Contra Celso - Livro III 2
Fé, razão e a origem do cristianismo
Em seguida, já que ele nos censura pela existência de heresias no cristianismo como fundamento de acusação contra ele, dizendo que, quando os cristãos cresceram muito em número, dividiram-se e fragmentaram-se em facções, cada indivíduo desejando ter seu próprio partido; e, além disso, que, assim separados pelo seu número, refutam-se uns aos outros, mantendo ainda, por assim dizer, um nome em comum, se é que de fato ainda o conservam. E esta é a única coisa que eles ainda têm vergonha de abandonar, enquanto os demais assuntos são decididos de modos diferentes pelas várias seitas. Em resposta a isso, dizemos que heresias de diferentes tipos nunca se originaram de qualquer assunto em que o princípio envolvido não fosse importante e benéfico para a vida humana. Pois, como a ciência da medicina é útil e necessária à raça humana, e muitos são os pontos de disputa nela a respeito do modo de curar os corpos, encontram-se, por essa razão, numerosas heresias reconhecidamente predominantes na ciência da medicina entre os gregos, e também, suponho, entre aquelas nações bárbaras que professam empregar a medicina. E, de novo, já que a filosofia faz profissão da verdade, e promete um conhecimento das coisas existentes com vistas à regulação da vida, e se esforça por ensinar o que é vantajoso à nossa raça, e já que a investigação dessas matérias vem acompanhada de grandes diferenças de opinião, inúmeras heresias consequentemente brotaram na filosofia, algumas das quais são mais célebres que outras. Até o próprio judaísmo deu pretexto para a origem de heresias, na diferente aceitação concedida aos escritos de Moisés e aos dos profetas. Assim, então, vendo que o cristianismo se mostrou objeto de veneração aos homens, não só à classe mais servil, como Celso supõe, mas a muitos entre os gregos que se dedicavam a atividades literárias, necessariamente se originaram heresias, de modo algum, no entanto, como resultado de facção e disputa, mas pelo desejo sincero de muitos homens de letras de se familiarizarem com as doutrinas do cristianismo. A consequência disso foi que, tomando em diferentes aceitações aqueles discursos que todos criam ser divinos, surgiram heresias, que receberam seus nomes daqueles indivíduos que admiravam, de fato, a origem do cristianismo, mas que foram levados, de um modo ou de outro, por certas razões plausíveis, a opiniões discordantes. E, contudo, ninguém agiria racionalmente evitando a medicina por causa de suas heresias; nem aquele que visasse o que é conveniente nutriria ódio à filosofia, e apresentaria as suas muitas heresias como pretexto para sua antipatia. E, assim, tampouco os livros sagrados de Moisés e dos profetas devem ser condenados por causa das heresias no judaísmo.
Ora, se esses argumentos são válidos, por que não defenderíamos, do mesmo modo, a existência de heresias no cristianismo? E a respeito delas, Paulo me parece falar de maneira muito notável quando diz: Pois é necessário que haja heresias entre vós, para que os que são aprovados se manifestem entre vós. Pois, assim como é aprovado na medicina aquele que, em razão de sua experiência nas várias heresias (médicas) e de seu exame honesto da maioria delas, selecionou o sistema preferível, e assim como o grande perito em filosofia é aquele que, depois de conhecer experimentalmente as várias opiniões, deu sua adesão à melhor, assim eu diria que o cristão mais sábio era aquele que havia estudado cuidadosamente as heresias tanto do judaísmo quanto do cristianismo. Ao passo que aquele que critica o cristianismo por causa de suas heresias criticaria também o ensino de Sócrates, de cuja escola saíram muitos outros de opiniões discordantes. Mais ainda: as opiniões de Platão poderiam ser acusadas de erro, em razão de Aristóteles ter se separado de sua escola e fundado uma nova, assunto sobre o qual fizemos observações no livro anterior. Mas parece-me que Celso veio a conhecer certas heresias que não possuem sequer o nome de Jesus em comum conosco. Talvez ele tivesse ouvido falar das seitas chamadas ofitas e cainitas, ou algumas outras de natureza semelhante, que se afastaram em todos os pontos do ensino de Jesus. E, no entanto, isso certamente não dá fundamento algum para uma acusação contra a doutrina cristã.
