
A crença, então, em Antínoo, ou em qualquer outra pessoa assim, seja entre os egípcios, seja entre os gregos, é, por assim dizer, infeliz, enquanto a crença em Jesus pareceria ser ou uma crença afortunada, ou o resultado de uma investigação minuciosa, tendo a aparência da primeira para a multidão e da segunda para pouquíssimos. E, quando falo de certa crença ser, como a chamaria a multidão, infeliz, refiro nesse caso a causa a Deus, que conhece as razões dos vários destinos atribuídos a cada um que entra na vida humana. Os gregos, além disso, admitirão que, até entre os que são considerados mais largamente dotados de sabedoria, a boa sorte teve muito a ver, como na escolha de mestres de um tipo em vez de outro, e em encontrar uma classe melhor de instrutores (havendo mestres que ensinaram as doutrinas mais opostas), e em ser criado em circunstâncias melhores. Pois a criação de muitos se deu em meio a um tipo de cercania tal, que eles ficaram impedidos de jamais receber qualquer ideia de coisas melhores, mas passaram constantemente a vida, desde a mais tenra juventude, ou como favoritos de homens licenciosos ou de tiranos, ou em alguma outra condição miserável que proibia a alma de olhar para cima. E as causas desses destinos variados, segundo toda probabilidade, devem ser achadas nas razões da providência, embora não seja fácil aos homens averiguá-las. Mas eu disse o que disse a modo de digressão do corpo principal do meu assunto, por causa do provérbio de que tamanho é o poder da fé, porque ela se apodera daquilo que primeiro se apresenta. Pois era necessário, por causa dos diferentes métodos de educação, falar das diferenças de crença entre os homens, alguns dos quais são mais, e outros menos, afortunados em sua crença, e, a partir disso, passar a mostrar que aquilo que se chama boa ou má sorte pareceria contribuir, mesmo no caso dos mais talentosos, para que eles pareçam mais plenamente dotados de razão e para que deem seu assentimento, com base na razão, à maioria das opiniões humanas. Mas basta sobre esses pontos.
Precisamos observar os comentários que Celso faz em seguida, quando nos diz que a fé, tendo tomado posse de nossas mentes, faz com que demos o assentimento que damos à doutrina de Jesus. Pois, de fato, é a fé que produz tal assentimento. Observe, contudo, se essa fé não exibe por si mesma o que é digno de louvor, visto que nos confiamos ao Deus que está acima de tudo, reconhecendo nossa gratidão a Ele, que nos conduziu a tal fé, e declarando que Ele não poderia ter tentado ou realizado tal resultado sem o auxílio divino. E temos confiança também nas intenções dos escritores dos Evangelhos, observando sua piedade e escrúpulo, manifestados em seus escritos, que não contêm nada espúrio, ou enganoso, ou falso, ou ardiloso. Pois é evidente para nós que almas sem conhecimento daqueles artifícios que são ensinados pela astuta sofística dos gregos (que se caracteriza por grande plausibilidade e agudeza), e pelo tipo de retórica em voga nos tribunais de justiça, não teriam sido capazes de assim inventar ocorrências que são, por si mesmas, próprias para conduzir à fé e a uma vida em conformidade com a fé. E sou de opinião que foi por essa razão que Jesus quis empregar tais pessoas como mestres de Suas doutrinas, a saber: para que não houvesse fundamento para qualquer suspeita de sofística plausível, mas para que ficasse claro a todos os que fossem capazes de entender que o propósito sincero dos escritores, sendo, por assim dizer, marcado por grande simplicidade, foi tido por digno de ser acompanhado por um poder mais divino, que realizou muito mais do que parecia possível ser realizado por uma perífrase de palavras e um tecer de frases, acompanhado de todas as distinções da arte grega.
