Contra Celso - Livro III 2
Fé, razão e a origem do cristianismo
E, de novo, quando se diz de Esculápio que uma grande multidão tanto de gregos quanto de bárbaros reconhece que viu com frequência, e ainda vê, não um mero fantasma, mas o próprio Esculápio, curando e fazendo o bem, e predizendo o futuro, Celso exige que creiamos nisso e não encontra falta nos que creem em Jesus quando expressamos nossa crença em tais histórias. Mas quando damos nosso assentimento aos discípulos e testemunhas oculares dos milagres de Jesus, que manifestam claramente a honestidade de suas convicções (porque vemos sua sinceridade, na medida em que é possível ver a consciência revelada por escrito), somos chamados por ele de um bando de indivíduos tolos, ainda que ele não possa demonstrar que um número incalculável, como afirma, de gregos e bárbaros reconheça a existência de Esculápio. Nós, por outro lado, se julgarmos isso assunto de importância, podemos mostrar claramente uma multidão incontável de gregos e bárbaros que reconhecem a existência de Jesus. E alguns dão prova de terem recebido, por meio dessa fé, um poder admirável pelas curas que realizam, não invocando nenhum outro nome sobre os que precisam de sua ajuda senão o do Deus de todas as coisas e o de Jesus, junto com uma menção de sua história. Pois por esses meios nós também vimos muitas pessoas libertas de calamidades graves, de perturbações da mente, de loucura, e de incontáveis outros males que não podiam ser curados nem por homens nem por demônios.