Depois disso ele continua: A união deles é tanto mais admirável quanto mais se puder mostrar que se baseia em nenhuma razão substancial. E, contudo, a rebelião é uma razão substancial, assim como as vantagens que dela decorrem e o medo de inimigos externos. Tais são as causas que dão estabilidade à fé deles. A isto respondemos que a nossa união de fato repousa sobre uma razão, ou antes, não sobre uma razão, mas sobre a ação divina, de modo que seu começo foi Deus ensinar os homens, nos escritos proféticos, a esperar a vinda de Cristo, que seria o Salvador da humanidade. Pois, na medida em que esse ponto não é realmente refutado (ainda que possa parecê-lo aos incrédulos), na mesma proporção a doutrina é recomendada como a doutrina de Deus, e Jesus é mostrado como o Filho de Deus, tanto antes quanto depois de sua encarnação. Sustento, além disso, que mesmo depois de sua encarnação ele é sempre encontrado, pelos que possuem a mais aguda visão espiritual, como o mais divino, e como tendo realmente descido até nós a partir de Deus, e como tendo derivado sua origem ou seu desenvolvimento posterior não da sabedoria humana, mas da manifestação de Deus dentro dele, que por sua multiforme sabedoria e seus milagres estabeleceu primeiro o judaísmo e depois o cristianismo; e a afirmação de que a rebelião, e as vantagens que a acompanham, foram as causas originárias de uma doutrina que converteu e melhorou tantos homens foi efetivamente refutada.
Mas, de novo, que não é o medo de inimigos externos que fortalece a nossa união fica patente do fato de que essa causa, pela vontade de Deus, já há um tempo considerável deixou de existir. E é provável que a existência segura, no que diz respeito ao mundo, de que os crentes desfrutam no presente chegue ao fim, já que os que caluniam o cristianismo de toda forma estão de novo atribuindo a atual frequência de rebeliões à multidão de crentes, e ao fato de não serem perseguidos pelas autoridades como nos tempos antigos. Pois aprendemos do Evangelho a não afrouxar os nossos esforços em dias de paz, e a não nos entregar ao repouso, nem, quando o mundo nos faz guerra, a nos tornarmos covardes e apostatar do amor ao Deus de todas as coisas que está em Jesus Cristo. E manifestamos claramente a natureza ilustre de nossa origem, e não a ocultamos (como Celso imagina), quando imprimimos nas mentes de nossos primeiros convertidos o desprezo pelos ídolos e por imagens de todo tipo, e, além disso, elevamos seus pensamentos do culto às coisas criadas em lugar de Deus, e os erguemos ao Criador universal; mostrando claramente que ele é o objeto da profecia, tanto pelas predições a seu respeito, das quais há muitas, quanto por aquelas tradições que foram cuidadosamente investigadas pelos que são capazes de entender com inteligência os Evangelhos e as declarações dos apóstolos.
Mas quais são as lendas de todo tipo que reunimos, ou os terrores que inventamos, como Celso afirma sem prova, mostre-o quem quiser. Não sei, de fato, o que ele quer dizer com inventar terrores, a menos que seja a nossa doutrina de Deus como Juiz, e da condenação dos homens por seus feitos, com as várias provas derivadas em parte da Escritura, em parte da razão provável. E, contudo (pois a verdade é preciosa), Celso diz, ao final: Que nunca eu, nem estes, nem qualquer outro indivíduo rejeitemos a doutrina a respeito do castigo futuro dos perversos e da recompensa dos bons! Que terrores, então, se você excetuar a doutrina do castigo, inventamos e impomos à humanidade? E se ele responder que entretecemos opiniões errôneas extraídas de fontes antigas, e as proclamamos em alta voz, e as fazemos soar diante dos homens, como os sacerdotes de Cibele entrechocam seus címbalos aos ouvidos dos que estão sendo iniciados em seus mistérios, perguntar-lhe-emos em resposta: Opiniões errôneas de que fontes antigas? Pois, quer ele se refira a relatos gregos, que ensinavam a existência de tribunais de justiça sob a terra, quer a relatos judaicos, que, entre outras coisas, prediziam a vida que se segue à presente, ele será incapaz de mostrar que nós, que, esforçando-nos por crer em fundamentos de razão, regulamos nossas vidas em conformidade com tais doutrinas, deixamos de averiguar corretamente a verdade.
