Contra Celso - Livro II 6

As objeções do judeu de Celso contra Jesus

Ele imagina também que tanto o terremoto quanto as trevas foram uma invenção; mas, a respeito destes, nas páginas anteriores fizemos a nossa defesa, na medida de nossa capacidade, apresentando o testemunho de Flegonte, que relata que esses eventos ocorreram no tempo em que nosso Salvador padeceu. E ele prossegue dizendo que Jesus, enquanto vivo, de nada se valeu a si mesmo, mas que ressuscitou depois de morto, e exibiu as marcas de seu castigo, e mostrou como suas mãos haviam sido trespassadas por pregos. Perguntamos-lhe o que ele quer dizer com a expressão de nada se valeu a si mesmo. Pois, se ele a faz referir-se à falta de virtude, respondemos que ele se valeu muitíssimo a si mesmo. Pois ele nem proferiu nem cometeu nada que fosse impróprio, mas foi verdadeiramente levado como ovelha ao matadouro, e ficou mudo como cordeiro diante do tosquiador; e o Evangelho testifica que ele não abriu a sua boca. Mas, se Celso aplica a expressão a coisas indiferentes e corpóreas (querendo dizer que em tais coisas Jesus não podia prestar nenhuma ajuda a si mesmo), dizemos que provamos pelos Evangelhos que ele foi voluntariamente ao encontro de seus sofrimentos. Falando em seguida das afirmações dos Evangelhos, de que depois de sua ressurreição ele mostrou as marcas de seu castigo, e como suas mãos haviam sido trespassadas, ele pergunta: Quem viu isso? E, desacreditando o relato de Maria Madalena, de quem se relata que o viu, ele responde: Uma mulher meio enlouquecida, como vocês afirmam. E, porque ela não é a única de quem se registra que viu o Salvador depois de sua ressurreição, mas também se mencionam outros, este judeu de Celso calunia também estas afirmações ao acrescentar: E algum outro daqueles que estavam envolvidos no mesmo sistema de engano!