Mas observe se os princípios da nossa fé, em harmonia com as ideias gerais implantadas em nossas mentes ao nascer, não produzem uma mudança nos que escutam com sinceridade as suas afirmações. Pois, embora uma visão distorcida das coisas, com o auxílio de muita instrução no mesmo sentido, tenha sido capaz de implantar nas mentes da multidão a crença de que imagens são deuses, e de que coisas feitas de ouro, prata, marfim e pedra são dignas de adoração, o bom senso proíbe a suposição de que Deus seja de algum modo um pedaço de matéria corruptível, ou seja honrado quando os homens o fazem assumir uma forma incorporada em matéria morta, modelada segundo alguma imagem ou símbolo de Sua aparência. E por isso dizemos de imediato, a respeito das imagens, que elas não são deuses, e, a respeito de tais criações (da arte), que não devem ser comparadas com o Criador, mas são pequenas em contraste com o Deus que está acima de tudo, e que criou, sustenta e governa o universo. E a alma racional, reconhecendo, por assim dizer, seu parentesco (com o divino), de imediato rejeita o que por algum tempo supôs serem deuses, e retoma seu amor natural por seu Criador. E, por causa de sua afeição por Ele, recebe também Aquele que primeiro apresentou essas verdades a todas as nações, por meio dos discípulos que tinha designado, e que enviou, providos de poder e autoridade divinos, para proclamar a doutrina a respeito de Deus e de Seu reino.
Mas como ele já nos acusou, não sei quantas vezes, de considerar como Deus este Jesus, que tinha apenas um corpo mortal, e de julgar que agimos com piedade ao fazer isso, é desnecessário dizer mais alguma coisa em resposta, já que muito foi dito nas páginas anteriores. Mesmo assim, que aqueles que fazem essa acusação entendam que Aquele que consideramos e cremos ter sido desde o princípio Deus e o Filho de Deus é o próprio Logos, a própria Sabedoria e a própria Verdade. E quanto ao seu corpo mortal e à alma humana que esse corpo continha, afirmamos que não foi pela simples comunhão deles com Ele, mas pela união e mistura completa, que receberam os mais altos poderes. Depois de participarem da divindade dele, foram transformados em Deus. E se alguém sentir dificuldade quando dizemos isso a respeito do corpo dele, que preste atenção ao que os gregos dizem sobre a matéria, a qual, em sentido próprio, não tendo qualidades, recebe aquelas que o Criador deseja conferir a ela, e que muitas vezes se despoja das que antes possuía e assume outras de tipo diferente e mais elevado. E se essas opiniões estão corretas, o que há de admirável em que a qualidade mortal do corpo de Jesus, se a providência de Deus assim quis, tenha sido transformada em uma qualidade etérea e divina?
Celso, então, não argumenta bem quando compara a carne mortal de Jesus ao ouro, à prata e à pedra, afirmando que a primeira está mais sujeita à corrupção do que estes. Pois, para falar com exatidão, o que é incorruptível não está mais livre de corrupção do que outra coisa incorruptível, nem o que é corruptível está mais sujeito à corrupção do que outra coisa corruptível. Mas, admitindo que existam graus de corruptibilidade, podemos responder o seguinte: se é possível à matéria que está por baixo de todas as qualidades trocar algumas delas, como seria impossível que a carne de Jesus também trocasse qualidades e se tornasse aquilo que convém a um corpo que tem sua morada no éter e nas regiões acima dele, não possuindo mais as fraquezas próprias da carne, nem aquelas propriedades que Celso chama de impurezas? E ao chamá-las assim, ele fala de modo indigno de um filósofo. Pois o que é propriamente impuro o é por causa da sua maldade. Ora, a natureza do corpo não é impura, pois enquanto natureza corpórea ela não possui o vício, que é o princípio gerador da impureza. Mas, como ele suspeitou da resposta que daríamos, diz a respeito da mudança do corpo de Jesus: Pois bem, depois que ele deixar de lado essas qualidades, será um Deus. E, se for assim, por que não antes Esculápio, Dionísio e Hércules? Ao que respondemos: que grande feito Esculápio, Dionísio ou Hércules realizaram? E que pessoas eles poderão apontar como tendo melhorado de caráter e se tornado melhores por suas palavras e suas vidas, de modo a sustentar a pretensão de serem deuses? Pois examinemos as muitas narrativas a respeito deles e vejamos se estavam livres de devassidão, injustiça, insensatez ou covardia. E se nada disso for encontrado neles, o argumento de Celso poderia ter força, ao colocar essas pessoas que mencionei em pé de igualdade com Jesus. Mas se é certo que, embora algumas coisas sejam relatadas deles como respeitáveis, registra-se que fizeram inúmeras coisas contrárias à reta razão, como você poderia ainda dizer, com qualquer aparência de razão, que esses homens, ao deixarem de lado o corpo mortal, tornaram-se deuses mais do que Jesus?