Ele quer, de fato, comparar os artigos de nossa fé aos dos egípcios; entre os quais, ao se aproximar de seus edifícios sagrados, veem-se esplêndidos recintos, e bosques, e portões grandes e belos, e templos admiráveis, e magníficas tendas ao redor deles, e cerimônias de culto cheias de superstição e mistério; mas, depois de entrar e penetrar adentro, vê-se que o objeto de culto é um gato, ou um macaco, ou um crocodilo, ou um bode, ou um cão! Ora, que semelhança há entre nós e os esplendores do culto egípcio que são vistos pelos que se aproximam de seus templos? E onde está a semelhança com aqueles animais irracionais que são adorados lá dentro, depois que se passa pelos esplêndidos portões? Serão as nossas profecias, e o Deus de todas as coisas, e as proibições contra imagens, objetos de reverência também aos olhos de Celso, e Jesus Cristo crucificado, o equivalente ao culto do animal irracional? Mas se ele afirmar isso (e não creio que sustentará outra coisa), responderemos que falamos nas páginas anteriores, mais detidamente, em defesa daquelas acusações que afetam Jesus, mostrando que aquilo que parecia ter-lhe acontecido na condição de sua natureza humana estava repleto de benefício para todos os homens e de salvação para o mundo inteiro.
Em seguida, referindo-se às declarações dos egípcios, que falam com pompa sobre animais irracionais, e que afirmam serem eles uma espécie de símbolos de Deus, ou qualquer outra coisa que os seus profetas, assim chamados, costumam chamá-los, Celso diz que se produz uma impressão nas mentes dos que aprenderam essas coisas: que não foram iniciados em vão; ao passo que, quanto às verdades que se ensinam em nossos escritos àqueles que progrediram no estudo do cristianismo (por aquilo que Paulo chama de dom que consiste na palavra de sabedoria pelo Espírito, e na palavra de conhecimento segundo o Espírito), Celso parece nem mesmo ter formado uma ideia, a julgar não só pelo que já disse, mas pelo que acrescenta em seguida em seu ataque ao sistema cristão, quando afirma que os cristãos repelem todo homem sábio da doutrina de sua fé, e convidam apenas os ignorantes e os vulgares; sobre cujas afirmações faremos observações no devido tempo, quando chegarmos ao lugar próprio.
Ele diz, de fato, que ridicularizamos os egípcios, embora eles apresentem muitos mistérios de modo algum desprezíveis à nossa consideração, quando nos ensinam que tais ritos são atos de culto oferecidos a ideias eternas, e não, como pensa a multidão, a animais efêmeros; e que somos tolos, porque não introduzimos nada mais nobre do que os bodes e os cães do culto egípcio em nossas narrativas sobre Jesus. Ora, a isto respondemos: Bom senhor, (suponhamos que) você tenha razão ao elogiar o fato de os egípcios apresentarem à vista muitos mistérios de modo algum desprezíveis, e explicações obscuras sobre os animais (adorados) entre eles. Ainda assim, você não age de modo coerente ao nos acusar como se cresse que não tínhamos nada a declarar que fosse digno de consideração, mas que todas as nossas doutrinas eram desprezíveis e sem valor, visto que desdobramos as narrativas a respeito de Jesus segundo a 'sabedoria da palavra' aos que são 'perfeitos' no cristianismo. A respeito dos quais, como sendo competentes para entender a sabedoria que há no cristianismo, Paulo diz: 'Falamos sabedoria entre os que são perfeitos; mas não a sabedoria deste mundo, nem a dos príncipes deste mundo, que se reduzem a nada, mas falamos a sabedoria de Deus em mistério, a sabedoria oculta, que Deus ordenou antes do mundo para a nossa glória; a qual nenhum dos príncipes deste mundo conheceu.'
