Contra Celso - Livro II 5

As objeções do judeu de Celso contra Jesus

Celso, em seguida, diz, com indescritível tolice: Se, depois de inventar defesas que são absurdas, e pelas quais você se iludiu ridiculamente, você imagina que faz de fato uma boa defesa, o que o impede de considerar aqueles outros indivíduos que foram condenados e morreram de morte miserável como mensageiros do céu maiores e mais divinos (do que Jesus)? Ora, que de modo manifesto e claro não semelhança alguma entre Jesus, que sofreu o que foi descrito, e aqueles que morreram de morte miserável por causa de sua feitiçaria, ou de qualquer outra acusação que pese contra eles, isso é evidente a todos. Pois ninguém pode apontar quaisquer atos de um feiticeiro que tenham afastado as almas da prática dos muitos pecados que prevalecem entre os homens, e da enxurrada de perversidade (no mundo). Mas, como este judeu de Celso o compara a salteadores, e diz que qualquer sujeito igualmente desavergonhado seria capaz de afirmar, a respeito até de um salteador e assassino a quem o castigo tivesse alcançado, que tal homem não era um salteador, mas um deus, porque predisse a seus companheiros de bando que sofreria o mesmo castigo que de fato sofreu, poder-se-ia, em primeiro lugar, responder que não é por ele ter predito que sofreria tais coisas que mantemos a respeito de Jesus as opiniões que nos levam a confiar nele, como aquele que desceu até nós da parte de Deus. E, em segundo lugar, afirmamos que essa mesma comparação foi de certo modo predita nos Evangelhos; pois Deus foi contado com os transgressores por homens perversos, que preferiram que um assassino (alguém que por sedição e homicídio fora lançado na prisão) lhes fosse solto, e que Jesus fosse crucificado, e que o crucificaram entre dois salteadores. Jesus, de fato, é sempre crucificado com salteadores entre seus verdadeiros discípulos e testemunhas da verdade, e sofre a mesma condenação que eles entre os homens. E dizemos que, se essas pessoas têm alguma semelhança com salteadores, elas que por causa de sua piedade para com Deus sofrem todo tipo de injúria e morte, para mantê-la pura e sem mancha, segundo o ensino de Jesus, então fica claro também que Jesus, o autor de tal ensino, é com boa razão comparado por Celso ao chefe de um bando de salteadores. Mas nem aquele que morreu pelo bem comum da humanidade, nem aqueles que sofreram por causa de sua religião, e que, sozinhos entre todos os homens, foram perseguidos por causa do que lhes parecia o modo certo de honrar a Deus, foram mortos de acordo com a justiça, nem foi Jesus perseguido sem que a acusação de impiedade recaísse sobre os seus perseguidores.