Em seguida ele diz a nosso respeito que ridicularizamos os que adoram Júpiter, porque seu túmulo é mostrado na ilha de Creta, e no entanto adoramos aquele que ressurgiu do túmulo, embora ignorando os motivos pelos quais os cretenses observam tal costume. Veja agora que ele assim empreende a defesa dos cretenses, de Júpiter e do túmulo dele, aludindo obscuramente às noções alegóricas segundo as quais se diz ter sido inventado o mito de Júpiter, ao mesmo tempo que ataca a nós, que reconhecemos que nosso Jesus de fato foi sepultado, mas que sustentamos que ele também ressuscitou do túmulo, uma afirmação que os cretenses ainda não fizeram a respeito de Júpiter. Mas como ele parece admitir que o túmulo de Júpiter está em Creta, quando diz que ignoramos os motivos pelos quais os cretenses observam tal costume, respondemos que Calímaco de Cirene, que tinha lido inúmeras composições poéticas e quase toda a história grega, não conhecia nenhum sentido alegórico contido nas histórias sobre Júpiter e seu túmulo. Por isso ele acusa os cretenses em seu hino dirigido a Júpiter, com estas palavras: Os cretenses são sempre mentirosos, pois o teu túmulo, ó rei, os cretenses ergueram, e no entanto tu não morreste, pois vives para sempre. Ora, aquele que disse, Tu não morreste, pois vives para sempre, ao negar que o túmulo de Júpiter estivesse em Creta, registra, contudo, que em Júpiter houve o começo da morte. Mas o nascimento sobre a terra é o começo da morte. E suas palavras são: E Reia te deu à luz entre os parrásios. Ele deveria ter percebido que, depois de negar que o nascimento de Júpiter tivesse ocorrido em Creta por causa do túmulo, era bem coerente com o nascimento dele na Arcádia que aquele que nasceu também morresse. E é assim que Calímaco fala dessas coisas: Ó Júpiter, alguns dizem que nasceste nas montanhas do Ida, outros que nasceste na Arcádia. Quais deles, ó pai, mentiram? Os cretenses são sempre mentirosos, e assim por diante. Ora, foi Celso quem nos fez discutir esses assuntos, pelo modo injusto com que trata Jesus, dando seu consentimento ao que se relata sobre a morte e o sepultamento dele, mas considerando como invenção a ressurreição dele dentre os mortos, embora ela não só tenha sido predita por inúmeros profetas, como também muitas provas tenham sido dadas de que ele apareceu depois da morte.
Depois desses pontos, Celso cita algumas objeções contra a doutrina de Jesus, feitas por uns pouquíssimos indivíduos considerados cristãos, não os da classe mais inteligente, como ele supõe, mas os da classe mais ignorante, e afirma que estas são as regras que eles estabelecem. Que ninguém venha a nós que tenha sido instruído, ou que seja sábio ou prudente (pois tais qualidades são tidas por nós como males); mas se houver alguma pessoa ignorante, ou sem inteligência, ou não instruída, ou tola, que venha com confiança. Com essas palavras, reconhecendo que tais pessoas são dignas do seu Deus, eles mostram claramente que desejam e só conseguem atrair os tolos, os baixos e os estúpidos, junto com as mulheres e as crianças. Em resposta a isso, dizemos o seguinte: assim como, enquanto Jesus ensina a continência e diz, Todo aquele que olha para uma mulher para a cobiçar já cometeu adultério com ela no seu coração, se alguém observasse uns poucos dos que são considerados cristãos vivendo de modo dissoluto, com toda a justiça os culparia por viverem contra o ensino de Jesus, mas agiria de modo totalmente irracional se acusasse o Evangelho da conduta repreensível deles; do mesmo modo, se ele descobrisse, apesar disso, que a doutrina dos cristãos convida os homens à sabedoria, então a culpa deveria recair sobre aqueles que permanecem na própria ignorância, e que dizem, não o que Celso relata (pois, embora alguns deles sejam simples e ignorantes, não falam com tanta desfaçatez como ele alega), mas outras coisas de bem menor gravidade, que, no entanto, servem para desviar os homens da prática da sabedoria.