E dizemos aos que sustentam opiniões semelhantes às de Celso: Devemos supor, então, que Paulo não tinha diante de sua mente a ideia de nenhuma sabedoria preeminente quando professou falar sabedoria entre os que são perfeitos? Ora, como ele falou com sua habitual ousadia ao dizer, fazendo tal profissão, que não possuía sabedoria alguma, diremos em resposta: antes de tudo, examine as Epístolas daquele que profere estas palavras, e olhe com atenção o sentido de cada expressão nelas, digamos, nas que escreveu aos efésios, e aos colossenses, e aos tessalonicenses, e aos filipenses, e aos romanos, e mostre duas coisas: tanto que você entende as palavras de Paulo, quanto que você pode demonstrar que qualquer uma delas é boba ou tola. Pois, se alguém se dedicar à leitura atenta delas, estou bem certo de que, ou ficará pasmo com a compreensão do homem que sabe revestir grandes ideias com linguagem comum; ou, se não ficar pasmo, apenas se exibirá sob uma luz ridícula, quer simplesmente enuncie o sentido do autor como se o tivesse compreendido, quer tente contestar e refutar aquilo que apenas imaginou ter entendido!
E ainda nem falei sobre a observância de tudo o que está escrito nos Evangelhos, cada um dos quais contém muita doutrina difícil de entender, não só pela multidão, mas até por alguns dos mais inteligentes. Isso inclui uma explicação muito profunda das parábolas que Jesus dirigiu aos que estavam de fora, ao mesmo tempo em que reservava a exibição de seu sentido pleno para os que tinham passado além do estágio do ensino exotérico e que vinham a Ele em particular, dentro de casa. E quando alguém chega a compreender isso, vai admirar a razão pela qual de uns se diz que estão de fora e de outros que estão dentro de casa. E, de novo, quem não ficaria cheio de espanto, sendo capaz de compreender os movimentos de Jesus? Ora subia Ele a um monte para proferir certos discursos, ou para realizar certos milagres, ou para Sua própria transfiguração, e descia de novo para curar os enfermos e os que não conseguiam segui-Lo aonde iam Seus discípulos. Mas não é o momento adequado para descrever agora o conteúdo verdadeiramente venerável e divino dos Evangelhos, ou a mente de Cristo (isto é, a sabedoria e a palavra) contida nos escritos de Paulo. O que dissemos, no entanto, basta como resposta aos escárnios sem filosofia de Celso, que compara os mistérios internos da Igreja de Deus aos gatos, macacos, crocodilos, bodes e cães do Egito.
Mas esse zombador vulgar, Celso, não omitindo nenhuma espécie de escárnio e ridículo que possa ser empregada contra nós, menciona em seu tratado os Dioscuros, e Hércules, e Esculápio, e Dioniso, que os gregos creem ter se tornado deuses depois de terem sido homens. E diz que não suportamos chamar tais seres de deuses, porque a princípio foram homens, ainda que tenham manifestado muitas qualidades nobres, exibidas em benefício da humanidade, enquanto nós afirmamos que Jesus foi visto após Sua morte pelos Seus próprios seguidores. E levanta contra nós uma acusação a mais, como se disséssemos que Ele foi de fato visto, mas que era apenas uma sombra! Ora, a isso respondemos que foi muito astuto da parte de Celso não indicar aqui claramente que ele não considerava esses seres como deuses, pois temia a opinião dos que pudessem ler seu tratado e que pudessem supor que ele fosse ateu. Por outro lado, se ele tivesse respeitado o que lhe parecia ser a verdade, não teria fingido considerá-los deuses. Para qualquer das duas alegações estamos prontos com uma resposta. Aos que não os consideram deuses, então, respondamos assim: esses seres não são deuses de modo algum. Antes, de acordo com a visão dos que pensam que a alma do homem perece imediatamente após a morte, as almas desses homens também pereceram. Ou, segundo a opinião dos que dizem que a alma continua a subsistir ou é imortal, esses homens continuam a existir ou são imortais, e não são deuses, mas heróis, ou nem mesmo heróis, mas simplesmente almas. Se, então, por um lado, você supõe que eles não existem, teremos de provar a doutrina da imortalidade da alma, que para nós é uma doutrina de importância suprema. Se, por outro lado, eles existem, teremos ainda de provar a doutrina da imortalidade, não só pelo que os gregos tão bem disseram a respeito dela, mas também de uma maneira coerente com o ensino da Sagrada Escritura. E demonstraremos que é impossível que os que foram politeístas durante a vida obtenham uma terra e uma condição melhores depois de sua partida deste mundo, citando as histórias que se contam deles, nas quais se registra a grande devassidão de Hércules e sua escravidão efeminada com Ônfale, junto com as afirmações a respeito de Esculápio, de que o Zeus deles o matou com um raio. E dos Dioscuros se dirá que morrem com frequência: ora vivem em dias alternados, ora morrem e recebem honra igual à dos deuses. Como, então, podem razoavelmente imaginar que um desses deva ser tido por deus ou herói?
Mas nós, provando os fatos relatados a respeito do nosso Jesus a partir das Escrituras proféticas, e depois comparando Sua história com elas, demonstramos que nenhuma devassidão de Sua parte é registrada. Pois até os que conspiraram contra Ele, e que buscaram falsas testemunhas para ajudá-los, não acharam nem sequer algum fundamento plausível para lançar contra Ele uma acusação falsa, de modo a acusá-Lo de libertinagem. A morte dele foi, na verdade, resultado de uma conspiração, e em nada se assemelhava à morte de Esculápio por um raio. E o que há de venerável no louco Dioniso e em suas vestes femininas, para que devesse ser adorado como deus? E se os que defenderiam tais seres recorrem a interpretações alegóricas, temos de examinar cada caso individual e averiguar se ele tem fundamento, e também, em cada caso particular, se esses seres podem ter existência real e são dignos de respeito e adoração, eles que foram despedaçados pelos Titãs e lançados de seu trono celeste. Já o nosso Jesus, que apareceu aos membros de Sua própria tropa (pois vou usar a palavra que Celso emprega), apareceu de verdade, e Celso faz uma acusação falsa contra o Evangelho ao dizer que o que apareceu era uma sombra. E que se comparem com cuidado as afirmações das histórias deles e a de Jesus. Vai Celso querer que as primeiras sejam verdadeiras, mas que a última, embora registrada por testemunhas oculares que mostraram por seus atos que compreenderam claramente a natureza do que tinham visto, e que manifestaram seu estado de espírito pelo que de bom grado suportaram por causa do Evangelho dele, seja invenção? Ora, quem haveria que, desejando agir sempre em conformidade com a reta razão, daria seu assentimento ao acaso ao que se relata de um, mas se lançaria sobre a história de Jesus e, sem exame, se recusaria a crer no que dele se registra?
E, de novo, quando se diz de Esculápio que uma grande multidão tanto de gregos quanto de bárbaros reconhece que viu com frequência, e ainda vê, não um mero fantasma, mas o próprio Esculápio, curando e fazendo o bem, e predizendo o futuro, Celso exige que creiamos nisso e não encontra falta nos que creem em Jesus quando expressamos nossa crença em tais histórias. Mas quando damos nosso assentimento aos discípulos e testemunhas oculares dos milagres de Jesus, que manifestam claramente a honestidade de suas convicções (porque vemos sua sinceridade, na medida em que é possível ver a consciência revelada por escrito), somos chamados por ele de um bando de indivíduos tolos, ainda que ele não possa demonstrar que um número incalculável, como afirma, de gregos e bárbaros reconheça a existência de Esculápio. Nós, por outro lado, se julgarmos isso assunto de importância, podemos mostrar claramente uma multidão incontável de gregos e bárbaros que reconhecem a existência de Jesus. E alguns dão prova de terem recebido, por meio dessa fé, um poder admirável pelas curas que realizam, não invocando nenhum outro nome sobre os que precisam de sua ajuda senão o do Deus de todas as coisas e o de Jesus, junto com uma menção de sua história. Pois por esses meios nós também vimos muitas pessoas libertas de calamidades graves, de perturbações da mente, de loucura, e de incontáveis outros males que não podiam ser curados nem por homens nem por demônios.